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Assessor iraniano ameaça Trump em meio a ofensiva dos EUA contra o Irã

O assessor de segurança iraniano Ali Larijani ameaça Donald Trump e diz que o presidente dos Estados Unidos deve “ter cuidado para não ser eliminado”. A declaração ocorre nesta terça-feira, 10 de março de 2026, em meio à intensificação dos ataques militares americanos contra o Irã. A troca de ameaças eleva o risco de um confronto ainda mais amplo no Oriente Médio.

Escalada verbal acompanha maior ofensiva contra o Irã em anos

Larijani reage a uma fala recente de Trump, que promete ataques “20 vezes” mais intensos caso Teerã tente interromper o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo negociado no mundo. Em mensagem publicada no X, rede antes conhecida como Twitter, o assessor diz que o Irã “não teme suas ameaças vazias” e cita as acusações antigas de que Teerã teria planejado atentados contra o presidente americano. O tom pessoal da resposta transforma uma disputa estratégica em confronto direto entre líderes, enquanto caças e mísseis já operam em campo.

O governo dos Estados Unidos conduz, desde o fim de semana, uma campanha aérea e naval para atingir infraestrutura militar iraniana. Autoridades em Washington afirmam que a prioridade é impedir qualquer bloqueio ao Estreito de Ormuz e reduzir de forma duradoura a capacidade de ataque de Teerã. A operação ocorre em paralelo à guerra de Israel contra o Irã e seus aliados na região, o que faz da crise atual um dos pontos mais tensos no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003.

Ofensiva atinge mais de 5 mil alvos e 50 navios iranianos

Em coletiva no Pentágono, o secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, descreve esta terça-feira como “outra vez, o dia mais intenso de ataques contra o Irã”. Segundo ele, a campanha já destrói mais de 5 mil alvos militares, entre bases de lançamento de mísseis, depósitos de munição e centros de comando. Hegseth afirma que “os objetivos são destruir mísseis e a base industrial de defesa” e que “outro objetivo é destruir a marinha do Irã”.

O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, detalha que mais de 50 navios iranianos são afundados ou seriamente danificados até agora, incluindo embarcações usadas para lançar minas marítimas. Segundo ele, as forças americanas continuam a atacar barcos menores, considerados essenciais para uma eventual tentativa de fechar o estreito. Caine reconhece que o Irã mantém capacidade de combate, mas afirma que o país “não é mais formidável do que pensávamos”.

Hegseth sustenta que o Irã está “desesperado e em apuros” e promete que os Estados Unidos “não descansarão até o inimigo estar completamente derrotado”. Ele afirma que o número de mísseis disparados por Teerã nas últimas 24 horas é o menor desde o início da operação e vê nesse dado um sinal de desgaste. Ao mesmo tempo, o secretário envia um recado direto ao novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei: segundo ele, o dirigente “será inteligente se ouvir as palavras de Donald Trump” de que o país não pode ter uma arma nuclear.

Mercado de petróleo, aliados e risco nuclear entram na conta

A escalada atinge em cheio o mercado global de energia. Investidores monitoram qualquer ameaça ao Estreito de Ormuz, ponto de passagem obrigatório para navios que transportam petróleo da Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e outros produtores do Golfo Pérsico. Uma interrupção parcial do fluxo já seria suficiente para pressionar preços e alimentar inflação em economias dependentes de energia importada, como União Europeia e parte da Ásia. Analistas lembram que choques anteriores, como a Revolução Iraniana em 1979 e a guerra Irã-Iraque nos anos 1980, provocam disparadas nos preços do barril e recessões em cadeia.

A nova rodada de bombardeios também tensiona alianças tradicionais. Países europeus que apoiam, em tese, a contenção do programa nuclear iraniano se veem pressionados por opiniões públicas cansadas de conflitos no Oriente Médio. A Rússia e a China exploram o desgaste, criticam a ofensiva e tentam se apresentar como alternativas diplomáticas para Teerã. No mundo árabe, governos que mantêm diálogo discreto com Washington enfrentam o dilema de apoiar a contenção do Irã sem se associar a uma guerra aberta ao lado de Israel.

A questão nuclear segue como fio condutor da crise. Desde a saída dos Estados Unidos do acordo de 2015, o Irã acelera o enriquecimento de urânio e reduz o acesso de inspetores internacionais. O avanço técnico não se traduz, por ora, em confirmação de uma bomba pronta, mas aumenta a percepção de que o país está mais perto de ter essa capacidade. A combinação entre ataques maciços, ameaça direta ao presidente americano e ambiguidade nuclear alimenta o temor de um erro de cálculo capaz de levar a uma guerra regional envolvendo potências com arsenais atômicos.

Próximas semanas definem rumo da crise no Estreito de Ormuz

Diplomatas em capitais ocidentais e no Golfo avaliam que as próximas semanas serão decisivas para saber se a ofensiva americana se limita a degradar a capacidade militar iraniana ou abre caminho para um conflito mais duradouro. O ritmo dos ataques, a resposta de Teerã e qualquer movimento em direção ao fechamento do Estreito de Ormuz serão acompanhados quase em tempo real pelos mercados e por governos dependentes do petróleo da região.

No Irã, Mojtaba Khamenei enfrenta o primeiro grande teste desde que assume o posto de líder supremo, substituindo o pai, Ali Khamenei. Ele precisa equilibrar a pressão interna por uma reação firme com o risco de ver o país isolado e economicamente estrangulado. Em Washington, Trump aposta que a demonstração de força reforça sua imagem em ano eleitoral, mas assume o risco de se tornar, ele próprio, parte da escalada quando um assessor iraniano o manda “ter cuidado para não ser eliminado”. A resposta que vier das próximas baterias de mísseis e das reuniões diplomáticas a portas fechadas dirá se a região caminha para uma trégua negociada ou para um confronto sem data para terminar.

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