Ciencia e Tecnologia

AirPods Pro 3 x Galaxy Buds4 Pro: qual vale mais de R$ 2 mil

A redação do g1 coloca, neste 13 de abril de 2026, os AirPods Pro 3 e os Galaxy Buds4 Pro lado a lado em um teste prático. O objetivo é simples e caro: descobrir se vale mesmo gastar mais de R$ 2 mil em fones sem fio premium.

Corrida por som e status no bolso do brasileiro

O duelo entre os dois modelos acontece em um mercado amadurecido, em que fones de ouvido custam o mesmo que um salário mínimo. Nas principais varejistas online, os AirPods Pro 3 aparecem por cerca de R$ 2.399, enquanto os Galaxy Buds4 Pro giram em torno de R$ 2.099, com variações conforme promoções relâmpago e estoque.

O preço pressiona o consumidor que não quer errar na compra. A aposta da Apple se ancora no ecossistema fechado de iPhones, Macs e Apple Watch, com recursos que só funcionam totalmente entre produtos da marca. A Samsung reage com especificações agressivas no Android e tenta falar também com quem usa iPhone, ainda que com menos integração.

Nos testes realizados pela equipe de tecnologia do g1, os fones passam por dias de uso em situações reais. A avaliação inclui viagens de metrô, reuniões de trabalho por vídeo, caminhadas na rua e sessões longas de música e séries, sempre alternando entre os dois modelos. A meta é ir além da ficha técnica e medir o que realmente muda na rotina.

Som, bateria e conforto na prática

O primeiro choque aparece na qualidade do som. Os AirPods Pro 3 entregam grave firme, médio equilibrado e agudo controlado, com destaque para vozes e podcasts. O cancelamento de ruído ativa isola quase todo o som do vagão de metrô, deixando apenas o tremor mais agudo dos trilhos. A sensação é de bolha sonora com pouco esforço de ajuste.

Os Galaxy Buds4 Pro respondem com volume ligeiramente mais alto e grave mais presente, algo que favorece pop, hip hop e eletrônica. O cancelamento de ruído também impressiona em cenários urbanos, mas deixa passar um pouco mais de vozes próximas. Em chamadas de vídeo, no entanto, a captação dos microfones da Samsung se mostra mais clara em ambientes barulhentos.

Na bateria, a diferença pesa para quem passa o dia na rua. Em uso contínuo com cancelamento de ruído ativado, os AirPods Pro 3 giram em torno de 5 horas e meia por carga, chegando a cerca de 24 horas somadas com o estojo, segundo os testes. Os Galaxy Buds4 Pro avançam um pouco além, beirando 6 horas nas mesmas condições e alcançando aproximadamente 26 horas com estojo.

Os números se aproximam dos dados divulgados pelas fabricantes, que falam em até 6 horas de som por carga, sem cancelamento, nos dois lados. O comportamento real, porém, varia conforme o volume e o uso de recursos extras, como áudio espacial e modo ambiente. Em maratona de série no fim de semana, nenhum dos dois deixa o usuário na mão antes do desfecho da temporada.

No conforto, a disputa é apertada. Os AirPods Pro 3 mantêm o formato já conhecido, com hastes curtas e borrachas em três tamanhos. Ficam firmes na orelha durante corridas leves e não incomodam após duas horas de uso. Os Galaxy Buds4 Pro usam desenho mais compacto, sem haste aparente, e se encaixam melhor em orelhas pequenas, segundo teste com diferentes usuários.

Os recursos extras tentam justificar o valor de notebook de entrada. Nos aparelhos da Apple, o destaque está no áudio espacial com rastreamento de cabeça e no pareamento automático entre dispositivos da marca. Quem atende uma ligação no iPhone e depois volta para um filme no iPad nota a troca quase invisível de conexão. “A experiência completa faz mais diferença que um pequeno ganho de som”, avalia um editor da equipe durante os testes.

No lado da Samsung, o aplicativo Galaxy Wearable oferece equalização mais flexível e controles detalhados de ruído e modo ambiente. Em celulares Galaxy recentes, o codec proprietário garante transmissão de áudio em alta resolução, com menos compressão. Em aparelhos de outras marcas Android, os Buds4 Pro seguem competentes, mas perdem parte dos truques de bastidor.

Quem deve pagar mais e quem pode esperar

O comparativo deixa claro que, para quem vive dentro do ecossistema Apple, os AirPods Pro 3 entregam mais do que um fone. O aparelho conversa com a rede Buscar, emite som para localização em caso de perda e ainda exibe alertas de segurança quando alguém tenta acompanhar a localização do usuário usando fones desconhecidos. Essa soma de funções pesa para quem carrega iPhone, Mac e Apple Watch no dia a dia.

O usuário de Android encontra nos Galaxy Buds4 Pro um pacote mais racional. O preço médio cerca de R$ 300 mais baixo, o som levemente mais encorpado e a bateria um pouco mais longa tornam o modelo mais atraente para quem não depende da integração com produtos Apple. A própria Samsung sinaliza essa estratégia ao enfatizar recursos como baixa latência para jogos e personalização avançada de som.

No Brasil, onde o cartão de crédito ainda sofre com juros altos, investir mais de R$ 2 mil em fones de ouvido continua uma decisão de nicho. O mercado premium cresce, mas ainda convive com opções intermediárias entre R$ 600 e R$ 1.200, que oferecem cancelamento de ruído competente e boa bateria. A análise do g1 indica que o salto de qualidade existe, mas não é proporcional ao salto de preço para a maioria dos usuários.

Consumidores que usam notebook com Windows, tablet Android e iPhone antigo, ao mesmo tempo, tendem a perder parte das vantagens de qualquer um dos dois modelos. Nesses cenários mistos, a recomendação dos especialistas ouvidos pela reportagem é olhar com atenção para alternativas com foco em compatibilidade universal, especialmente quando o orçamento é limitado.

O que os testes sinalizam para o futuro

O resultado do comparativo aponta para uma disputa mais de ecossistemas do que de drivers e frequências. A Apple parece falar com quem aceita pagar pela conveniência total dentro do seu universo fechado. A Samsung tenta ocupar o espaço de melhor opção premium para Android, ao mesmo tempo em que flerta com donos de iPhone menos presos à integração automática.

As próximas gerações tendem a acentuar essa diferença. Funções de saúde, como medição de temperatura e monitoramento mais preciso de sono e ronco, já aparecem em patentes e rumores de mercado. Se essas promessas se confirmarem, os fones podem se aproximar ainda mais de relógios inteligentes e disputar espaço com wearables de saúde, abrindo um novo capítulo na briga por atenção e dinheiro no ouvido do consumidor.

Até lá, o recado dos testes do g1 é direto: pagar mais de R$ 2 mil por fones sem fio só faz sentido quando o usuário sabe exatamente o que quer ganhar em troca. Para muitos brasileiros, a pergunta que segue em aberto é se conforto, integração e alguns decibéis a mais de isolamento valem, sozinhos, o peso de mais uma parcela no fim do mês.

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