Esportes

Alvos de clubes brasileiros vivem fim de semana decisivo na Europa

Jogadores monitorados por Flamengo, Palmeiras, Fluminense, Botafogo, Grêmio e Atlético-MG vivem um fim de semana de contraste na Europa, às vésperas da janela brasileira. Entre lesões, banco de reservas, raras titularidades e até suspensão, o desempenho recente pode acelerar ou travar negociações que movimentam milhões de euros no mercado nacional.

Sul-americanos em vitrine às vésperas da janela

O fim de semana anterior a 20 de janeiro de 2026 expõe, em campo e fora dele, o tabuleiro que envolve Lucas Paquetá, Thiago Almada, Jhon Arias, Enso González, Igor Julio, Guido Rodríguez e Lucas Torreira. Todos atuam em ligas europeias de peso, como Premier League, La Liga e Süper Lig, enquanto viram seus nomes ganhar força em conversas de dirigentes brasileiros.

O movimento não é novo. Desde 2022, clubes da Série A voltam a mirar com mais frequência atletas em atividade na Europa, amparados por receitas crescentes de bilheteria, direitos de TV e vendas de jogadores. O que muda agora é o volume: Flamengo, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Grêmio e Atlético-MG se dispõem a disputar jogadores de salários acima de 1 milhão de reais mensais, algo impensável uma década atrás.

No West Ham, Paquetá e Igor Julio viram de fora a vitória por 2 a 1 sobre o Tottenham, em Londres, pela Premier League. O meia brasileiro de 28 anos volta a sentir dores na lombar e sequer é relacionado. O zagueiro de 27 anos, emprestado pelo Brighton, permanece os 90 minutos no banco. O resultado tira momentaneamente os Hammers da zona mais crítica da tabela e reforça a leitura de que o clube ainda briga para permanecer na elite inglesa.

Entre brasileiros, a leitura é ambígua. A vitória sem Paquetá pode sugerir alguma independência do time em relação ao camisa 10, o que, em tese, abriria espaço para negócio com o Flamengo no meio do ano. Ao mesmo tempo, a chance real de escapar do rebaixamento fortalece a posição do West Ham na mesa de negociação e tende a elevar a resistência a qualquer saída de peça-chave. A discussão interna gira em torno de risco esportivo e retorno financeiro imediato.

Thiago Almada vive cenário distinto em Madri. No Atlético, o meia-atacante argentino de 24 anos é titular pela quinta vez na atual edição de La Liga e permanece em campo por 61 minutos na vitória por 1 a 0 sobre o Alavés. A decisão de Diego Simeone destoa da ideia de que o ex-Botafogo estaria escanteado e reforça a percepção de que o clube ainda enxerga valor esportivo no jogador, mesmo após colocá-lo em listas de negociáveis em janelas anteriores.

Dentro do calendário brasileiro, o Palmeiras monitora a situação de Almada desde o fim de 2025. Pessoas ligadas ao departamento de futebol veem no argentino um reforço para disputar fase final de Libertadores e Brasileiro, mas admitem que qualquer oferta precisa competir com o euro e com o projeto esportivo de um clube que briga na parte alta da La Liga.

Pressão por reforços e clubes europeus em crise

Na Inglaterra, o Wolverhampton se torna um dos principais pontos de observação para o mercado brasileiro. O clube vive recuperação recente, com quatro jogos de invencibilidade, mas ainda ocupa a lanterna da Premier League e está 14 pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento. Em números práticos, precisa de uma arrancada improvável para evitar a queda.

Nesse contexto, Jhon Arias, meia-atacante colombiano de 28 anos, alterna lampejos e frustração. Depois de gol e assistência como titular na Copa da Liga Inglesa, o alvo de Fluminense e Palmeiras volta ao banco no empate por 0 a 0 com o Newcastle. Entra apenas aos 26 minutos do segundo tempo, com o jogo já travado. A pouca utilização reforça, no Brasil, a sensação de que o colombiano pode se tornar oportunidade de mercado, sobretudo se o Wolves aceitar antecipar uma reconstrução pós-queda.

