S&P 500 7.680 ↑ +0,73%Nasdaq 26.209 ↑ +0,98%Dow Jones 52.351 ↑ +0,26%Ibovespa 175.027 ↓ -14,66%FTSE 100 10.767 ↑ +0,72%DAX 25.411 ↑ +0,91%Nikkei 62.190 ↓ -0,80%Dólar R$ 5,46 ↑ +9,88%Euro R$ 6,11 ↑ +10,20%Bitcoin R$ 436.605 ↑ +9,22%S&P 500 7.680 ↑ +0,73%Nasdaq 26.209 ↑ +0,98%Dow Jones 52.351 ↑ +0,26%Ibovespa 175.027 ↓ -14,66%FTSE 100 10.767 ↑ +0,72%DAX 25.411 ↑ +0,91%Nikkei 62.190 ↓ -0,80%Dólar R$ 5,46 ↑ +9,88%Euro R$ 6,11 ↑ +10,20%Bitcoin R$ 436.605 ↑ +9,22%
NC Eleições 2026

América do Sul tem sete governos de direita e cinco de esquerda após reeleição de Lula

Resultado da eleição brasileira interrompe sequência de vitórias conservadoras na região, mas mantém a direita à frente no número de governos sul-americanos.

América do Sul tem sete governos de direita e cinco de esquerda após reeleição de Lula

A América do Sul tem sete países governados pela direita e cinco pela esquerda após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil. O resultado das eleições brasileiras, realizadas em 25 de outubro de 2026, interrompeu uma sequência de vitórias de candidatos conservadores na região, mas não alterou a maioria da direita entre os governos sul-americanos.

O cenário político reúne países com diferentes orientações ideológicas e níveis de alinhamento internacional. Argentina, Chile, Bolívia, Equador, Paraguai, Colômbia e Peru estão no grupo de governos classificados à direita. Brasil, Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname compõem o grupo associado à esquerda ou à centro-esquerda, embora existam diferenças importantes entre as administrações.

Leia também: Celina Leão faz história como primeira mulher eleita governadora do DF

Reeleição de Lula interrompe sequência conservadora

A vitória de Lula representa um contraponto à recente expansão eleitoral da direita na América Latina. Nos últimos anos, candidatos conservadores venceram disputas presidenciais em diferentes países, com campanhas que deram destaque à segurança pública, ao combate ao crime organizado, ao controle migratório e à redução da intervenção estatal na economia.

No Brasil, Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mantendo o país sob um governo de esquerda. O resultado também preserva uma diferença política entre Brasília e governos sul-americanos que defendem maior alinhamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Reeleição de Lula interrompe sequência conservadora

A eleição brasileira, entretanto, não reverteu a distribuição ideológica dos governos do continente. A direita continua à frente na contagem de países, enquanto a esquerda mantém posições importantes nas maiores economias e em governos com diferentes modelos de política externa.

Quais países são governados pela direita?

O grupo de sete países classificados à direita reúne governos com propostas econômicas e políticas distintas. Embora compartilhem algumas posições conservadoras, as administrações não formam um bloco homogêneo.

A América do Sul tem sete governos classificados à direita e cinco associados à esquerda ou à centro-esquerda. A reeleição de Lula interrompeu a sequência recente de vitórias conservadoras, mas não alterou a maioria numérica da direita na região.

Argentina: Javier Milei lidera um governo de orientação libertária, marcado pela defesa de cortes de gastos públicos, desregulamentação econômica e redução do papel do Estado.

Chile: José Antonio Kast representa uma agenda conservadora com ênfase em segurança pública, controle da imigração e mudanças na atuação do Estado.

Bolívia: Rodrigo Paz assumiu a Presidência após o encerramento do ciclo de governos liderados pelo Movimento ao Socialismo (MAS), que marcou a política boliviana por quase duas décadas.

Equador: Daniel Noboa conduz uma administração que prioriza o combate ao crime organizado e medidas de segurança em meio à crise de violência enfrentada pelo país.

Paraguai: Santiago Peña mantém o país sob a liderança do Partido Colorado, historicamente associado à direita paraguaia.

