Atuação discreta de Vini Jr contra a França acende alerta na Seleção
Vini Jr passa em branco e tem atuação discreta no amistoso entre Brasil e França, nesta quinta-feira (26), em Paris. O atacante desperdiça a chance de comandar o setor ofensivo em uma das partidas mais aguardadas deste início de ciclo e vira alvo imediato de críticas de torcedores nas redes sociais.
Quarteto ofensivo emperra e expõe frustração
Carlo Ancelotti mantém a palavra e escala o Brasil com quatro atacantes: Gabriel Martinelli, Raphinha, Vini Jr e Matheus Cunha. A ideia é clara: pressão alta, velocidade pelos lados e mais presença na área. O desenho agrada no papel, mas não se converte em finalizações certas. Nos 45 minutos iniciais, a Seleção soma cinco chutes, todos para fora, nenhum na direção do goleiro Mike Maignan.
Vini Jr recebe liberdade para flutuar pela esquerda, se aproximar de Cunha e tentar o um contra um, marca registrada desde o auge no Real Madrid. As brechas aparecem em alguns momentos, mas o camisa 10 não encontra o tempo das jogadas. Erra domínios, perde disputas físicas e, sobretudo, não consegue transformar aproximações da área em lances claros de gol.
Enquanto o ataque brasileiro trava, a França não domina completamente, mas é mais objetiva. Kylian Mbappé encontra espaço aos 31 minutos do primeiro tempo, vence a marcação de Léo Pereira e Douglas Santos na corrida e toca por cobertura na saída de Ederson. Em um único lance, o craque francês faz o que falta à Seleção: precisão na definição.
A escolha de Ancelotti por um time agressivo se choca com a execução em campo. Martinelli e Matheus Cunha arriscam chutes de média distância, Casemiro tenta de fora da área, mas a bola insiste em sair por cima ou ao lado. Vini Jr, apontado por parte da torcida como herdeiro natural do protagonismo de Neymar, assiste a esse movimento mais como coadjuvante do que como líder ofensivo.
Pressão cresce com superioridade numérica e críticas online
O segundo tempo oferece a Vini Jr uma nova chance de reagir. Raphinha sente a coxa direita e dá lugar a Luiz Henrique. O Brasil volta mais intenso pela direita, com Wesley ganhando terreno até sofrer pênalti de Upamecano, aos 9 minutos. O zagueiro francês é expulso, e a Seleção passa a ter 35 minutos de jogo com um jogador a mais diante de um rival de elite.
O cenário, em tese ideal para um ponta de drible e velocidade, não muda a noite do camisa 10. A equipe se instala no campo de ataque, mas segue esbarrando na falta de clareza nas jogadas decisivas. Aos 19, a França dá uma aula de frieza: em contra-ataque rápido, Etikité também finaliza por cobertura e amplia para 2 a 0, mesmo em desvantagem numérica.
Ancelotti promove uma série de mudanças, com entradas de Danilo, Ibãnez, Igor Thiago e João Pedro. O Brasil reduz o placar com Bremer, aos 33, e parte para uma pressão final. Nos acréscimos, Vini Jr enfim aparece com mais perigo e quase empata, mas para na defesa francesa. A imagem de um protagonista apenas tardio alimenta o debate sobre sua influência real na Seleção.
Nas redes sociais, o tom é duro. Internautas reclamam da falta de agressividade e cobram mais liderança do atacante. Comentários como “é jogo grande, não pode se esconder” e “não dá para depender só do clube” se repetem em diferentes perfis. A atuação discreta, em um palco de grande audiência internacional, reforça a divisão entre quem vê em Vini Jr o sucessor imediato de Neymar e quem ainda enxerga um jogador mais confortável no ambiente do Real Madrid do que com a camisa verde e amarela.
Analistas também destacam o contraste entre expectativa e entrega. O quarteto ofensivo idealizado por Ancelotti desperdiça a chance de consolidar uma identidade logo no primeiro grande teste do ano. A falta de eficiência, mesmo com superioridade numérica por mais de meia hora, transforma o amistoso em alerta tático e psicológico.
Debate sobre status de protagonista e próximos passos
O desempenho contra a França mexe diretamente no status de Vini Jr dentro da Seleção. Em um momento em que o futuro de Neymar é incerto e lesões sucessivas adiam seu retorno pleno, a pressão sobre o camisa 10 aumenta. A atuação de quinta, porém, alimenta a dúvida: ele já está pronto para assumir o papel central em jogos de alta exigência pela equipe nacional?
Comissão técnica e torcedores sabem que amistosos contra rivais de ponta, como França, servem como termômetro para competições oficiais. A falta de brilho do principal atacante em atividade no futebol europeu, somada à incapacidade do time em aproveitar 11 contra 10, coloca em discussão o modelo ofensivo escolhido por Ancelotti e a própria configuração do ataque para os próximos compromissos.
A partir de agora, cada convocação tende a carregar essa discussão. A pressão se espalha para os demais nomes de frente, que também saem do jogo sem finalizações perigosas a gol. O treinador precisa decidir se insiste no quarteto de vocação ofensiva, mesmo à custa de equilíbrio, ou se recua uma casa, busca mais meio-campistas e reduz a responsabilidade individual de Vini Jr como farol criativo.
O impacto extrapola o campo. Programas esportivos já projetam a disputa por protagonismo na Seleção e questionam se o time não depende demais de lampejos individuais. A imagem de Mbappé resolvendo em um lance, enquanto o principal atacante brasileiro demora a aparecer, vira símbolo incômodo em debates sobre a distância atual entre as duas seleções.
O próximo calendário de amistosos e competições oficiais deve responder se a noite discreta em Paris será apenas um ponto fora da curva ou o sintoma de um problema maior. Vini Jr volta para a Europa com mais uma atuação de Seleção sob observação e a missão explícita de transformar prestígio de clube em liderança efetiva com a camisa 10 do Brasil.
