Arte com Cartola e Jorge Ben Jor rende reação positiva antes do Fla-Flu
O Flamengo provoca uma trégua rara na rivalidade com o Fluminense ao publicar, neste domingo (25), uma arte com Cartola e Jorge Ben Jor antes do Fla-Flu no Maracanã. A iniciativa, que homenageia ídolos das duas arquibancadas, desperta elogios sobretudo entre tricolores nas redes sociais.
Respeito antes da bola rolar
O primeiro Fla-Flu de 2026 ainda não começa no apito, mas na tela do celular. A poucas horas do clássico válido pela quarta rodada do Campeonato Carioca, marcado para as 18h, o perfil oficial do Flamengo publica uma ilustração que coloca lado a lado Cartola, símbolo eterno da alma tricolor, e Jorge Ben Jor, figura associada à irreverência rubro-negra.
A imagem rompe a lógica habitual de provocações que costumam aquecer o duelo. Em vez de memes ou cutucadas, o clube opta por exaltar personagens que ajudaram a construir o imaginário do futebol carioca. Cartola, torcedor confesso do Fluminense, e Jorge Ben Jor, presença constante na narrativa rubro-negra, aparecem como representantes de uma rivalidade que também se faz de música e afeto.
A reação é imediata. Comentários de torcedores do Fluminense tomam conta da publicação. Entre elogios ao gesto e brincadeiras sobre uma improvável “contratação” do compositor tricolor pelo rival, o tom predominante é de surpresa positiva. “Isso é respeito à história do Rio”, escreve um torcedor. Outro sintetiza o sentimento de parte da arquibancada: “Desse jeito até dá vontade de elogiar o Flamengo”.
O movimento ganha ainda mais peso porque acontece na véspera de um Fla-Flu que vale mais do que três pontos. O Campeonato Carioca ainda está na fase inicial, mas os dois clubes usam o clássico como termômetro para 2026. O Flamengo chega como atual campeão do Brasileirão, da Libertadores e do próprio Carioca, além de carregar vantagem recente no confronto direto: cinco vitórias, três empates e duas derrotas nos últimos dez jogos.
Clássico em clima de arquibancada cheia e rede inflada
O Fluminense desembarca no Maracanã embalado pela vitória por 3 a 2 sobre o Nova Iguaçu, conquistada com dois gols de Servena e um de Everaldo. O resultado leva o time à vice-liderança do Grupo A, com seis pontos, e reforça a decisão de colocar em campo a equipe principal já neste início de temporada. O discurso interno é de usar o Fla-Flu como vitrine e teste de maturidade.
Do outro lado, o Flamengo vem de um 1 a 0 sobre o Vasco, seu primeiro triunfo no estadual. Após experimentar uma formação com muitos jogadores do sub-20, o clube recorre a atletas mais experientes diante da ameaça, ainda distante, de se complicar na tabela. A tendência é que o técnico mantenha o time principal contra o Fluminense, transformando o clássico em prévia de campeonatos que ainda virão ao longo do ano.
O contexto fora de campo também pesa. O nome de Lucas Paquetá volta ao noticiário rubro-negro após a vitória do West Ham, reacendendo discussões sobre uma eventual compra. A diretoria do Flamengo, que avalia o investimento para 2026, observa a movimentação da torcida nas redes, onde a palavra “problema” aparece com frequência em debates sobre o futuro do meia. A homenagem com Cartola e Jorge Ben Jor entra nesse mesmo fluxo digital, mas em tom bem mais leve.
A valorização de símbolos culturais cariocas reforça uma imagem de clube atento à própria história e à dos rivais. No futebol feminino, o Flamengo também tenta consolidar esse discurso. A renovação da meia Djeni até 2027, com a jogadora assumindo a braçadeira de capitã, é tratada internamente como aposta em continuidade e identidade. A comunicação que antecede o Fla-Flu procura amarrar essas frentes, do gramado masculino às arquibancadas e às redes.
