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Atlético avança por Luiz Araújo, mas esbarra em condição do Flamengo

O Atlético intensifica as negociações para contratar Luiz Araújo, atacante de 29 anos do Flamengo, e tenta viabilizar a chegada já no início de 2026. A diretoria rubro-negra, porém, só aceita liberar o jogador após garantir uma reposição no mercado, o que mantém o acordo em compasso de espera.

Negociação se arrasta e expõe prioridades de Atlético e Flamengo

As conversas entre os clubes chegam a cerca de um mês e ganham corpo às vésperas da rodada final do Campeonato Mineiro. A tratativa, revelada pelo jornalista Thiago Fernandes e confirmada pela rádio Itatiaia nesta sexta-feira (13), ocorre em meio à reestruturação do elenco alvinegro em Nova Lima, onde o time se prepara para enfrentar o Itabirito, no estádio Castor Cifuentes.

O Atlético vê em Luiz Araújo uma peça pronta para assumir protagonismo imediato no setor ofensivo. A diretoria trabalha para que o atacante seja o oitavo reforço da atual janela de transferências, em uma estratégia que combina investimento em jogadores experientes e reorganização do elenco após a saída de Jorge Sampaoli. O Flamengo, por sua vez, não abre mão de ter em mãos um substituto antes de assinar a liberação. A postura é de cautela, tanto pela maratona de jogos prevista para 2026 quanto pelo peso do jogador no grupo.

Nos bastidores, dirigentes ouvidos sob reserva descrevem a negociação como “avançada”, mas condicionada. O Rubro-Negro já admite negociar o atleta, que tem contrato até dezembro de 2027, desde que consiga no mercado alguém capaz de manter o nível de competitividade do ataque. No Atlético, a avaliação é de que vale esperar. A janela ainda oferece margem de manobra e o clube entende que um movimento precipitado pode encarecer a operação.

Reforço para um Atlético em transição técnica

Luiz Araújo desembarca no centro da estratégia alvinegra para reposicionar o time em 2026. O Atlético procura um novo treinador estrangeiro para substituir Sampaoli e, ao mesmo tempo, tenta montar um elenco que permita ao sucessor assumir um grupo mais pronto, com alternativas de velocidade e profundidade pelos lados do campo. Enquanto a diretoria mapeia nomes, Lucas Gonçalves segue como técnico interino e comanda a preparação para o duelo deste sábado, às 19h (de Brasília), em Nova Lima.

Os números de Luiz Araújo ajudam a explicar o interesse. Desde que deixou o Atlanta United, dos Estados Unidos, para vestir a camisa do Flamengo, em maio de 2023, o atacante soma 148 jogos, com 23 gols e 21 assistências. No período, participa diretamente de 44 gols e levanta seis títulos, consolidando-se como peça útil em elencos que brigam na parte de cima das competições nacionais e continentais.

O Atlético enxerga nesse histórico uma oportunidade de reduzir o tempo de adaptação e aumentar a capacidade de decisão em jogos grandes. Em um elenco reformulado, um jogador pronto para entregar desempenho imediato significa menos risco de oscilação no início da temporada. No Rubro-Negro, a preocupação é inversa: perder um atleta com esse perfil sem reposição, num calendário que costuma extrapolar 70 jogos por ano, é visto como convite a problemas físicos e queda de rendimento coletiva.

Impacto para os dois clubes e o que está em jogo na janela

Se a transferência se concretiza, o Atlético atinge a marca de oito reforços contratados nesta janela e monta um bloco ofensivo mais encorpado para o ano. A chegada de Luiz Araújo tende a aumentar a disputa por posição no ataque e a empurrar para o banco jogadores que hoje figuram entre os titulares ou primeiras opções. A concorrência interna é tratada como ferramenta para elevar o nível de treino e manter o elenco em alerta, sobretudo durante a transição para um novo comando técnico.

O movimento também tem leitura estratégica no mercado. Um acerto com jogador de contrato longo no Flamengo, válido até o fim de 2027, sinaliza disposição do Atlético em assumir operações complexas, com impacto financeiro relevante e projeção de retorno esportivo no médio prazo. Para o Flamengo, a eventual venda ou empréstimo abre espaço na folha salarial e na hierarquia do elenco, permitindo ao clube buscar um nome alinhado a uma nova ideia de jogo, sem criar superlotação no setor.

A torcida rubro-negra acompanha o processo com ambivalência. Parte vê com bons olhos uma reorganização do elenco e a possibilidade de entrada de um atacante em fase mais ascendente. Outra parte enxerga risco esportivo em perder um jogador que conhece o ambiente, entrega regularidade física e já entende a dinâmica de decisões de campeonato. Entre atleticanos, o sentimento é de expectativa. Um reforço desse porte costuma ser entendido como sinal de que o clube pretende competir em igualdade de condições com rivais diretos nas principais competições nacionais.

Próximos passos e incertezas no horizonte

O desenrolar da negociação passa, no curto prazo, pela capacidade do Flamengo de encontrar no mercado um substituto considerado seguro. O clube trabalha com o relógio da janela de transferências e com um cenário em que qualquer movimento precipitado pode inflacionar preços. Se não houver reposição à altura, a tendência é que a diretoria rubro-negra endureça a posição e prorrogue a permanência de Luiz Araújo no Rio de Janeiro, ao menos até o meio da temporada.

Do lado atleticano, a diretoria tenta manter discrição enquanto equilibra duas frentes sensíveis: a contratação do novo técnico estrangeiro e a chegada de reforços que interessem a qualquer profissional que assuma o comando. A partida contra o Itabirito, em Nova Lima, serve como vitrine do estágio atual da equipe e de como o elenco responde, em campo, às movimentações de bastidor. A janela ainda oferece tempo para ajustes, mas a pergunta que paira sobre Cidade do Galo e Ninho do Urubu é simples: quem se move primeiro sem comprometer o planejamento de toda a temporada?

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