Barboza cobra elenco do Botafogo após empate com Caracas no Nilton Santos
O zagueiro Alexander Barboza deixa o gramado do Nilton Santos irritado com o empate em 1 a 1 do Botafogo contra o Caracas, nesta quinta-feira (9/4), pela Copa Sul-Americana. Em entrevista ainda no estádio, o argentino desabafa, critica o desempenho da equipe e cobra mais entrega do elenco alvinegro na disputa do Grupo E.
Empate em casa expõe alerta no início da campanha
O relógio marca pouco antes das 22h quando Barboza para diante do microfone da ESPN e resume a noite em uma frase dura: não basta jogar bonito. O empate em casa, pela primeira rodada, deixa o Botafogo com apenas um ponto e atrás do Racing, que vence o Independiente Petrolero fora de casa e assume a ponta da chave.
O cenário contrasta com a expectativa criada antes da estreia. No Nilton Santos, o plano do clube é transformar cada jogo da Sul-Americana em trunfo para avançar direto às oitavas, vaga reservada apenas ao líder de cada grupo. A igualdade por 1 a 1, porém, quebra o roteiro e acende um alerta interno que o próprio zagueiro trata de vocalizar.
Barboza não se esconde ao avaliar a atuação coletiva. “A ideia é sempre ganhar. Trabalhamos, vivemos e treinamos para ganharmos, obviamente não tem jogo fácil, o rival também estuda”, afirma, ainda suado, na zona mista do estádio. O discurso vem carregado de frustração com a postura da equipe ao longo dos 90 minutos.
O Botafogo cria volume, especialmente no primeiro tempo, mas falha na definição. “Temos um elenco de muita qualidade, mas com isso não basta, precisamos de mais. Não é só jogar, hoje no futebol, só jogar bonito não basta”, reforça o defensor, ao reconhecer que a atuação não corresponde ao peso do confronto em casa em torneio mata-mata na sequência.
A partida oferece chances ao time carioca nos dois tempos, com posse de bola longa e domínio territorial, mas a estatística mais importante não acompanha o desenho do jogo. O gol sai, o controle parece se firmar, e mesmo assim o time não mata o duelo. O Caracas resiste, encontra brechas e deixa o Rio com um ponto que pesa muito mais para os venezuelanos do que para os brasileiros.
Cobrança pública escancara disputa interna por padrões mais altos
O tom adotado por Barboza não mira nomes específicos, mas atinge o elenco como um todo. “Não era o resultado que queríamos, nessa competição tem que ganhar em casa. Mas é futebol”, diz, antes de detalhar a falha principal da noite. “No primeiro tempo, tivemos muitas bolas, mas não concretizamos, no segundo finalizamos mais um pouco, mas também só conseguimos um gol.”
O raciocínio expõe um ponto que a diretoria insiste desde a formação do grupo: a Sul-Americana não permite muitos tropeços, sobretudo diante de rivais teoricamente mais fracos. No formato atual, com apenas o primeiro colocado avançando diretamente às oitavas, qualquer deslize em casa vira pedra no caminho. Largar atrás do Racing, que já soma três pontos, torna a margem de erro ainda menor.
Para o torcedor que enche o Nilton Santos em uma noite de Copa, o recado de Barboza traduz o sentimento nas arquibancadas. A equipe apresenta momentos de bom futebol, troca passes, ocupa o campo ofensivo, mas esbarra naquilo que o defensor chama de entrega insuficiente. “Não foi o suficiente o que jogamos hoje, temos que dar mais se realmente queremos esta competição. Com o que fizemos hoje em campo, não foi suficiente”, insiste o argentino.
A crítica pública costuma funcionar como divisor de águas em vestiários competitivos. Quando parte de um titular consolidado, como o zagueiro de 29 anos, a mensagem se espalha com outra força. A cobrança pelo que ele define como “mais” envolve intensidade sem bola, agressividade na área rival e atenção nos momentos em que o adversário consegue respirar.
O empate desta quinta-feira também chama atenção pelo aspecto simbólico. Depois de investir para montar um elenco mais numeroso e tecnicamente qualificado, o Botafogo passa a ser cobrado não apenas por desempenho, mas por resultados em torneios continentais. Cada ponto perdido em casa gera ruído entre dirigentes, comissão técnica, jogadores e torcedores, e o discurso de Barboza sintetiza essa mudança de patamar.
Pressão aumenta para reação imediata na sequência da Sul-Americana
O impacto prático do tropeço aparece na tabela e no calendário. Com apenas um ponto, o Botafogo passa a depender de vitórias fora do Rio para compensar o empate no Nilton Santos. O Racing já dispara com três pontos e, se mantiver a regularidade, obriga o clube brasileiro a buscar resultados grandes longe de casa para evitar o risco de disputar um playoff contra terceiros colocados da Libertadores.
O grupo sente que a folga inicial se esvai em 90 minutos. As próximas rodadas, com viagens longas e gramados hostis, ganham peso de decisões antecipadas. Qualquer novo tropeço contra rivais de menor orçamento pode redesenhar a estratégia do clube para a temporada de 2026, mexendo inclusive com prioridades entre competição internacional e calendário nacional.
A fala de Barboza, ainda no calor do pós-jogo, também funciona como aviso prévio a quem disputa posição no elenco. Jogadores que oscilam entre titularidade e banco passam a ser observados não só pela qualidade técnica, mas pela capacidade de manter a concentração durante toda a partida. Em torneios curtos, um apagão de cinco minutos custa caro.
No Nilton Santos, o empate por 1 a 1 deixa sensação de oportunidade desperdiçada, porém não de sentença definitiva. A campanha começa com tropeço, mas a classificação segue ao alcance, desde que a reação seja rápida. O discurso do zagueiro transforma o jogo contra o Caracas em ponto de inflexão interno.
O Botafogo volta a campo nas próximas semanas com a obrigação tácita de provar que aprendeu a lição. Os treinos ganham clima de cobrança por eficiência e frieza na hora de decidir. Resta saber se o vestiário absorve a bronca pública do líder de zaga e responde em campo com o que ele exige: menos enfeite, mais resultado.