Dirigentes ouvidos reservadamente veem na possível “aceitação” do rebaixamento um ponto de virada. A avaliação é direta: um clube que já se prepara para disputar a Championship costuma flexibilizar saídas para aliviar folha salarial e gerar caixa. Em conversas de bastidores, a leitura é que o pacote Arias, com salários e direitos econômicos, hoje giraria em torno de cifras superiores a 8 milhões de euros, valor que exige montagem financeira cuidadosa no Brasil.

Enso González, ponta paraguaio de 20 anos também do Wolverhampton, vive realidade ainda mais distante dos holofotes da Premier League. Atua majoritariamente pelo sub-21 e participa da vitória por 3 a 0 sobre o Norwich, com uma assistência. A performance mantém seu nome no radar do Botafogo, que enxerga no jogador um ativo de médio prazo. Em General Severiano, o discurso é de que o paraguaio pode repetir, em escala menor, o caminho de jovens que saem cedo da América do Sul, têm pouco espaço imediato na Europa e retomam minutos em casa.

No mesmo recorte de fim de semana, Guido Rodríguez e Lucas Torreira oferecem leituras opostas sobre a relação entre protagonismo e negociabilidade. O volante argentino de 31 anos, campeão do mundo em 2022, volta a sair do banco pelo West Ham depois de quatro partidas sem minutos em campo. Entra para jogar os 11 minutos finais e está em campo quando o time busca a vitória nos acréscimos diante do Tottenham.

Para o Grêmio, que acompanha a situação do argentino, essa pequena mudança importa. A leitura em Porto Alegre é simples: quanto mais Guido joga, maior a chance de valorização e mais dura fica a negociação. Um dirigente resume em conversa reservada: “É um jogador de Copa do Mundo. Se volta a ser titular na Premier League, o cenário muda em dias”. O clube gaúcho trabalha com a ideia de proposta escalonada, com bônus por metas esportivas, para tentar se aproximar do patamar financeiro europeu.

No Galatasaray, Lucas Torreira vive situação inversa. Suspenso por acúmulo de cartões, o uruguaio de 29 anos não entra em campo no empate por 1 a 1 com o Gaziantep, em Istambul. Vê do camarote o time perder dois pontos importantes na disputa ponto a ponto com o Fenerbahçe pelo título da Süper Lig. O tropeço reforça a importância do volante, hoje considerado titular absoluto, e complica os planos do Atlético-MG, que monitora o jogador para o segundo semestre.

Janela brasileira se aproxima e negociações ganham peso

A poucos meses da abertura da janela intermediária do futebol brasileiro, o desempenho de fim de semana desses sete jogadores começa a se traduzir em decisões concretas. Clubes avaliam, jogo a jogo, se vale insistir em alvos caros ou redirecionar esforços para opções menos custosas. A conta envolve taxa de transferência, salários, impostos, comissões e risco esportivo, sobretudo em anos de Libertadores e Copa do Brasil.

Flamengo, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Grêmio e Atlético-MG trabalham com orçamentos já aprovados por seus conselhos, mas mantêm margem para oportunidades. A experiência recente de contratações de impacto ajuda a calibrar o apetite. Em janeiro de 2024, por exemplo, um clube como o Cruzeiro viu o meia Gerson aparecer em listas de jogadores que mais movimentaram dinheiro na história e entendeu que, em alguns casos, o retorno esportivo se dilui diante do peso financeiro.

Para os atletas, o cenário também é decisivo. Jogar com regularidade em ligas europeias segue sendo vitrine para seleções e para futuras transferências. Ao mesmo tempo, a volta ao Brasil em 2026 não representa mais um passo atrás automático. Com estádios cheios, transmissões globais e premiações mais robustas, disputar título por clubes de ponta no país pode ser, para muitos, um atalho de volta ao radar de Copa do Mundo.

Os próximos meses mostram se o discurso de ambição dos clubes brasileiros se confirma na prática. A forma como West Ham, Wolverhampton, Atlético de Madrid e Galatasaray lidam com seus elencos, em meio a briga contra rebaixamento, disputa de título e reestruturações internas, define o grau de dificuldade para qualquer investida. A dúvida que permanece no ar é se a boa fase financeira do futebol brasileiro já basta para romper, de maneira consistente, a barreira do euro e transformar essas sondagens em grandes contratações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *