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Ataque israelense mata reitor e professor em universidade no Líbano

Um ataque israelense atinge o campus da Universidade Libanesa em Hadath e mata o reitor da faculdade de ciências, Houssein Bazzi, e o professor Mortada Srour. O bombardeio ocorre em 12 de março de 2026, em meio à escalada de ataques de Israel na região de Beirute.

Universidade sob fogo em meio à escalada do conflito

O ataque atinge diretamente o pátio externo da universidade, onde os dois acadêmicos circulam no início da tarde. O Conselho de Ministros do Líbano confirma as mortes e aponta Israel como responsável pela ação militar. A Agência Nacional de Notícias do país relata que Bazzi e Srour estão em área aberta do campus quando o disparo atinge o local.

O episódio transforma um espaço de pesquisa e ensino em cena de guerra e amplia a sensação de vulnerabilidade entre estudantes, professores e funcionários. A ofensiva ocorre enquanto Israel mantém uma série de bombardeios em Beirute e arredores, dentro de uma campanha mais ampla contra alvos no território libanês. Horas antes, as Forças de Defesa de Israel informam ter realizado ataques na capital, mas não detalham alvos acadêmicos.

Mortes em alta e alerta sobre possíveis crimes de guerra

O governo libanês reage com rapidez. O primeiro-ministro Nawaf Salam condena o que chama de ataque à universidade e afirma que a ação viola leis internacionais que proíbem ataques a instituições de ensino. “Trata-se de uma violação clara das normas que protegem escolas e universidades em tempos de guerra”, declara, em comunicado oficial, ao enviar condolências às famílias, alunos e colegas de Bazzi e Srour.

Os números divulgados pelo Ministério da Informação ajudam a dimensionar o impacto da campanha militar em curso. Desde o início dos ataques israelenses ao Líbano, o total de mortos chega a 687 pessoas, incluindo 98 crianças. Entre as vítimas estão ainda 15 médicos e socorristas, enquanto outros 45 ficam feridos, o que expõe a fragilidade da rede de saúde em meio à escalada. O ataque ao campus, que fere diretamente a comunidade acadêmica, soma-se a esse quadro de colapso humanitário.

Especialistas em direito internacional ouvidos por organizações locais classificam o episódio como potencial crime de guerra, caso se comprove que a universidade não abriga alvos militares. A legislação humanitária, consolidada em convenções como a de Genebra, determina proteção especial a civis, infraestrutura de saúde e instituições de ensino. O fato de duas figuras centrais da vida acadêmica libanesa morrerem em um pátio universitário reforça a percepção de que o conflito ultrapassa fronteiras militares tradicionais.

Impacto para a educação e pressão internacional por cessar-fogo

Na Universidade Libanesa, a morte de Houssein Bazzi e Mortada Srour representa mais que a perda de dois professores. O reitor da faculdade de ciências atua na expansão de projetos de pesquisa em parceria com instituições estrangeiras, enquanto Srour participa da formação de novas gerações de cientistas. Colegas descrevem, em depoimentos a veículos locais, uma mistura de luto e medo. Aulas são suspensas, e muitos alunos deixam o campus às pressas após o ataque.

A violência contra uma instituição pública de ensino aumenta a pressão sobre o governo libanês para reforçar a proteção de escolas e universidades em todo o país. Organizações acadêmicas internacionais emitem notas de solidariedade e pedem investigação independente sobre o episódio. A comunidade científica teme um êxodo de pesquisadores e estudantes, à medida que laboratórios e salas de aula se tornam alvos potenciais em zonas de conflito.

O ataque também repercute em outras frentes da crise regional. Enquanto Israel mantém operações aéreas em território libanês, o Irã ameaça queimar estruturas de petróleo e gás na região se for atacado diretamente, elevando o risco de desabastecimento energético. No Golfo Pérsico, um petroleiro pega fogo próximo ao Iraque após novos ataques, reforçando o clima de instabilidade. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirma que o Irã “não é mais o mesmo” após ações conjuntas de Estados Unidos e Israel, sinalizando pouco espaço para recuo imediato.

Próximos passos e incertezas no front diplomático

A CNN entra em contato com as Forças de Defesa de Israel para comentar especificamente o ataque à Universidade Libanesa em Hadath, mas ainda não obtém resposta formal. Em comunicados anteriores, o Exército israelense diz mirar apenas infraestruturas ligadas a grupos armados e acusa adversários de usar áreas civis como escudo. A versão oficial, porém, é contestada por autoridades libanesas, que insistem na condição civil do campus atingido.

Diplomatas em Beirute e em capitais europeias discutem a possibilidade de levar o caso a fóruns internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU e o Tribunal Penal Internacional. Organizações de direitos humanos coletam imagens, depoimentos e registros de radar para tentar reconstituir a dinâmica do bombardeio de 12 de março de 2026. O futuro imediato da comunidade acadêmica libanesa passa a depender não só da segurança física de seus campi, mas também da capacidade de a diplomacia impor limites ao uso da força. A pergunta que se impõe, em meio a 687 mortos e uma universidade em luto, é se algum mecanismo internacional ainda consegue frear ataques contra civis antes que o número de vítimas cresça ainda mais.

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