Após pedido de Cleitinho, TCE-MG barra patrocínio estatal a clubes: ‘Temos outras prioridades’
Governador eleito aproveitou para criticar atitude "eleitoreira" de Simões; após encerramento do patrocínio por bets, novo governo reorienta recursos

O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), confirmou que cortou o patrocínio do estado aos clubes mineiros de futebol após o fim das bets, anunciado pelo ex-candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD).
Para o governador que assumirá Minas em janeiro de 2027, o estado tem outras prioridades no momento.
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O anúncio foi feito por Cleitinho nesta quarta-feira (4/11), em um vídeo publicado nas redes sociais. Cleitinho criticou a decisão que havia sido tomada anteriormente e classificou a atitude de Simões como “eleitoreira”.
Em 29 de setembro, o ex-candidato à reeleição anunciou um aporte de 32 milhões de reais que seriam divididos entre América, Atlético Mineiro e Cruzeiro, por meio da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
Cleitinho fez criticas ao governador Simões
“Vocês lembram que o governo tomou essa atitude eleitoreira durante a campanha, assim que o governo federal anunciou a saída das bets do Brasil?”, declarou Cleitinho no vídeo, sobre o patrocínio.
Cleitinho afirma não ser contra futebol e diz amar o esporte, mas diz que não pode aceitar o patrocínio aos clubes, com o estado endividado, e anuncia que o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG), suspendeu o patrocínio.
“O Cruzeiro, Atlético, América, todos os times hoje são SAFs (Sociedade Anônima do Futebol), de iniciativa privada. O que faz um governo pegar mais de 30 milhões através de empresas estatais como Cemig e Codemig, e patrocinar esses times?”, afirma Cleitinho.
“A gente está passando agora pela transição, o próprio governo dizendo que a partir de janeiro pode não ter dinheiro para pagar os servidores, vendo que está faltando merenda nas escolas. Eles mesmos estão dizendo que o estado está quebrado. Eu não posso aceitar pegar mais de 30 milhões da Cemig e da Codemig e colocar em time de futebol”, justifica Cleitinho Azevedo.
Para o governador, existem outras prioridades à frente do estado de Minas Gerais, como o investimento na população, ao invés de um aporte aos clubes.
Decisão do Tribunal de Contas
Em nota, o TCEMG confirmou a decisão anunciada por Cleitinho nas redes sociais. Segundo o tribunal, a suspensão do aporte acontece por conta de fatores como a ausência de estudos técnicos que comprovem o retorno institucional dos patrocínios, a falta de critérios objetivos para definir os valores e a dúvida sobre a finalidade dos recursos.
De acordo com o conselheiro em exercício, Licurgo Mourão, que assinou a medida, existem indícios de que os valores do patrocínio foram definidos com base nas necessidades dos clubes, e não nos interesses das estatais, como exige a legislação. A afirmação acontece pelo fato da iniciativa ter sido anunciada com o objetivo de compensar perdas financeiras após a proibição das apostas esportivas.
Além disso, a determinação também aponta para a falta de informações sobre estudos de viabilidade, exposição das marcas e justificativa para a escolha dos clubes. A nota ainda alerta para a realização dos contratos em ano eleitoral, que exige atenção aos limites legais para despesas com publicidade e patrocínio.
O documento diz, no entanto, que a suspensão é provisória e busca evitar a transferência de recursos públicos antes da análise da legalidade, da legitimidade e da economicidade dos acordos., e que o TCEMG ainda vai examinar o mérito da representação.


