Após 4 meses fora, Neto volta ao gol do Botafogo sem sofrer gols
Neto volta ao gol do Botafogo depois de mais de quatro meses afastado por grave lesão na coxa direita e estreia em 2026 com vitória por 2 a 0 sobre o Bangu, no Nilton Santos. O retorno acontece no sábado, 25 de janeiro, em um jogo sem gols sofridos que simboliza o fim de um período de incerteza para o goleiro e para a defesa alvinegra.
Retorno em noite segura no Nilton Santos
O relógio marca o fim do segundo tempo, o placar eletrônico confirma: 2 a 0 para o Botafogo e zero finalizações convertidas pelo Bangu. No gramado do estádio Nilton Santos, Neto ergue os braços, cumprimenta companheiros e respira aliviado. A cena encerra uma espera que dura mais de quatro meses, desde a grave lesão muscular na coxa direita que o tira de ação ainda no início de sua trajetória pelo clube.
O goleiro, que volta a atuar neste sábado, 25 de janeiro de 2026, transforma a partida em um marco pessoal. Não sofre gols, participa da construção da vitória e deixa o campo com a sensação de missão cumprida. Em entrevista ao “GE”, fala sem rodeios sobre o período em que está fora. “A lesão foi, sem dúvida, um momento muito difícil. Voltei ao Brasil projetando muitas coisas com o Botafogo e ter que parar logo no início foi algo que mexeu comigo”, afirma.
A noite segura diante do Bangu não é apenas uma linha na súmula do Campeonato Carioca. Para o Botafogo, representa o reforço de uma posição sensível em qualquer equipe que mira estabilidade ao longo da temporada. Para Neto, é o primeiro capítulo de um ano em que ele tenta provar, semana a semana, que a aposta do clube em sua experiência faz sentido.
Quatro meses de cirurgia, treino em dobro e férias sacrificadas
O caminho até reencontrar o vestiário em clima de vitória começa muito antes do apito inicial. A lesão na coxa direita, que o obriga a passar por cirurgia, interrompe o plano traçado quando ele retorna ao futebol brasileiro. A recuperação exige pressa controlada e paciência rara em atletas acostumados à rotina diária de treino e jogo.
Desde os primeiros dias após o procedimento, Neto reorganiza a vida em torno da fisioterapia e da preparação física. “Desde o primeiro dia após a cirurgia, meu foco foi em me recuperar o mais rápido e da melhor forma possível. O clube me deu todo o apoio necessário, mas eu sabia da minha parcela de responsabilidade também e intensifiquei tudo que foi necessário”, relata.
No fim da temporada passada, ele volta a pisar no gramado, ainda sem a explosão que marca goleiros acostumados a decisões em frações de segundo. A comissão técnica prefere cautela, e o calendário trabalha a favor. Em dezembro, mês em que jogadores tradicionalmente afastam a chuteira para recuperar o corpo, Neto faz o movimento contrário.
O goleiro abre mão das férias e passa a treinar em dois períodos. Divide o dia entre o centro de treinamento do Botafogo e sessões adicionais em casa, seguindo uma rotina que mescla fortalecimento da musculatura lesionada, trabalho cardiovascular e foco mental. A meta é clara: estar pronto para se reapresentar com o elenco no início do ano e, sobretudo, ter condições reais de disputar posição.
“Treinei em dois períodos, abri mão de dias de férias e trabalhei de forma intensa, tudo para que eu pudesse retornar junto com o elenco neste início de ano, retornando aos jogos”, conta. A escolha cobra preço, mas se materializa no sábado em que ele volta a vestir a camisa titular em um jogo oficial.
Defesa reforçada, elenco em transição e temporada desafiadora
O retorno sem sofrer gols tem impacto imediato na configuração do time. A defesa, que passa meses sem o goleiro projetado para assumir a titularidade, ganha referência técnica e emocional. Em um elenco em transição, com nova comissão técnica e calendário diferente do habitual, a estabilidade no gol funciona como eixo de segurança para uma equipe que busca solidez desde o início do ano.
Neto admite o peso emocional do processo, mas escolhe traduzir a volta em termos práticos. “Voltar a jogar depois de tudo que aconteceu foi um momento especial, com certeza. A vitória, o jogo sem sofrer gols, tudo isso acaba deixando o retorno ainda mais marcante, porque é um período desafiador física e mentalmente”, diz. O desempenho encaixa com o que ele repete ao longo da recuperação: voltar bem, ajudar o time, justificar a contratação.
O Botafogo ganha mais que um goleiro recuperado. Ganha uma história de superação que cai bem em um vestiário ainda em formação. Para jogadores que lidam com lesões, mudanças de comando e incertezas contratuais, ver um companheiro atravessar mais de quatro meses de afastamento e reaparecer firme no primeiro jogo de 2026 serve como lembrete concreto de que o esforço fora dos holofotes produz efeito direto em campo.
O clube também colhe dividendos simbólicos. A imagem do goleiro recuperado, em um jogo em casa, diante de sua torcida, reforça a narrativa de um Botafogo que tenta se organizar para competir em mais de uma frente ao longo do ano. Em um cenário de disputas domésticas e continentais mais exigentes, cada posição estabilizada reduz margens de improviso.
Futuro em disputa e oportunidades em aberto
Neto deixa o Nilton Santos com a sensação de ciclo reaberto. A lesão grave e a cirurgia passam a integrar o passado recente, não mais o centro da conversa. “Agora tenho que olhar para frente. Esse período difícil passou e estou 100% focado em ajudar o clube”, afirma. A frase resume o tom que ele adota desde a reapresentação com o elenco em janeiro.
A temporada oferece um calendário espremido, com jogos sucessivos, viagens e decisões em poucos dias. Para a comissão técnica, ter o goleiro à disposição, sem restrição física, amplia as alternativas de escalação e rodagem do elenco. Para Neto, cada partida funciona como avaliação contínua, tanto da resposta da coxa direita quanto da capacidade de liderar a defesa em alto nível.
O Botafogo encara 2026 como ano de construção, com nova metodologia de trabalho e elenco em ajuste fino. Em um ambiente em que lesões podem redesenhar a hierarquia do time a qualquer momento, a volta de um jogador que passa por um processo completo de reabilitação envia um recado claro sobre disciplina e comprometimento. “Seguirei trabalhando com a mesma intensidade e aproveitando cada oportunidade, para que a gente tenha uma temporada vitoriosa”, projeta o goleiro.
As próximas rodadas dirão se o jogo contra o Bangu marca apenas o fim de uma lesão ou o início de uma fase em que Neto se firma como peça central do time. A resposta virá menos dos exames médicos e mais da bola que volta, semana após semana, à pequena área que ele volta a chamar de casa.
