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Assessor de Vini Jr. e Paquetá é baleado em tentativa de assalto no Rio

O assessor dos jogadores Vini Jr. e Lucas Paquetá, Eduardo Peixoto, é baleado na noite de quinta-feira (5) durante uma tentativa de assalto no Rio de Janeiro. O ataque ocorre enquanto ele caminhava na rua e reacende o alerta sobre a escalada da violência urbana na cidade.

Violência atinge bastidores do futebol de elite

O crime envolve um personagem que costuma circular longe dos holofotes, mas é peça-chave na rotina de dois dos principais nomes do futebol brasileiro na Europa. Aos 30 e poucos anos, habituado a dividir o tempo entre viagens internacionais e reuniões com clubes, Eduardo retorna ao Rio para alguns dias de trabalho quando é surpreendido pelos assaltantes.

Ele está na rua, em área de movimento, quando é abordado por criminosos armados que tentam levar seus pertences. A reação exata ainda é apurada, mas o desfecho é imediato: tiros são disparados e um deles atinge o assessor. Moradores chamam o socorro e policiais de uma unidade próxima chegam em poucos minutos, segundo relatos colhidos pela reportagem. Eduardo é levado a um hospital da cidade, onde recebe atendimento emergencial.

O episódio se soma a uma sequência de ataques recentes contra motoristas, entregadores e pedestres, muitos registrados em vídeo e compartilhados em redes sociais. A vitimização de alguém ligado diretamente a ídolos globais amplia o alcance do caso, que rapidamente se torna tema em perfis de torcedores, páginas especializadas em futebol e veículos esportivos de alcance nacional.

Segurança pública no Rio volta ao centro do debate

A tentativa de assalto e o baleamento de Eduardo reforçam a sensação de vulnerabilidade em uma cidade que registra, há anos, índices elevados de violência letal. Dados do Instituto de Segurança Pública apontam que, em 2023, mais de 1,3 mil roubos de rua são registrados em média por mês apenas na capital, somando assaltos a pedestres, em pontos de ônibus e calçadas como a que o assessor atravessa na quinta-feira.

Especialistas em segurança ouvidos pela reportagem avaliam que a exposição de figuras associadas ao esporte, mesmo quando não são celebridades, as torna alvo preferencial. “Qualquer um que transita nesse entorno de grandes atletas é percebido como alguém com bens de alto valor ou acesso a informações sensíveis”, afirma um pesquisador da área, sob reserva. A proximidade com jogadores que movimentam contratos milionários, contratos que facilmente superam a casa dos R$ 50 milhões anuais, amplia a preocupação com esquemas de proteção pessoal.

Em grupos de torcedores, a notícia desperta indignação e medo. Muitos lembram que, nos últimos anos, familiares de atletas e dirigentes também já sofrem tentativas de sequestro relâmpago e assaltos em diferentes bairros do Rio. O caso de Eduardo não envolve resgate nem planejamento sofisticado, mas escancara a rotina de risco que acompanha da periferia aos bairros de classe média alta.

Dentro dos clubes, dirigentes passam a discutir, de forma mais direta, protocolos de segurança não apenas para jogadores, mas para agentes, assessores e funcionários estratégicos. A avaliação é que a linha que separa o entorno profissional de um atleta e sua vida privada se torna mais tênue à medida que a fama cresce e a exposição digital aumenta.

Pressão por respostas e próximos passos da investigação

O caso mobiliza a polícia fluminense, que abre inquérito para identificar os criminosos e reconstruir minuto a minuto a abordagem da noite de quinta. Investigadores analisam imagens de câmeras de segurança de comércios e condomínios próximos ao local, na tentativa de mapear a rota de fuga dos assaltantes. A expectativa é que os primeiros laudos técnicos, incluindo balística, fiquem prontos em até 30 dias, prazo padrão para esse tipo de perícia.

Dentro e fora do meio esportivo, cresce a cobrança por medidas concretas. Operações pontuais e reforço de patrulhamento em datas específicas são considerados insuficientes por especialistas, que pedem planejamento contínuo em áreas de maior incidência de roubos, com metas públicas de redução e fiscalização transparente dos resultados. “Casos como o do assessor repercutem porque tocam o futebol, mas a rotina de violência atinge diariamente milhares de anônimos”, observa um sociólogo que estuda o tema há mais de 20 anos.

A repercussão internacional também entra no radar. Vini Jr., que hoje atua em um dos maiores clubes da Europa, e Paquetá, destaque na Inglaterra, têm contratos que projetam suas imagens para dezenas de países. Qualquer sinal de risco à integridade de pessoas de sua confiança pesa em decisões futuras, de férias no Brasil a investimentos em projetos sociais no Rio, que dependem de presença física.

Enquanto a investigação avança, a pergunta que permanece em aberto é se o caso de Eduardo terá força para provocar mudanças duradouras na política de segurança do Rio ou se será engolido pela estatística de mais um crime violento em uma cidade que se acostuma a viver sob tensão.

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