Colômbia: Abelardo de la Espriella representa a mudança de orientação política após o período de governo de Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história colombiana.

Peru: Keiko Fujimori venceu a disputa presidencial em um contexto de instabilidade política e sucessivas mudanças no comando do país.

Brasil, Uruguai e outros países compõem o grupo da esquerda

Além do Brasil, o grupo associado à esquerda ou à centro-esquerda reúne Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname. A classificação, contudo, exige ressalvas, pois as orientações econômicas e diplomáticas desses governos apresentam diferenças significativas.

No Uruguai, o presidente Yamandú Orsi representa a Frente Ampla, coalizão de esquerda que voltou ao poder após o governo de Luis Lacalle Pou.

Na Venezuela, Delcy Rodríguez assumiu a Presidência após a saída de Nicolás Maduro do poder. Embora integre o antigo grupo governista chavista, sua administração tem mantido relações com os Estados Unidos e adotado mudanças econômicas que precisam ser consideradas na análise do cenário político.

Delcy Rodríguez assumiu a Presidência após a saída de Nicolás Maduro do poder.

Na Guiana, o presidente Irfaan Ali é ligado ao Partido Progressista do Povo. Apesar da origem de esquerda da legenda, o governo mantém relações com diferentes parceiros internacionais e participa de iniciativas regionais de segurança.

O Suriname é governado por Jennifer Geerlings-Simons, que assumiu a Presidência em 2025. O país também integra o grupo de governos associados à esquerda ou à centro-esquerda na classificação regional.

Por que a classificação ideológica exige cautela?

A divisão entre direita e esquerda ajuda a visualizar tendências eleitorais, mas não explica sozinha as decisões de cada governo. Países classificados no mesmo campo político podem adotar estratégias econômicas diferentes, divergir em questões diplomáticas e manter relações comerciais com parceiros de orientações ideológicas distintas.

O caso da Guiana ilustra essa complexidade: apesar da origem política de esquerda do partido governista, o país participa de iniciativas de segurança que envolvem governos conservadores. Na Venezuela, por sua vez, a continuidade de uma liderança ligada ao chavismo convive com mudanças na relação com Washington.

Por isso, mapas ideológicos devem ser interpretados como representações gerais do cenário político, e não como uma descrição completa das políticas adotadas por cada país.

O peso econômico do Brasil muda o equilíbrio regional

Mesmo com a maioria numérica da direita, o Brasil continua sendo um dos principais atores políticos e econômicos da América do Sul. O tamanho de sua economia, sua população e sua participação em fóruns internacionais ampliam o impacto das decisões tomadas pelo governo brasileiro sobre os países vizinhos.

A reeleição de Lula também mantém uma diferença de orientação diplomática em relação a governos mais próximos da administração de Donald Trump. O presidente brasileiro tradicionalmente defende a diversificação de parcerias comerciais, o fortalecimento de fóruns multilaterais e a ampliação da atuação de grupos como o Brics.

A reeleição de Lula também mantém uma diferença de orientação diplomática em relação a governos mais próximos da administração de Donald Trump.

Essa posição não elimina a possibilidade de cooperação com governos conservadores. Comércio, infraestrutura, energia, segurança nas fronteiras e combate ao crime organizado continuam sendo temas que exigem negociação entre países com diferentes orientações políticas.

O que esperar da política sul-americana?

O cenário regional combina a maioria numérica de governos de direita com a permanência de administrações de esquerda em países estrategicamente relevantes. A reeleição de Lula interrompeu a sequência de vitórias conservadoras, mas não encerrou a tendência de fortalecimento eleitoral da direita observada em diferentes partes do continente.

Nos próximos anos, a estabilidade desses alinhamentos dependerá dos resultados econômicos, da capacidade dos governos de responder às demandas por segurança e da relação entre as lideranças políticas e seus eleitorados.

O mapa político sul-americano, portanto, não deve ser visto como definitivo. Mudanças na popularidade dos presidentes, crises institucionais e novas eleições podem alterar a distribuição de poder e a orientação dos governos da região.