Ciencia e Tecnologia

Apple lança AirTag 2 com alcance 50% maior e foco em privacidade

A Apple lança nesta segunda-feira (26) a segunda geração da AirTag, rastreador de objetos da marca, com alcance 50% maior e novos recursos de privacidade. O acessório mantém o preço no Brasil e passa a conversar de forma mais profunda com o Apple Watch, numa tentativa de reforçar o ecossistema da empresa no dia a dia.

AirTag mais precisa, mais barulhenta e integrada ao pulso

O novo modelo chega ao mercado brasileiro com uma promessa clara: reduzir o tempo entre perder algo e encontrar de novo. A AirTag 2 traz o mesmo chip de banda ultralarga de segunda geração presente no iPhone 17, no iPhone Air, no Apple Watch Ultra 3 e no Apple Watch Series 11, o que amplia em 50% a distância em que a função de localização precisa consegue guiar o usuário até o objeto.

A precisão maior se soma a um alcance de Bluetooth mais longo, que estende o raio em que o acessório consegue se comunicar com outros dispositivos da rede Encontrar. Na prática, uma mochila esquecida em um aeroporto ou uma mala extraviada em conexão internacional tem mais chances de aparecer no mapa graças à quantidade de aparelhos Apple ao redor atuando como antenas anônimas.

Pela primeira vez, a função de localização precisa deixa de ser exclusividade do iPhone e chega ao pulso. Usuários de Apple Watch Series 9 ou posterior, e de Apple Watch Ultra 2 ou posterior, com watchOS 26.2.1, conseguem seguir setas e indicações de distância direto no relógio até o objeto perdido. A mudança reduz a dependência do celular e reforça o papel do relógio como hub de notificações e comandos rápidos no cotidiano.

O som também entra na lista de ajustes. Com um redesenho interno, a nova AirTag fica 50% mais barulhenta que a geração anterior, segundo a Apple, e pode ser ouvida a até o dobro da distância em ambientes comuns. Esse detalhe técnico muda o uso na prática: a chave que cai atrás do sofá, a carteira esquecida em outra sala ou a mochila em um porta-malas passam a responder com mais clareza ao comando “reproduzir som” no app Buscar.

O acessório já está disponível para compra no site oficial da Apple e no app Apple Store, com previsão de chegada às lojas físicas ainda nesta semana. Os preços se mantêm em relação ao lançamento da primeira geração: R$ 369 pela unidade e R$ 1.249 pelo pacote com quatro rastreadores.

Privacidade no centro após polêmicas de rastreamento

A estreia da AirTag 2 acontece sob uma pressão maior por segurança e privacidade. Desde o lançamento da primeira versão, em 2021, o mercado de rastreadores vive uma tensão permanente: a mesma tecnologia que ajuda a recuperar bagagens e chaves também pode ser abusada para vigiar pessoas sem consentimento. A nova geração busca responder a esse debate com camadas adicionais de proteção.

A Apple insiste que o produto é “projetado exclusivamente para rastrear objetos, e não pessoas ou animais de estimação”. O dispositivo não guarda fisicamente o histórico de localização, e toda a comunicação com a rede Encontrar passa a contar com criptografia ponta a ponta. Na prática, o caminho percorrido por uma mala até voltar ao dono existe de forma embaralhada nos servidores, sem que a empresa consiga reconstruir o trajeto detalhado.

A AirTag 2 também reforça os alertas contra rastreamento indesejado. Identificadores Bluetooth mudam com frequência, o que dificulta a associação direta entre um código e um usuário. A empresa destaca ainda a adoção de notificações multiplataforma, que avisam quando um rastreador potencialmente desconhecido passa a se mover junto com alguém por um período prolongado. A lógica é simples: se uma AirTag é colocada de forma escondida em uma bolsa, o celular da vítima recebe um alerta, mesmo sem estar vinculado ao acessório.

Mais do que resposta a críticas, esse desenho também busca blindar o negócio em um ambiente regulatório mais duro. Autoridades de proteção de dados e órgãos de defesa do consumidor observam com atenção esse tipo de dispositivo, que mistura conveniência com risco de vigilância invasiva. Ao destacar que “ninguém, nem mesmo a Apple, conhece a identidade ou localização de qualquer dispositivo que ajudou a encontrar um item”, a empresa tenta se posicionar como guardiã da privacidade, não como ameaça.

O novo recurso Share Item Location, ou Compartilhar Localização do Item, adiciona outra camada ao uso cotidiano. O dono do acessório pode compartilhar, por até sete dias, o paradeiro de um objeto com terceiros considerados confiáveis, como companhias aéreas em casos de extravio, familiares em viagens longas ou serviços de entrega de alto valor. Quando o item é recuperado, a autorização expira automaticamente, o que reduz o risco de alguém manter o acesso à localização por tempo indeterminado.

Disputa por rastreadores e reforço do ecossistema Apple

O lançamento da AirTag 2 acontece em um mercado mais maduro e disputado. Rastreamento de objetos deixa de ser nicho de entusiastas de tecnologia e vira ferramenta de rotina em viagens, deslocamentos urbanos e trabalho remoto. Com alcance maior, som mais potente e integração profunda com iPhone, iPad e Apple Watch, a Apple busca transformar o pequeno disco branco em mais um argumento para permanecer dentro do ecossistema da marca.

Na prática, quem já tem um iPhone compatível com iOS 26, ou um iPad com iPadOS 26, precisa apenas aproximar a AirTag do aparelho para configurar e começar a usar. Em segundos, chaves, mochilas, malas, bicicletas e até cases de fone passam a aparecer no mapa do aplicativo Buscar. A possibilidade de localizar um item seguindo instruções visuais na tela do relógio reforça essa sensação de rede integrada, em que cada novo dispositivo aumenta o valor dos anteriores.

Concorrentes como Tile, Samsung e fabricantes menores de acessórios tendem a sentir a pressão. Um rastreador com alcance 50% maior, som mais alto e uma base instalada de milhões de iPhones e Apple Watches no Brasil eleva o sarrafo tecnológico do setor. Empresas rivais terão de responder com preços mais agressivos, redes compatíveis com Android e melhorias similares em privacidade para evitar a imagem de solução mais frágil ou invasiva.

O consumidor ganha em opções, mas também enfrenta escolhas mais complexas. Ao adotar uma AirTag, o usuário reforça laços com o ecossistema Apple e depende cada vez mais de atualizações de sistema operacional para manter as funções de rastreamento e segurança. A exigência de iOS 26, iPadOS 26 e watchOS 26.2.1, por exemplo, deixa de fora aparelhos mais antigos, o que pode acelerar a troca de dispositivos e alimentar críticas sobre obsolescência programada.

Nas próximas semanas, a reação do mercado e de órgãos reguladores deve indicar se o novo pacote de proteções convence quem teme abusos de vigilância digital. A Apple mira um cenário em que rastreadores se tornem tão comuns quanto capas de celular, mas ainda precisa provar que é possível espalhar sensores conectados pelo mundo sem abrir mão do direito à privacidade. A resposta, desta vez, não virá só das vendas, mas de como usuários e concorrentes decidem se proteger em um ambiente cada vez mais rastreável.

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