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Argentina nega pedido de asilo político de Flávio Bolsonaro hoje

Autoridades argentinas afirmam que não há registro de pedido de asilo ou entrada de Flávio Bolsonaro no país.

Argentina nega pedido de asilo político de Flávio Bolsonaro hoje

O governo da Argentina afirmou nesta terça-feira (27) que não há qualquer pedido de asilo político de Flávio Bolsonaro nem registro de entrada do senador no país, em meio à investigação da Polícia Federal brasileira sobre uma possível tentativa de fuga para os Estados Unidos via território argentino.

Flávio Bolsonaro pediu asilo político na Argentina?

Não. “Não existe solicitação de asilo político de Flávio Bolsonaro na Argentina”, disse o porta-voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, em coletiva na Casa Rosada, em Buenos Aires. Segundo ele, os registros oficiais de migração também não indicam a entrada do senador no país.

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O Ministério de Segurança argentino confirmou que não há passagem registrada de Flávio por fronteiras ou aeroportos. A negativa atinge diretamente as especulações de que o ex-candidato à Presidência, derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (25), teria usado a Argentina como rota para escapar de medidas judiciais no Brasil e seguir para os Estados Unidos.

No Brasil, o coordenador-geral da campanha de Flávio, Rogério Marinho, reforçou a versão de que o senador permanece em território nacional. “Flávio Bolsonaro não saiu do país”, afirmou.

PF mira rota via Puerto Iguazú e jato executivo

Apesar da negativa argentina, a Polícia Federal segue apurando informações enviadas por autoridades de Buenos Aires sobre um plano de viagem envolvendo Flávio Bolsonaro. A suspeita é de que ele pudesse ter cruzado a fronteira sem passar por controles tradicionais, usando apenas documento de identidade, para embarcar em um voo privado com destino aos Estados Unidos.

De acordo com dados compartilhados com a PF, uma aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly SA, estava em Puerto Iguazú, na província de Misiones, com decolagem prevista para as 2h da manhã em direção aos EUA. A empresa havia solicitado liberação alfandegária e de imigração para 4 passageiros e 3 tripulantes.

O voo, porém, foi cancelado porque um dos passageiros não apareceu, segundo fontes da Polícia de Segurança Aeroportuária citadas por autoridades locais. Informações do aeroporto e da polícia apontam ainda que não havia plano de voo atrelado oficialmente à família Bolsonaro. A aeronave permanece em Puerto Iguazú, e os pilotos são argentinos.

A Baires Fly SA é alvo de investigações na Argentina por suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a contratos de medicamentos e equipamentos médicos da Agência Nacional de Deficiência (ANDIS). A apuração envolve suspeitas de uso de jatos executivos em operações irregulares, o que levou a PF a acionar o país vizinho para obter mais dados sobre a empresa e seus deslocamentos recentes.

Entenda o contexto

A movimentação policial e diplomática ocorre dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, em que Flávio Bolsonaro, pelo PL do Rio de Janeiro, foi derrotado por Lula. Na segunda-feira (26), o senador relatou ter sido abordado por agentes da PF em Brasília.

Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, seus passaportes foram apreendidos, e ele está proibido de deixar o país. A decisão integra um inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Flávio nega as acusações e afirma ser alvo de intimidação.

Apesar da determinação, ele descumpriu o prazo fixado por Moraes para entregar os passaportes, que se encerrou às 11h desta terça-feira (27). O descumprimento tende a pesar na avaliação de novas medidas cautelares pelo Supremo, caso surjam indícios concretos de tentativa de evasão.

Por que o governo Milei nega o pedido de asilo político de Flávio Bolsonaro?

A negativa do governo Javier Milei se baseia em dois pontos: a ausência de qualquer trâmite formal de asilo e a checagem dos sistemas de fronteira. Segundo Adrián Ravier, não há protocolo aberto em nome de Flávio Bolsonaro nos órgãos responsáveis por concessão de refúgio ou proteção política, nem registros migratórios que indiquem sua presença em solo argentino.

Ao responder sobre o caso, Ravier também foi questionado a respeito do resultado das eleições brasileiras. Ele afirmou que o governo sabe da vitória de Lula, mas que, por ora, não planeja divulgar um comunicado oficial de felicitação. Como justificativa, citou que, na eleição argentina de 19 de novembro de 2023, quando Milei venceu, Lula não o cumprimentou diretamente.

Naquele dia, o presidente brasileiro publicou mensagem parabenizando “as instituições argentinas” e o povo do país. “A democracia é a voz do povo, e ela deve ser sempre respeitada. Meus parabéns às instituições argentinas pela condução do processo eleitoral e ao povo argentino que participou da jornada eleitoral de forma ordeira e pacífica. Desejo boa sorte e êxito ao novo governo. A Argentina é um grande país e merece todo o nosso respeito. O Brasil sempre estará à disposição para trabalhar junto com nossos irmãos argentinos”, escreveu Lula então, sem citar Milei.

Até agora, o governo Milei é o único na América do Sul que não reconheceu publicamente a vitória de Lula, o que adiciona tensão política ao episódio envolvendo Flávio Bolsonaro e pode influenciar a cooperação entre os dois países em temas sensíveis, como investigações criminais e eventuais pedidos de extradição ou proteção internacional.

Impacto político e próximos passos

A posição oficial de Buenos Aires funciona, neste momento, como um freio a versões de que o senador já estaria sendo protegido no exterior. Na prática, reforça as medidas impostas pelo STF e aumenta a pressão para que Flávio cumpra as determinações judiciais e esclareça seu paradeiro de forma transparente.

Para a PF, o caso expõe possíveis fragilidades na fiscalização de fronteiras terrestres e no monitoramento de jatos executivos que operam em aeroportos próximos à divisa. A investigação mira tanto a eventual movimentação de Flávio quanto o papel de empresas como a Baires Fly SA em rotas que podem ser usadas para burlar controles migratórios.

No plano diplomático, o silêncio de Milei sobre o resultado das eleições brasileiras, somado ao imbróglio em torno de Flávio Bolsonaro, sinaliza uma relação bilateral mais dura e sujeita a choques políticos. A tendência, segundo integrantes do governo brasileiro ouvidos reservadamente ao longo do dia, é de reforço na cooperação técnica entre polícias e órgãos de controle, independentemente do clima entre os Palácios do Planalto e da Casa Rosada.

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