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Bahia e Botafogo jogam pela sobrevivência na Pré-Libertadores

Bahia e Botafogo entram em campo hoje, 25 de fevereiro de 2026, sob ameaça real de eliminação precoce na Pré-Libertadores. Derrotados por 1 a 0 nos jogos de ida, os dois clubes precisam reverter o placar em casa para seguir vivos no torneio continental.

Pressão máxima após tropeços fora de casa

O Bahia recebe o O’Higgins às 19h, na Arena Fonte Nova, em Salvador. O Botafogo encara o Nacional Potosí às 21h30, no Nilton Santos, no Rio de Janeiro. Os dois chegam às partidas de volta com o mesmo cenário: precisam vencer por dois ou mais gols para avançar direto ou, em caso de triunfo por um gol de diferença, levar a decisão para os pênaltis.

As derrotas por 1 a 0 no Chile e na Bolívia acendem um alerta que já não é novo para o futebol brasileiro. Desde 2018, ao menos um clube do país cai nas fases preliminares da Libertadores. A pressão sobre Bahia e Botafogo não se limita ao risco esportivo imediato. Uma eliminação hoje significaria encerrar o sonho continental ainda em fevereiro e comprometer calendário, receitas e ambições para 2026.

De vexame isolado a incômodo recorrente

O fantasma da Pré-Libertadores nasce para os brasileiros em 2011, quando o Corinthians é eliminado pelo Tolima e vira alvo de piadas dos rivais. Durante anos, o episódio parece um acidente de percurso. Entre 2012 e 2017, nenhum clube do país cai na etapa preliminar, mesmo com a presença de nomes de peso como Flamengo, Internacional, São Paulo, Grêmio, Botafogo, Athletico e o próprio Corinthians.

A partir de 2018, o quadro muda de forma consistente. Chapecoense, São Paulo, Corinthians, Grêmio, Fluminense, Fortaleza, Bragantino e novamente Corinthians, em 2025, engrossam a lista de brasileiros derrubados antes da fase de grupos. A sequência transforma o que antes é “vexame” em um risco estatisticamente concreto. Em todas as oito edições desde 2018, pelo menos um brasileiro fica pelo caminho.

O novo formato da Pré-Libertadores também pesa. De 2005 a 2016, um confronto direto definia a vaga na fase de grupos. Desde 2017, são três etapas antes do sorteio principal, com os brasileiros entrando já na segunda. A exigência física e mental aumenta, assim como a margem para tropeços contra rivais mais acostumados a altitude, gramados irregulares e viagens longas pelo continente.

Neste cenário, Bahia e Botafogo tentam contrariar a estatística. O clube baiano, agora com Everton Ribeiro como uma das referências técnicas, busca transformar a Fonte Nova em aliada para empurrar o time à terceira fase. O Botafogo aposta na força do Nilton Santos e na experiência de jogadores como Artur para superar o Nacional Potosí após um jogo de ida travado em solo boliviano.

Dinheiro, calendário e autoestima em jogo

A disputa de hoje vale bem mais do que a permanência na Libertadores. A presença na fase de grupos garante cotas de participação, bilheteria e exposição que podem superar dezenas de milhões de reais ao longo da temporada. Uma queda ainda em fevereiro obriga os clubes a recalcular o orçamento de 2026 e reduz a vitrine para negociações de atletas.

O impacto esportivo também é direto. Sem Libertadores, Bahia e Botafogo precisam se contentar com competições nacionais e, dependendo do caso, com a Copa Sul-Americana. A agenda muda, o nível dos adversários também, e a pressão interna cresce. Torcedores, conselheiros e dirigentes passam a cobrar explicações para mais um capítulo de um ciclo recente de fracassos brasileiros na Pré-Libertadores.

O efeito simbólico pesa tanto quanto o financeiro. A Libertadores continua sendo o principal palco do continente. Ficar fora da fase de grupos reduz visibilidade internacional, afasta olheiros de grandes ligas e esvazia o discurso de projeto esportivo ambicioso. No curto prazo, uma eliminação pode aumentar a pressão sobre comissões técnicas e diretores de futebol, com mudanças ainda no primeiro trimestre.

Dirigentes admitem, reservadamente, que a Pré-Libertadores virou uma armadilha para quem trata o início de temporada como pré-temporada estendida. Clubes que chegam mais prontos fisicamente e taticamente, mesmo com elencos mais modestos, levam vantagem. “Não existe mais jogo fácil na Libertadores, muito menos em fevereiro”, resume um executivo ouvido pela reportagem.

Caminho até a fase de grupos e o que vem depois

A classificação hoje não encerra o drama. Quem avançar entre Bahia e O’Higgins encara Tolima ou Deportivo Táchira na terceira fase preliminar. O vencedor de Botafogo e Nacional Potosí enfrenta Argentinos Juniors ou Barcelona de Guayaquil. Só então, após mais dois jogos de mata-mata, virá a chave da fase de grupos.

O desenho do torneio deixa claro que não há espaço para erro. Uma noite ruim, um gol perdido ou uma falha defensiva podem custar um ano inteiro de planejamento. Bahia e Botafogo chegam aos jogos desta terça com estádios cheios, clima de decisão e a consciência de que carregam mais do que a própria trajetória. Em campo, também está em jogo a tentativa de interromper um ciclo de eliminações que expõe fragilidades de gestão, preparo e adaptação do futebol brasileiro ao calendário sul-americano. As próximas horas dirão se o país consegue, ao menos em 2026, escapar de mais uma queda precoce.

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