Atlético-MG oficializa Eduardo Domínguez como técnico até 2027
O Atlético-MG oficializa nesta terça-feira (24) a contratação do argentino Eduardo Domínguez, 47, como novo técnico, com contrato assinado até dezembro de 2027. Ele acompanha o time em Porto Alegre, inicia os treinos na quinta-feira (26) e estreia em 1º de março, contra o América, no Independência.
Argentino chega com discurso direto à torcida e calendário apertado
O anúncio acontece em Belo Horizonte após semanas de busca por um nome capaz de renovar o comando técnico e sustentar um projeto até o fim de 2027. Em vídeo divulgado pelo clube, Domínguez manda seu primeiro recado à Massa e se apresenta como o responsável por conduzir a próxima etapa de ambição alvinegra no cenário nacional e continental.
O treinador desembarca já envolvido na rotina de jogos. Ainda nesta terça (24), ele se encontra com a delegação em Porto Alegre e acompanha da arquibancada ou de camarote o duelo com o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro, na Arena do Grêmio. O contato inicial é de observação: Domínguez não dirige a equipe à beira do campo, mas começa a desenhar, in loco, o diagnóstico do elenco que assume.
Estreia marcada e Cidade do Galo como base do novo ciclo
A apresentação prática de seu trabalho ocorre a partir de quinta-feira (26), quando ele comanda o primeiro treino na Cidade do Galo. O centro de treinamento em Vespasiano passa a ser o laboratório do novo projeto esportivo, com agenda intensa entre ajustes táticos, análise de desempenho e integração com a base.
O primeiro grande teste vem rápido. No domingo (1º), Domínguez estreia oficialmente à frente do Atlético no jogo de volta da semifinal do Campeonato Mineiro, contra o América, no Independência. O confronto em Belo Horizonte, em mata-mata local e com rival conhecido, oferece um recorte imediato sobre sua leitura de elenco, escolhas de escalação e impacto emocional no grupo.
Carreira marcada por viradas e títulos na América do Sul
Formado como zagueiro, Domínguez inicia a trajetória de treinador no Huracán, na Argentina, antes de circular por outros centros do continente. Entre 2016 e 2017, dirige o Colón e, na sequência, assume o Nacional, do Uruguai, entre 2019 e 2020, ganhando rodagem em clubes tradicionais, acostumados à pressão de torcidas grandes.
O ponto de inflexão vem em 2021, quando retorna ao Colón e lidera o que passa a ser conhecido como “Milagre de Colón”. O clube de Santa Fe conquista, sob seu comando, o primeiro título nacional em 116 anos de história, a Copa da Liga Argentina, derrubando adversários de maior orçamento e completando um ciclo que o projeta no mercado sul-americano.
Depois, o argentino assume o Independiente e, em seguida, o Estudiantes de La Plata, onde consolida sua imagem de treinador competitivo. Entre 2023 e 2026, coleciona a Copa Argentina de 2023, a Copa da Liga de 2024 e o Clausura de 2025, devolvendo o Estudiantes ao topo das disputas locais. Em 2025, leva o time às quartas de final da Copa Libertadores, eliminado nos pênaltis pelo Flamengo, após campanha que chama a atenção de dirigentes brasileiros.
Desafio de elevar o patamar no Brasileirão e na Libertadores
A diretoria atleticana aposta nesse histórico recente para destravar um salto de desempenho. O contrato até 2027 sinaliza um plano de médio prazo, ancorado em continuidade e não em soluções imediatistas. A exigência, porém, chega desde o primeiro dia: a torcida cobra presença constante entre os primeiros colocados do Brasileirão e campanhas fortes na Libertadores.
O elenco atual oferece um ponto de partida robusto, com jogadores experientes, atletas valorizados na base e ativos cobiçados por clubes europeus, como Mateus Iseppe, avaliado em R$ 364 milhões. Domínguez herda um grupo capaz de competir em várias frentes, mas também enfrenta a necessidade de reorganizar o sistema defensivo, ajustar a transição ofensiva e lidar com ausências no ataque, como mostram as últimas listas de relacionados para a partida contra o Grêmio.
A chegada do argentino provoca também movimentação política interna. Conselheiros e investidores, como Rubens Menin, manifestam publicamente apoio e expectativa quanto ao novo comando, reforçando o peso estratégico da escolha. O recado ao técnico é direto: desempenho, títulos e valorização de ativos esportivos caminham juntos, sem margem para longos períodos de adaptação.
O que muda para o torcedor e o próximo capítulo na temporada
Na prática, o torcedor do Atlético passa a observar um estilo de jogo moldado pela intensidade típica do futebol argentino, misturada à preocupação com equilíbrio defensivo. A experiência de Domínguez em mata-matas e decisões curtas, como Copas nacionais e fases eliminatórias da Libertadores, tende a pesar em confrontos diretos, que costumam definir o humor da temporada.
O calendário empurra respostas rápidas. Entre o acompanhamento técnico em Porto Alegre, o início dos treinos em 26 de fevereiro e a estreia em 1º de março, o argentino tem menos de uma semana para transformar observações em escolhas concretas. A primeira impressão se desenha no duelo contra o América, mas a verdadeira medida de sucesso virá na sequência de 2026 e ao longo do contrato até 2027: Domínguez conseguirá converter o discurso de renovação em títulos que sustentem esse novo ciclo alvinegro?
