Ciencia e Tecnologia

As melhores câmeras de celular em 2026, segundo o The Independent

O jornal britânico The Independent publica, em 21 de fevereiro de 2026, uma lista dos smartphones com as melhores câmeras do ano. A seleção, repercutida pelo iG, compara modelos de marcas como Oppo, Samsung, Google, Honor, Nothing e OnePlus. O ranking mira consumidores que tratam o celular como principal ferramenta fotográfica, do uso cotidiano a registros quase profissionais.

Câmera de bolso ganha status de equipamento profissional

O levantamento mostra como a disputa entre fabricantes se concentra cada vez mais na fotografia. Em pouco mais de uma década, o salto é visível: imagens lavadas, com ruído e baixa resolução dão lugar a arquivos que disputam espaço com câmeras dedicadas em álbuns de viagem, ensaios informais e até trabalhos comerciais. O foco agora recai menos sobre a contagem de megapixels e mais sobre como o software interpreta luz, cor e textura.

Na faixa premium, o destaque do relatório é o Oppo Find X9 Pro. O aparelho combina tela AMOLED de 6,78 polegadas, processador MediaTek Dimensity 9500 e bateria de silício-carbono de 7.500 mAh, números que sustentam o uso intenso de recursos fotográficos ao longo do dia. O conjunto de três câmeras traseiras prioriza cores vibrantes e alto nível de detalhe, sobretudo em retratos, aproximando o resultado do que se espera de câmeras profissionais em sessões rápidas.

Oppo aposta em algoritmos agressivos de processamento para manter contraste e saturação sob controle. Em ambientes de pouca luz, o foco automático às vezes demora frações de segundo a mais do que rivais, algo perceptível em cenas com pessoas em movimento. O The Independent, porém, considera o pacote fotográfico um dos mais completos entre os topos de linha disponíveis em 2026, com margem para competir de igual para igual com nomes mais conhecidos do público brasileiro.

Quando preço e câmera entram no mesmo quadro

No grupo de modelos com melhor equilíbrio entre custo e desempenho, quem avança é a Nothing, com o CMF Phone 2 Pro. O aparelho se destaca em 2026 por oferecer lente telefoto com zoom óptico de 2x em uma faixa de preço em que essa funcionalidade ainda é rara. Isso permite aproximar o sujeito da foto sem recorrer ao zoom digital, que costuma destruir detalhes e gerar imagens embaçadas.

A câmera principal de 50 megapixels entrega cores naturais e boa nitidez, suficiente para impressões em tamanho médio e publicações nas redes sociais sem perda visível. A lente ultra-angular de 8 megapixels cumpre seu papel em fotos de paisagens e ambientes internos, mas perde definição em cortes mais agressivos. Pelo conjunto, o CMF Phone 2 Pro surge como porta de entrada para quem quer experimentar recursos avançados sem pagar preços do topo da cadeia.

No extremo oposto da planilha de preços aparece o Samsung Galaxy S25 Ultra, pensado para quem aceita pagar mais por versatilidade máxima. O modelo traz quatro câmeras traseiras, com sensor principal de 200 megapixels e lente periscópica de 50 megapixels, que oferece zoom óptico de 5x e ainda mantém detalhes em fachadas distantes, palcos e arquibancadas. O zoom digital de até 100x, apoiado por inteligência artificial, continua mais útil para curiosidade do que para impressão, mas o avanço em estabilização e redução de ruído torna o recurso menos “brincadeira” do que em gerações anteriores.

O Galaxy S25 Ultra roda a One UI 7, interface que renova ícones, menus e traz navegação mais fluida, além de ferramentas de edição baseadas em inteligência artificial. O pacote, no entanto, cobra o seu preço: o carregamento com fio de 45 watts soa tímido diante de rivais chineses que já ultrapassam 100 watts, e o valor final pesa ainda mais para usuários que não exploram a S Pen, caneta que acompanha o modelo e continua voltada a um nicho de produtividade e desenho.