Executivos de marketing ouvidos reservadamente veem na publicação um modelo de ação que reduz a temperatura da rivalidade sem esvaziar o clássico. O post gera engajamento orgânico, aproxima o clube de perfis tricolores e amplia o alcance da marca Flamengo para além da própria bolha. Em um ambiente de redes dominado por brigas, a imagem com Cartola e Jorge Ben Jor funciona como contraponto calculado.
Rivalidade aquecida, violência em xeque
O impacto prático da iniciativa ainda é difícil de medir, mas os sinais são claros. A homenagem impulsiona a visibilidade do Fla-Flu na abertura do Cariocão, interessa a patrocinadores e plataformas de apostas e, sobretudo, ajuda a ditar o clima nas arquibancadas. Casas de apostas usam o clássico como chamariz e estampam promoções específicas, sempre acompanhadas do alerta obrigatório: participação apenas para maiores de 18 anos e jogo responsável.
Para os clubes, o ganho é simbólico e econômico. Um Fla-Flu com menos tensão fora de campo tende a manter alta a média de público, atrair famílias e reduzir riscos de confusão nos acessos ao Maracanã. A rivalidade continua acesa dentro das quatro linhas, onde o Flamengo tenta sustentar a hegemonia recente e o Fluminense busca quebrar a sequência e afirmar que pode disputar títulos em 2026.
Especialistas em segurança de eventos esportivos apontam que gestos públicos de respeito entre rivais ajudam a desarmar narrativas de ódio que circulam em grupos de torcedores organizados. A presença de ícones culturais como Cartola, que morreu em 1980, e Jorge Ben Jor, ainda em atividade, transporta o debate para um território afetivo, distante da lógica de confronto físico.
Nas redes, a conversa se desloca do “nós contra eles” tradicional para uma nostalgia compartilhada. Vídeos antigos, trechos de músicas e lembranças de jogos históricos entram na linha do tempo ao lado da arte do Flamengo. A rivalidade deixa de ser apenas estatística, mesmo com as cinco vitórias rubro-negras em dez jogos recentes, e volta a ser também narrativa.
O desafio é saber se a trégua virtual resiste aos 90 minutos. Um gol cedo, uma expulsão polêmica ou uma decisão de arbitragem contestada podem reacender o tom bélico em segundos. A publicação, porém, estabelece uma base: mostra que é possível disputar título, pontos e prestígio sem anular o respeito pelo outro lado.
O que o Fla-Flu de hoje projeta para 2026
O clássico deste domingo funciona como vitrine da temporada que os dois clubes querem construir. O Fluminense, com seis pontos e vice-líder de seu grupo, tenta provar que pode competir de igual para igual contra um rival que empilha taças nacionais e continentais. O Flamengo, carregando os troféus do Brasileirão, da Libertadores e do Carioca de 2025, usa o jogo como reafirmação de domínio regional.
No campo da comunicação, a arte com Cartola e Jorge Ben Jor pode inaugurar um novo padrão para grandes jogos no Rio. A tendência é que outras datas importantes do calendário, como semifinais e finais, recebam ações semelhantes, com cruzamentos de símbolos e personagens. Um eventual sucesso de audiência e engajamento reforçará a aposta em campanhas que celebrem a cultura do futebol carioca acima da lógica da hostilidade permanente.
Patrocinadores observam o movimento com atenção, de olho em associar suas marcas a um ambiente de rivalidade saudável. A leitura é simples: menos conflito fora do estádio, mais famílias nas arquibancadas, maior disposição para consumo dentro do Maracanã e nas plataformas digitais. A curto prazo, o Fla-Flu deste 25 de janeiro serve como laboratório para medir esse efeito.
O apito inicial no Maracanã vai dizer se a paz ensaiada nas redes sobrevive ao calor do gramado. A arte que une Cartola e Jorge Ben Jor já cumpre um papel, ao lembrar que o Fla-Flu não é só estatística ou provocação, mas também memória, música e pertencimento. Resta saber se os próximos capítulos dessa história seguirão afinados nesse mesmo tom.
