André Mendonça assume relatoria do caso Master no STF
O ministro André Mendonça é sorteado novo relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026. A mudança ocorre após a saída de Dias Toffoli da função, depois de o ministro ser citado em relatório da Polícia Federal.
Troca de relator acende alerta sobre imparcialidade
A redistribuição do caso, feita por sorteio eletrônico interno no STF, redefine o comando de um dos processos mais sensíveis da Corte neste momento. O caso Master envolve investigações de grande repercussão política e jurídica, que pressionam a imagem de independência do tribunal e expõem tensões entre magistrados, Ministério Público e Polícia Federal.
A saída de Toffoli da relatoria ocorre após a menção de seu nome em um relatório da PF, documento que, segundo investigadores, descreve movimentações e contatos que precisam ser esclarecidos. Ao se afastar, o ministro tenta afastar dúvidas sobre sua atuação no processo e reduzir o risco de questionamentos futuros. Na prática, a mudança preserva a aparência de imparcialidade, mas abre uma nova frente de disputa sobre o rumo do caso.
Perfil de Mendonça e mudanças na condução do processo
André Mendonça chega à relatoria com o histórico de ter sido indicado ao STF em 2021, após atuar como advogado-geral da União e ministro da Justiça. Ele assume um processo volumoso, com centenas de páginas, decisões acumuladas e prazos sensíveis para réus, investigadores e advogados. Cada despacho, a partir de agora, passa pelo crivo de seu gabinete, o que tende a alterar o ritmo e o tom das decisões.
O sorteio, mecanismo previsto no regimento interno do STF para garantir aleatoriedade e evitar escolha dirigida, ocorre em meio a forte escrutínio público. A redistribuição não altera atos já praticados por Toffoli, mas abre espaço para reavaliações pontuais, como pedidos de vista, revisão de sigilo e redefinição de prioridades. Em casos complexos, mudanças de relator costumam retardar em semanas ou meses a análise de recursos, o que pode favorecer alguns investigados e desgastar a paciência de órgãos de controle.
Ministros ouvidos reservadamente costumam defender que a autodeclaração de impedimento ou suspeição é a saída mais segura quando há qualquer menção a um magistrado em peças de investigação. A lógica é simples: “Quando o próprio juiz vira personagem, a confiança no processo fica em risco”, resume um integrante do tribunal em conversa recente com a reportagem. A decisão de Toffoli segue essa linha, mas não elimina críticas de setores que enxergam no movimento uma reação tardia à pressão da PF.
Impacto político, pressão externa e confiança na Justiça
A entrada de Mendonça na relatoria altera o tabuleiro político em Brasília. Ele é visto por aliados do governo como um ministro cauteloso, sensível a temas ligados a garantias individuais, mas também atento ao humor da opinião pública. Cada decisão será lida como sinal de qual direção o STF pretende adotar no caso Master: acelerar denúncias e julgamentos, ou privilegiar uma análise mais extensa de provas e procedimentos.
No mundo jurídico, a movimentação provoca reações imediatas. Advogados calculam se vale reforçar pedidos de acesso a documentos, ampliação de prazos e revisão de medidas cautelares. Procuradores, por sua vez, avaliam se apresentam novas representações ainda neste primeiro semestre de 2026, antes que o processo sofra mais atrasos. A Polícia Federal, que já produz relatórios há meses, passa a trabalhar sob a expectativa de eventuais novas ordens, como perícias adicionais ou depoimentos complementares.
O impacto real da troca de relator se mede em dias e semanas. Uma decisão que poderia sair em 30 dias pode levar 60, dependendo da curva de aprendizado do novo gabinete. A mudança de estilo entre ministros costuma influenciar o ritmo de análise de liminares, a disposição para levar temas direto ao plenário e a abertura para audiências com partes interessadas. No caso Master, qualquer oscilação é acompanhada de perto por partidos políticos, movimentos organizados e setores do mercado, que enxergam no processo um termômetro da estabilidade institucional.
Próximos passos e dúvidas em aberto
Mendonça terá de decidir, nas próximas semanas, sobre pautas urgentes ligadas ao caso, como pedidos de quebra ou manutenção de sigilo, recursos contra decisões anteriores e cronograma de tramitação. A presidência do STF também pode avaliar se o tema deve ir ao plenário físico ainda em 2026 ou se permanece no ambiente digital, decisão que interfere na exposição pública do julgamento e na velocidade dos votos.
A repercussão política da saída de Toffoli ainda se desenha. A citação em relatório da PF alimenta debate sobre os limites da atuação dos ministros em processos de alta voltagem e sobre a necessidade de regras mais objetivas de impedimento. Entre especialistas, ganha força a discussão sobre transparência: até que ponto a sociedade consegue acompanhar, de forma clara, quem decide o quê em casos que mexem com a República. A nova fase do caso Master, sob relatoria de André Mendonça, tende a responder parte dessas perguntas, mas deixa uma dúvida central no ar: o STF conseguirá conduzir o processo com celeridade e confiança suficientes para conter a escalada de desconfiança em torno da Justiça?
