Aliados veem avanço para prisão domiciliar de Bolsonaro
Aliados de Jair Bolsonaro aumentam, nas últimas horas antes de 21 de janeiro de 2026, a aposta em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que autorize a prisão domiciliar do ex-presidente. A expectativa cresce a partir de sinais internos no Supremo Tribunal Federal (STF) e de articulações políticas que envolvem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Sinais do Supremo alimentam expectativa
No entorno bolsonarista, a avaliação é de que o clima no STF muda de forma gradual a favor de um abrandamento do regime de cumprimento da pena. Interlocutores do clã Bolsonaro e de Tarcísio relatam conversas reservadas com ao menos dois ministros da Corte, que indicam a possibilidade concreta de transferência de Bolsonaro para casa, em regime de prisão domiciliar, ainda em janeiro.
O ex-presidente está preso em Brasília e deixa a unidade prisional nesta quarta-feira (7) para atendimento em hospital, em meio ao acirramento do debate público sobre sua situação jurídica. A ida ao hospital reforça, entre seus aliados, o discurso de que o quadro de saúde pesa na análise de Moraes, relator dos processos que envolvem Bolsonaro no Supremo.
Lideranças bolsonaristas ouvidas reservadamente afirmam ter recebido, nos últimos dias, o que chamam de “sinal verde indireto” de integrantes do tribunal. “Há um entendimento de que a manutenção na Papuda prolonga a tensão política. A domiciliar seria uma saída intermediária”, resume um aliado, sob condição de anonimato.
O movimento ganha corpo no mesmo período em que Alexandre de Moraes passa a ser alvo da Lei Magnitsky, instrumento internacional usado para sancionar autoridades acusadas de violações de direitos humanos. A sanção, aprovada por instâncias estrangeiras, é explorada politicamente por aliados de Bolsonaro como argumento de pressão, ainda que não tenha efeito direto nas decisões internas do STF.
Articulação política e impacto nacional
As conversas em torno da prisão domiciliar extrapolam o campo jurídico e entram de vez na arena política. Tarcísio de Freitas, hoje um dos principais herdeiros do eleitorado bolsonarista, atua de forma discreta junto a ministros do Supremo para defender a mudança de regime. Pessoas próximas ao governador relatam que ele vê na concessão da domiciliar uma forma de reduzir a temperatura institucional e, ao mesmo tempo, preservar canais com a base conservadora.
A decisão de Tarcísio de cancelar uma visita a Bolsonaro, prevista para quinta-feira (22/1), é lida em Brasília como um sinal adicional de que uma definição se aproxima. Aliados interpretam o gesto como tentativa de evitar exposição pública em um momento considerado decisivo. “Ninguém quer uma foto que envelheça mal no dia seguinte”, diz um assessor que acompanha as negociações.
O caso mobiliza o País desde a transferência de Bolsonaro para o complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, após decisão de Moraes. A imagem do ex-presidente entrando na chamada “Papudinha” se torna símbolo da nova fase de embates entre o bolsonarismo e o Supremo, com repercussões diárias nas redes sociais e em manifestações de rua.
A possibilidade de prisão domiciliar reacende, entre apoiadores, a esperança de um retorno gradual de Bolsonaro ao centro do debate político. Grupos organizados já planejam atos para marcar uma eventual saída da prisão, mesmo que para cumprir pena em casa, em endereço a ser definido pelo Judiciário.
Setores que se opõem ao ex-presidente temem o efeito simbólico da medida. Para essas lideranças, a domiciliar pode ser percebida como recuo do STF em um momento de cobrança por responsabilização firme de autoridades investigadas por ataques à democracia, especialmente após os episódios de 8 de janeiro de 2023.
Pressão sobre o STF e cenário à frente
Uma decisão favorável a Bolsonaro tem potencial de acentuar divisões dentro e fora do Supremo. Na própria Corte, ministros defendem, em caráter privado, que a resposta aos ataques às instituições siga firme e previsível, sem mensagens ambíguas à sociedade. Outros apostam em uma solução que mantenha a condenação, mas alivie a tensão política, com a mudança para prisão domiciliar monitorada, possivelmente com tornozeleira eletrônica e restrição de visitas.
O impacto institucional vai além do STF. No Congresso, parlamentares da base governista e da oposição já se preparam para explorar politicamente qualquer decisão. Se a domiciliar for confirmada, bolsonaristas devem apresentar o gesto como resultado direto da pressão popular e internacional, enquanto adversários vão destacar que o ex-presidente continua condenado e sob controle judicial.
Especialistas em direito ouvidos por interlocutores no Congresso afirmam que a eventual decisão de Moraes não encerra o confronto entre o ex-presidente e o Judiciário. Processos ainda em curso, recursos pendentes e novas frentes de investigação mantêm Bolsonaro em situação de vulnerabilidade jurídica, mesmo em casa.
No plano social, a medida tende a reorganizar a militância bolsonarista. Com o líder fora da prisão física, mas ainda limitado por regras judiciais, o desafio será transformar a narrativa de vítima de perseguição em capital político duradouro, às vésperas de um ciclo eleitoral que se intensifica a partir de 2026.
Os próximos dias testam, mais uma vez, o peso político do STF e a capacidade das instituições de administrar decisões que mexem com emoções e interesses de milhões de eleitores. Até que Moraes bata o martelo, a pergunta que ecoa em Brasília é simples e decisiva: quanto o tribunal está disposto a ceder para reduzir a pressão sem fragilizar a própria autoridade?
