Argentina vence Mauritânia por 2 a 1 em teste antes da Copa
A Argentina vence a Mauritânia por 2 a 1 nesta sexta (27), na Bombonera, em amistoso de preparação para a Copa do Mundo de 2026. Enzo Fernández e Nico Paz marcam no primeiro tempo, e Lionel Messi entra apenas no intervalo.
Vitória com cara de teste e espaço para os mais jovens
O placar confirma o favoritismo argentino, mas o jogo revela mais sobre a fase de testes do que sobre a diferença técnica entre as seleções. Atual campeã mundial, a Argentina usa a noite em Buenos Aires para rodar o elenco, poupar o principal astro e observar alternativas a menos de três meses da estreia no Mundial, marcada para 16 de junho, contra a Argélia, em Kansas City.
Messi começa no banco, como Lionel Scaloni já havia antecipado em coletiva na véspera. O técnico prefere preservar o jogador do Inter Miami, aos 38 anos, e abre espaço para Nico Paz, de 20, um dos destaques do Como, sensação do Campeonato Italiano. O garoto responde com gol, presença ofensiva e personalidade para assumir bolas paradas.
O ambiente na Bombonera mistura festa e expectativa. A torcida canta por Messi desde o aquecimento, mas também reage com carinho ao elenco que conquistou a Copa em 2022 e tenta defender o título em 2026. O amistoso contra a Mauritânia, que nem estará no Mundial, parece modesto no papel, porém cumpre um papel claro: ajustar detalhes, dar ritmo e testar peças em um cenário de cobrança alta e clima de jogo grande.
Gols no primeiro tempo, Messi discreto e Mauritânia em crescimento
Os primeiros minutos mostram uma Argentina com muita posse de bola e pouca profundidade. Em 15 minutos, o time finaliza só uma vez com perigo, em chute bloqueado de Nico Paz. A melhor chance surge em cruzamento de Nico González na pequena área, defendido pelo goleiro Diop.
Aos 16 minutos, a seleção destrava o placar. Thiago Almada gira pelo meio e abre para Nahuel Molina na direita. O lateral chega à linha de fundo e cruza rasteiro. Enzo Fernández, livre na entrada da área, bate firme de primeira e faz 1 a 0. O gol dá tranquilidade e muda o ritmo da partida.
Aos 31, Nico Paz amplia em lance que expõe a fragilidade do goleiro mauritano. O canhoto cobra falta pela direita da área, mirando o canto próximo. Três argentinos posicionados na barreira abaixam no momento certo, a bola quica na frente de Diop e entra no canto. É o primeiro gol do atacante com a camisa da seleção principal e, na prática, o lance que decide o amistoso.
O intervalo marca a entrada de Messi, Mastantuono e Rodrigo De Paul, que substituem Nico Paz, Julián Álvarez e Nico González. A Bombonera explode quando o camisa 10 pisa no gramado, mas o segundo tempo traz mais marcação do que brilho. A Mauritânia sobe as linhas, pressiona a saída de bola e encontra espaços nas costas da defesa argentina.
Aos 17 minutos, Gassama desvia com perigo ao lado do gol após cruzamento na área. Dois minutos depois, Koita solta uma bomba da esquerda e obriga Dibu Martínez a grande defesa, espalmando para o alto. A partir daí, o amistoso deixa de ser treino controlado e se aproxima de jogo competitivo, com a Argentina recuada e os visitantes acreditando no empate.
Scaloni mexe de novo e lança os palmeirenses Giay e Flaco López, além de outras peças, para manter a intensidade. Souleymane Anne quase recompensa a insistência mauritana aos 43, ao invadir a área e bater rasteiro para nova defesa de Dibu. Nos acréscimos, a pressão enfim vira gol: após bola alçada, Yacoub pega mal na sobra, e Jordan Lefort aproveita o rebote para fuzilar e descontar, aos 48 do segundo tempo.
Messi participa pouco das principais jogadas ofensivas. Muito marcado, recua para tentar organizar o jogo, mas encontra pouco movimento à frente. O ídolo parece mais focado em dosar o físico e ajustar o entrosamento com as novas peças do que em protagonizar a noite.
Lesão de Panichelli, vaga em aberto e disputa por espaço
O amistoso também carrega um tom de solidariedade. Antes da bola rolar, os jogadores argentinos entram em campo com camisas com a frase “Força, Joaquín” e uma faixa em apoio a Joaquín Panichelli. Artilheiro da Ligue 1 pelo Strasbourg, o centroavante é cortado da Copa após lesão no joelho direito em treino, na véspera do jogo.
A baixa abre uma disputa imediata no elenco. Scaloni precisa redefinir a hierarquia de centroavantes às vésperas da convocação final para o Mundial. Flaco López ganha minutos, Julián Álvarez segue como referência versátil, e nomes como Simeone se apresentam como alternativa direta para preencher o espaço deixado por Panichelli.
O desempenho de Nico Paz reforça essa sensação de renovação controlada. O jovem do Como responde ao desafio com gol, boa movimentação e personalidade para dividir protagonismo em uma equipe ainda marcada pelos campeões de 2022. Cada minuto em campo vale como argumento para permanecer na lista da Copa.
Do outro lado, a Mauritânia deixa a Bombonera com a sensação de que poderia mais. A seleção africana termina em penúltimo em seu grupo nas Eliminatórias, atrás de Senegal, República Democrática do Congo, Sudão e Togo, e fora da Copa. Mesmo assim, consegue equilibrar o segundo tempo, cria ao menos três chances claras e obriga Dibu a defesas difíceis.
O 2 a 1 ilustra bem o cenário: a Argentina administra a vantagem construída no primeiro tempo, mas permite que um rival de menor expressão ganhe confiança. O resultado não abala a preparação, porém acende um alerta sobre oscilações defensivas e queda de intensidade quando Scaloni mexe demais na estrutura.
Reta final de preparação e próximos testes até o Mundial
A seleção argentina volta à Bombonera já na terça-feira, em novo amistoso contra a Zâmbia. O jogo encerra a série de testes antes da definição final do grupo que viajará aos Estados Unidos, Canadá e México. A comissão técnica trata a sequência como última chance para ajustes finos de sistema, bola parada e encaixes entre veteranos e novatos.
O calendário pesa também sobre Messi. O astro lida com a necessidade de equilibrar minutos em campo, desempenho pelo Inter Miami e pressão por mais uma Copa em alto nível. A atuação discreta contra a Mauritânia não muda a expectativa em torno dele, mas reforça a ideia de que a Argentina precisa ser menos dependente do camisa 10 em 2026 do que foi em 2022.
A estreia em 16 de junho, contra a Argélia, já delimita o horizonte. Scaloni sai da Bombonera com uma vitória, gols de dois meio-campistas em ascensão e um aviso claro de que a margem para erro encolhe a cada amistoso. A noite deixa uma pergunta que acompanhará a seleção até Kansas City: a renovação em curso será suficiente para sustentar o peso de defender o título mundial?
