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Ataques israelenses no Líbano deixam mais de 70 mortos e 437 feridos

Ataques aéreos israelenses atingem cidades do Líbano ao longo da semana, deixam mais de 70 mortos e 437 feridos e acentuam o risco de uma nova frente de guerra.

Bombardeios em áreas civis e escalada na fronteira

O episódio mais letal ocorre nesta quarta-feira (4), em Baalbek, no leste do Líbano. Um prédio residencial de quatro andares desaba após ser atingido por um ataque israelense, segundo a mídia estatal libanesa. Seis pessoas morrem sob os escombros, de acordo com a defesa civil local, enquanto equipes de resgate procuram sobreviventes entre blocos de concreto e fios retorcidos.

O prefeito de Baalbek, Ahmed Zuhair al-Tufayli, classifica o episódio como um massacre. “Estamos enfrentando um inimigo que pratica a criminalidade com ou sem motivo, e este complexo residencial onde o inimigo cometeu um massacre abriga apenas famílias civis”, afirma, segundo a mídia estatal. A cena, descrita por moradores, mistura poeira, sirenes e o som constante de drones no céu.

Os bombardeios não se concentram apenas no leste do país. Ao longo da semana, ataques israelenses atingem também áreas de Beirute e outras regiões do Líbano, em resposta ao lançamento de projéteis pelo Hezbollah contra o território israelense na segunda-feira (2). Sirenes de alerta soam em cidades do norte de Israel, enquanto o governo em Tel Aviv promete uma reação “contundente” contra o grupo apoiado pelo Irã.

O Ministério da Saúde do Líbano informa que mais de 437 pessoas ficam feridas desde o início da nova onda de ataques. Hospitais já pressionados pela crise econômica libanesa recebem, em poucas horas, dezenas de feridos com queimaduras, fraturas e estilhaços. Médicos relatam falta de analgésicos, leitos e equipamentos básicos em unidades públicas e privadas.

Hezbollah reage, Israel amplia operações e população paga o preço

O Hezbollah assume a autoria de lançamentos de projéteis contra Israel no começo da semana e afirma que age em solidariedade a aliados na região. Israel responde com o que descreve como ataques a posições militares e depósitos de armamentos no território libanês. Na prática, parte dos alvos fica em áreas densamente povoadas, onde prédios residenciais dividem quarteirões com escritórios, lojas e pequenas bases do grupo.

Os números oficiais apontam mais de 70 mortos no Líbano desde a intensificação dos bombardeios, entre combatentes e civis. O Ministério da Saúde não divulga um recorte detalhado das vítimas, mas autoridades locais alertam para o crescimento do número de mortos entre moradores que não têm ligação direta com grupos armados. Em bairros populares, famílias começam a deixar suas casas por medo de novos ataques noturnos.

A escalada ocorre em um país que já atravessa uma das piores crises econômicas de sua história recente. Desde 2019, a moeda libanesa perde mais de 90% do valor, bancos impõem limites de saque e o preço de alimentos básicos dispara. Os novos ataques destroem imóveis, comércios e infraestrutura urbana em cidades que ainda somam prejuízos de conflitos anteriores, inclusive os choques transfronteiriços com Israel desde 2023.

Analistas ouvidos por veículos internacionais apontam que a atual rodada de confrontos amplia o risco de um conflito aberto em duas frentes para Israel, envolvendo Gaza e Líbano. Para o Hezbollah, apoiado e financiado pelo Irã, a ofensiva representa a chance de reforçar seu discurso de resistência, mas cobra um preço alto da população libanesa, que vê o país mais uma vez transformado em palco de disputa regional.

Nas ruas de Baalbek e de bairros ao sul de Beirute, o impacto é imediato. Escolas suspendem aulas presenciais, comerciantes reduzem horários de funcionamento e famílias improvisam abrigos em porões. Organizações humanitárias locais relatam dificuldade para deslocar equipes por causa do risco de novos ataques e da destruição de estradas secundárias.

Pressão internacional, risco de guerra ampliada e incertezas

Governos estrangeiros e organismos internacionais acompanham a escalada com preocupação. Diplomatas em Beirute e em Tel Aviv falam, em caráter reservado, em risco real de abertura de uma frente de guerra mais ampla no norte de Israel caso os ataques e contra-ataques se prolonguem nas próximas semanas. Qualquer mudança significativa na postura do Hezbollah pode provocar uma reação em cadeia que envolva diretamente o Irã e outras potências regionais.

No Líbano, a crise política interna reduz a capacidade de resposta do Estado. O país enfrenta sucessivos impasses para formação de governo, tem instituições fragilizadas e depende cada vez mais de apoio externo para manter serviços básicos. Bombardeios sobre áreas residenciais, como o prédio de quatro andares em Baalbek, agravam o quadro humanitário e podem acelerar uma nova onda migratória em direção à Europa e a países vizinhos.

Israel sinaliza que não pretende recuar enquanto persistirem lançamentos de projéteis a partir do território libanês. O Hezbollah, por sua vez, indica que encara os ataques como parte de uma “batalha prolongada” contra Israel. Entre essas posições, civis em Baalbek, Beirute e outras cidades tentam calcular até onde vai a destruição antes que algum tipo de cessar-fogo seja negociado.

Diplomatas discutem possíveis resoluções no Conselho de Segurança da ONU, enquanto chancelerias avaliam sanções, mediação e missões de observação. Nenhuma proposta concreta de trégua ganha força até agora. A cada novo ataque, cresce a dúvida no Líbano e fora dele: em qual momento a pressão internacional será suficiente para interromper uma escalada que já deixa mortos, feridos e uma população inteira em suspenso?

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