Na fotografia noturna, a lista coloca o Honor Magic 8 Pro em posição de destaque. O aparelho usa o Snapdragon 8 Elite Gen 5 para sustentar processamento intenso em cenas de baixa luz, com fotos que mantêm cores vivas e texturas de pele mais naturais, sem exageros em clareamento. Fachadas mal iluminadas, interiores de bares e shows ganham definição que, há poucos anos, ficava restrita a câmeras com sensores grandes e lentes luminosas. Em troca, o usuário convive com a interface MagicOS, baseada em Android, que ainda divide opiniões pela falta de fluidez em comparação com rivais mais polidos.

Software vira o novo diferencial das melhores câmeras

O relatório também reforça a estratégia do Google de apostar menos em números e mais em matemática. No Pixel 10 Pro, a marca mantém sensores discretos no papel, mas extrai deles o máximo por meio de fotografia computacional. O celular aplica, em frações de segundo, correções de cor, ajustes de contraste e combinação de múltiplos frames para reduzir ruído, o que garante fotos consistentes em praticamente qualquer cenário, do contra-luz ao céu nublado.

O modo retrato do Pixel 10 Pro recebe atenção especial do The Independent, com destaque para tons de pele equilibrados e recorte preciso de cabelos e contornos. O Pixelsnap, sistema magnético que conecta acessórios fotográficos na traseira, amplia o apelo para criadores de conteúdo que dependem de luz extra e microfones externos. O compromisso com atualizações prolongadas de software e segurança empurra o ciclo de uso para além de quatro anos, mas o salto de qualidade em relação ao Pixel 9 Pro é descrito como discreto, o que pode desanimar quem pensa em troca imediata.

Entre os aparelhos focados em redes sociais, o OnePlus Nord 5 assume o posto de referência em selfies. A câmera frontal de 50 megapixels prioriza cores vivas e alta nitidez em ambientes bem iluminados, entregando imagens prontas para publicação sem grandes edições. Em cenários noturnos, o próprio painel do aparelho funciona como uma espécie de iluminação de estúdio improvisada, recurso que ajuda a salvar detalhes de rosto em festas, shows e restaurantes com luz baixa.

Na traseira, o Nord 5 mantém uma câmera principal de 50 megapixels, com desempenho confiável no dia a dia, e uma ultra-angular de 8 megapixels, limitada em detalhes quando o usuário amplia demais a imagem. O OxygenOS, interface da marca, e o Snapdragon 8s de terceira geração dão conta de aplicativos de edição, gravação de vídeo em alta resolução e compartilhamento constante, sem travamentos evidentes na faixa de preço do aparelho.

Consumidor mais exigente força nova corrida por inovação

A lista do The Independent chega a um mercado saturado em número de modelos, mas ainda carente de referências claras para quem quer usar o celular como câmera principal. As recomendações funcionam como um mapa para perfis diferentes: o usuário que prioriza fotos noturnas tende a olhar para o Honor Magic 8 Pro, enquanto quem trabalha com produção de conteúdo móvel enxerga no Pixel 10 Pro e no Galaxy S25 Ultra plataformas mais completas. Quem busca equilíbrio entre orçamento e recursos mira o CMF Phone 2 Pro e o OnePlus Nord 5.

O impacto direto recai sobre a estratégia das fabricantes. Um relatório favorável de um veículo estrangeiro com credibilidade, replicado por portais locais como o iG, influencia vitrines, campanhas e até acordos com operadoras. A pressão por mais alcance óptico, melhor desempenho em baixa luz e softwares de edição integrados força empresas menores a acelerar investimentos, sob risco de ver seus modelos sumirem das recomendações especializadas em 2027.

Para o consumidor, a mensagem é clara: a diferença entre aparelhos caros e intermediários diminui na ficha técnica, mas segue relevante no resultado final da foto. O desafio agora é separar o que é uso real do que é demonstração de marketing. A fotografia móvel entra em uma fase em que a escolha não depende só de megapixels, mas de como cada marca interpreta o mundo diante da lente.

A nova safra de celulares topo de linha e intermediários avançados antecipa uma disputa ainda mais intensa nos próximos ciclos de lançamento. Fabricantes já testam sensores maiores, zoom óptico acima de 5x em faixas mais baratas e integrações mais profundas com inteligência artificial generativa para edição quase instantânea. A próxima lista de melhores câmeras, em 2027, deve responder a uma pergunta central que permanece aberta agora: até onde o celular consegue ir antes de, de fato, substituir a câmera dedicada para a maioria das pessoas.

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