Battlefield 6 lidera vendas nos EUA em 2025 e desbanca Call of Duty
Battlefield 6 é o jogo mais vendido nos Estados Unidos em 2025, segundo relatório anual da Circana. O título da Electronic Arts supera Call of Duty e outros rivais históricos no principal mercado de games do mundo.
Um ano improvável para a franquia da EA
Battlefield ocupa o topo de um ranking que, há anos, parece reservado quase sempre a Call of Duty. O novo capítulo da série da EA e do Battlefield Studios fecha 2025 à frente de gigantes como NBA 2K26, Borderlands 4 e Call of Duty: Black Ops 7, que termina o ano apenas na quinta posição.
Os dados constam do relatório de desempenho do mercado americano de games em 2025, compilado pela Circana e divulgado pelo diretor executivo Mat Piscatella. O levantamento consolida as vendas ao longo dos 12 meses do ano, em mídia física e digital, e serve hoje como principal termômetro comercial da indústria nos Estados Unidos.
O domínio de Battlefield 6 não se constrói em um único mês de explosão de vendas, mas em uma campanha longa, sustentada por atualizações frequentes, suporte online e forte presença competitiva. A EA aposta em temporadas regulares, eventos ao vivo e melhorias técnicas constantes para manter a base ativa e estimular novas compras.
Call of Duty: Black Ops 7, apesar de liderar as vendas de dezembro, não repete nas demais janelas o fôlego de anos anteriores. A franquia ainda é uma potência, mas cede espaço na soma anual. A derrota simbólica pesa em um território onde a série da Activision costuma ditar o ritmo do gênero desde a virada dos anos 2000.
NBA 2K26 fecha o ano na segunda posição, confirmando a força do basquete virtual em um país obcecado pela NBA. Borderlands 4, mesmo lançado com problemas técnicos e relatos de instabilidade, garante o terceiro lugar. Monster Hunter Wilds aparece em quarto, ajudando a Capcom a manter presença entre os grandes nomes de 2025.
Mercado cresce, mas público não necessariamente acompanha
O relatório da Circana mostra um mercado que movimenta US$ 60,7 bilhões em 2025 nos Estados Unidos, alta de 1,4% em relação ao ano anterior. O avanço, porém, não vem principalmente dos grandes lançamentos de console e PC, e sim do trio formado por jogos mobile, hardware e serviços de assinatura.
Mat Piscatella chama atenção para a qualidade desse crescimento. Segundo ele, o faturamento maior não significa, obrigatoriamente, mais gente jogando. “Grande parte do aumento vem de preços mais altos, tanto de produtos quanto de assinaturas”, aponta o executivo, ao comentar os dados consolidados do ano.
A leitura reforça a percepção de que o consumidor de games nos EUA paga mais caro por praticamente tudo em 2025: consoles, upgrades de PC, assinaturas mensais e anuais e pacotes extras dentro dos jogos. As editoras buscam manter margens em um cenário de custos elevados de desenvolvimento, enquanto o público sente os reajustes no bolso.
O ranking anual ainda expõe um predomínio de shooters e jogos esportivos, mas não de forma absoluta. The Elder Scrolls IV: Oblivion Remastered é um dos poucos títulos de mundo aberto e fantasia a furar o bloqueio do top 10, ao lado de Monster Hunter Wilds. O desempenho do remaster de um RPG de 2006 indica o apelo contínuo de marcas clássicas, mesmo em um mercado saturado por lançamentos anuais.
Ghost of Yotei, novo projeto da Sucker Punch, fica em décimo primeiro lugar, posição que sugere boa recepção, mas ainda aquém dos fenômenos comerciais mais consolidados. O veterano Grand Theft Auto V, lançado originalmente em 2013, continua a desafiar a lógica e aparece na 20ª colocação, sustentado por promoções frequentes e pela força do modo online.
O que a vitória de Battlefield muda na indústria
A liderança de Battlefield 6 em 2025 mexe no equilíbrio de forças do segmento de tiro em primeira pessoa. A série da EA vem de anos marcados por recepção irregular e lançamentos que, em alguns casos, chegam ao mercado sem o polimento esperado. A conquista do primeiro lugar anual nos Estados Unidos funciona como espécie de reabilitação comercial.
Para a Electronic Arts, o resultado fortalece a estratégia de investir em um shooter de grande escala, com orçamentos altos e ciclos de atualização mais longos. A performance de Battlefield 6 tende a influenciar decisões futuras sobre intervalos de lançamento, foco em experiências multiplayer persistentes e integração com plataformas de assinatura.
Concorrentes diretas, como a franquia Call of Duty, precisam lidar com a sinalização enviada pelo público em 2025. Uma liderança confortável deixa de ser garantida, mesmo com campanhas de marketing agressivas e presença anual nas prateleiras digitais. A pressão recai sobre próximos lançamentos, que devem buscar mais diferenciação e estabilidade técnica desde o dia um.
O relatório da Circana também sugere que o apetite do consumidor por jogos grandes não desaparece, mas convive com um ecossistema cada vez mais fragmentado entre mobile, consoles, PC e serviços na nuvem. Desenvolvedoras que dependem de grandes lançamentos anuais passam a competir não só entre si, mas com catálogos inteiros disponíveis por assinatura.
O desempenho de remasterizações como Oblivion e a persistência de GTA V indicam que o passado rende dividendos significativos. Editoras devem ampliar apostas em catálogos e relançamentos, enquanto novas propriedades intelectuais lutam por espaço em um calendário carregado.
Battlefield 6, ao fechar 2025 no topo das vendas americanas, abre uma janela rara para a franquia da EA disputar protagonismo em um gênero dominado por poucos nomes. A resposta de Call of Duty, das demais séries de tiro e do próprio público começa a ser desenhada já nos próximos anúncios e lançamentos. A dúvida agora é se a façanha se repete ou se 2025 entra para a história como um ponto fora da curva.
