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Bahia empresta Cauly ao São Paulo e vê escapar oferta milionária do Palmeiras

O Bahia libera o meia Cauly ao São Paulo por empréstimo em fevereiro de 2026, em operação com obrigação de compra por metas. A decisão ocorre dois anos após o clube recusar uma oferta de 4,5 milhões de euros do Palmeiras, quando o jogador vivia o melhor momento da carreira.

Do auge em 2023 ao empréstimo em 2026

O negócio que leva Cauly ao Morumbi nasce de um cenário bem diferente daquele de dezembro de 2023. Naquele fim de ano, o meia de 30 anos é um dos principais destaques do futebol brasileiro, pilar técnico do Bahia e alvo prioritário de Abel Ferreira no Palmeiras. A diretoria alviverde coloca na mesa 4,5 milhões de euros, cerca de R$ 24 milhões na cotação da época, por sua contratação em definitivo.

A proposta agrada à comissão técnica do Palmeiras e é tratada internamente como oportunidade rara no mercado nacional. O Bahia, impulsionado pela boa fase do jogador e pela expectativa de valorização ainda maior, decide resistir. Segura o atleta, aposta no retorno esportivo imediato e na chance de negociar por cifras superiores em uma janela seguinte. A recusa é lida, naquele momento, como um gesto de força de um clube em ascensão.

Passadas pouco mais de duas temporadas, o roteiro muda de lado. Cauly perde protagonismo no elenco comandado por Rogério Ceni em Salvador, vê concorrência crescer e já não é mais intocável entre os titulares. As atuações oscilam, o espaço encolhe, e o Bahia passa a ouvir com mais atenção abordagens por um jogador que, no auge, preferiu manter.

Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, o clube baiano encaminha o empréstimo do meia ao São Paulo, rival histórico do Palmeiras. O movimento, antecipado pelo jornalista Alexsander Vieira, do Bolavip Brasil, realinha interesses: o Bahia abre mão de um antigo protagonista, o São Paulo aposta em uma peça para o setor de criação, e o Palmeiras assiste de fora enquanto vê um alvo antigo reforçar um concorrente direto.

Negócio por metas expõe desvalorização

O acordo entre Bahia e São Paulo prevê o pagamento de 500 mil euros, cerca de R$ 3 milhões, pelo empréstimo de Cauly, em parcelas até o fim do vínculo temporário. A operação inclui ainda uma obrigação de compra de 2 milhões de euros, algo próximo de R$ 12 milhões, condicionada a metas de utilização: o gatilho dispara se o meia atuar em 25 partidas com pelo menos 45 minutos em campo em cada uma.

Caso a meta seja atingida, o valor investido no empréstimo é abatido do montante final, o que transforma o pacote em um compromisso escalonado. O contrato estabelece ainda um bônus adicional de 600 mil euros se Cauly alcançar 40 jogos pelo São Paulo, elevando o potencial total da operação para algo em torno de 3,1 milhões de euros. Em reais, a conta se aproxima de R$ 18,5 milhões, já considerando todas as etapas e gatilhos.

O formato por metas, comum em negociações recentes entre grandes clubes brasileiros, reduz risco para o São Paulo e distribui a aposta ao longo do tempo. A compra garantirá, em um primeiro momento, 50% dos direitos econômicos do jogador ao clube paulista, com a possibilidade de aquisição de mais 25% em condições previstas em cláusulas específicas. O Bahia, por sua vez, mantém parte dos direitos e preserva uma fatia para eventual revenda futura, mas aceita uma cifra global menor do que aquela rejeitada em 2023.

O contraste entre os valores ilustra a desvalorização de Cauly no mercado. Em 2023, os 4,5 milhões de euros oferecidos pelo Palmeiras colocavam o meia em um patamar de destaque nas transações internas. Em 2026, mesmo na projeção mais otimista, a operação com o São Paulo não atinge esse nível. A diferença abre espaço para questionamentos sobre a estratégia do Bahia, que arrisca segurar um ativo em alta e, dois anos depois, se vê diante de uma equação menos vantajosa.

A leitura entre dirigentes e analistas é direta: o clube baiano escolheu o ganho esportivo imediato em 2023 e apostou na manutenção do nível de desempenho do jogador. O plano não se confirma. Com a queda de protagonismo de Cauly, o poder de barganha do Bahia diminui. O desfecho atual, ainda que garanta algum retorno financeiro e alivie a folha salarial, deixa uma sensação de oportunidade perdida quando se olha o recorte de longo prazo.

Impacto para Bahia, São Paulo e Palmeiras

Para o São Paulo, a chegada de Cauly representa uma chance de qualificar o meio-campo com um jogador que já mostrou capacidade de decidir jogos de Série A. O modelo de empréstimo com obrigação vinculada a desempenho funciona como teste ampliado: se o meia retoma a forma que exibiu em 2023, o clube passa a contar com uma peça importante por um valor abaixo do teto pago por concorrentes em negociações recentes.

No Bahia, a saída do camisa 8 simboliza uma mudança de ciclo. A diretoria sinaliza disposição para reformular o elenco e redistribuir funções criativas em campo. A perda técnica é mensurável, mas já vinha sendo diluída pela queda de espaço do jogador na rotação de Rogério Ceni. O torcedor, que se acostuma a ver Cauly como referência, agora observa a diretoria sob outra lupa, avaliando se a recusa ao Palmeiras em 2023 foi excesso de confiança ou cálculo mal executado.

O Palmeiras assiste à movimentação com incômodo silencioso. O clube que chegou a oferecer 4,5 milhões de euros por Cauly vê, em 2026, o mesmo jogador desembarcar no Morumbi por cifras inferiores, ainda que divididas em etapas. O episódio reforça a memória recente de negociações complexas, como as tratativas frustradas por zagueiros como Nino, Adryelson e Igor Júlio, e alimenta o debate interno sobre tempo de reação no mercado.

Abel Ferreira, que em 2023 enxergava em Cauly o perfil ideal para dinamizar o setor de criação, precisa seguir em busca de alternativas. A Academia de Futebol recebe reforços como Andreas Pereira e Maurício, mas o alvo antigo agora veste outra camisa. A presença do meia no elenco são-paulino adiciona um componente emocional aos clássicos, com potencial para inflamar arquibancadas e pautar debates a cada confronto direto.

Próximos passos e dúvidas em aberto

O desempenho de Cauly pelo São Paulo tende a definir o balanço final da operação. Se o meia atingir as metas de 25 e 40 jogos, o negócio se consolida como investimento de médio prazo para o clube paulista e se torna cifra obrigatória no caixa do Bahia, que passa a depender do sucesso do ex-titular em outro ambiente. Em caso de fracasso, o tricolor baiano recupera um jogador sem o brilho de antes e com mercado ainda mais restrito.

O desfecho, qualquer que seja, deve alimentar discussões sobre o momento ideal de venda de ativos no futebol brasileiro. A trajetória de Cauly, da recusa de uma proposta de 4,5 milhões de euros ao empréstimo com metas que pode chegar a cerca de 3 milhões de euros, coloca luz sobre o equilíbrio entre ambição esportiva e gestão financeira. A nova fase no Morumbi agora dirá se o Bahia apenas erra o timing ou se o mercado, em 2023, superestima um meia que ainda busca provar que continua decisivo.

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