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Ataques russos com mísseis e drones deixam 1 morto em Kiev

Mísseis e drones russos atingem Kiev na noite de 23 de janeiro de 2026, matam uma pessoa e ferem quatro, em um ataque que ocorre horas após o fim das negociações trilaterais entre Estados Unidos, Rússia e Ucrânia em Abu Dhabi.

Ataque em noite de negociações frágeis

A capital ucraniana volta a ouvir o som de explosões enquanto diplomatas ainda avaliam o primeiro dia de conversas para tentar encerrar a guerra. Pouco depois do anúncio de que as delegações voltam à mesa no sábado, 24, Kiev entra em mais uma madrugada sob sirenes e fogo.

O prefeito da cidade, Vitali Klitschko, confirma que uma pessoa morre na capital e quatro ficam feridas. Três delas recebem tratamento em um hospital local. A Força Aérea da Ucrânia relata uma combinação de mísseis e drones direcionados à capital e afirma que as defesas aéreas são acionadas para tentar conter a ofensiva.

Klitschko descreve incêndios em bairros de ambos os lados do rio Dnipro, que corta Kiev de norte a sul. “As greves provocaram incêndios em bairros de ambos os lados do rio Dnipro”, afirma o prefeito, em comunicado. Ele diz que o fornecimento de água e aquecimento é interrompido em partes da cidade a leste do rio, justamente na região que concentra muitos prédios residenciais.

Jornalistas estrangeiros baseados em Kiev relatam várias explosões durante a noite, enquanto moradores buscam abrigo em estações de metrô e porões adaptados desde o início da invasão russa em 2022. O cenário lembra fases mais intensas do conflito, quando a capital vira alvo frequente de ataques aéreos.

Capital sob pressão e impacto na vida cotidiana

O novo bombardeio atinge Kiev em pleno inverno no Hemisfério Norte, quando a dependência de aquecimento e água encanada é vital para a rotina de milhões de pessoas. Em alguns bairros a leste do Dnipro, famílias relatam a perda súbita de calefação durante a madrugada, enquanto a temperatura despenca fora dos prédios.

Os serviços de emergência trabalham para conter as chamas e restabelecer o fornecimento básico. Equipes de bombeiros circulam por ruas sem iluminação adequada, desviando de destroços e vidros quebrados. Hospitais reforçam plantões e preparam geradores para eventuais quedas de energia. O ataque, embora mais limitado em número de vítimas do que grandes ofensivas anteriores, volta a expor a vulnerabilidade da infraestrutura civil ucraniana.

Desde o início da guerra, alvos como usinas de energia, estações de bombeamento de água e redes de aquecimento de distrito se tornam pontos estratégicos na disputa. A cada novo bombardeio, a população precisa se adaptar a interrupções que podem durar horas ou dias. Em Kiev, autoridades locais tentam equilibrar o discurso de resiliência com o reconhecimento do desgaste acumulado após quase quatro anos de conflito.

O ataque desta sexta-feira à noite também envia um recado simbólico. Ao atingir a capital poucas horas depois de uma rodada inicial de negociações em Abu Dhabi, Moscou reforça, na prática, que mantém a aposta militar enquanto discute possíveis saídas políticas. Para Kiev, a sequência de mísseis e drones em pleno dia de conversas com Washington e Moscou alerta para os limites imediatos de qualquer avanço diplomático.

Negociações em xeque e próximos passos

As conversas em Abu Dhabi envolvem delegações dos Estados Unidos, da Rússia e da Ucrânia e buscam uma estrutura mínima para discutir cessar-fogo e eventuais garantias de segurança. Ao final do primeiro dia, mediadores indicam que as reuniões continuam neste sábado, 24 de janeiro, sem detalhar pontos de convergência ou impasses centrais.

O ataque sobre Kiev tende a complicar ainda mais o clima. Ao longo da guerra, episódios de escalada militar em meio a tentativas de negociação se repetem e costumam alimentar a desconfiança entre as partes. Para a liderança ucraniana, a nova ofensiva reforça o argumento de que qualquer acordo precisa incluir mecanismos claros de verificação e resposta rápida a violações.

No terreno, a prioridade imediata é restabelecer serviços e garantir abrigo para moradores afetados, enquanto as defesas aéreas seguem em alerta para novas ondas de mísseis e drones. Na arena diplomática, o ataque aumenta a pressão sobre Washington e aliados europeus para manter o apoio militar e financeiro a Kiev, mesmo diante da fadiga internacional com um conflito prolongado.

A continuidade das reuniões em Abu Dhabi indica que há, ao menos por ora, disposição formal de manter o diálogo. A sequência de explosões na capital ucraniana, porém, deixa uma pergunta central sem resposta: até que ponto as armas permitem que a política avance?

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