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Abel Ferreira pega oito jogos de suspensão no Brasileirão por ofensa a árbitro

A comissão disciplinar do Campeonato Brasileiro suspende Abel Ferreira por oito jogos na Série A, após expulsões contra São Paulo e Fluminense. A decisão é divulgada nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026, e ainda cabe recurso do Palmeiras.

Decisão dura em meio a sequência de expulsões

O gancho atinge o técnico do Palmeiras em um momento de calendário apertado e pressão esportiva. Abel já cumpre a punição desde as rodadas anteriores e assiste às partidas das tribunas. Duas partidas já ficam para trás; restam agora seis jogos sem o treinador à beira do campo.

A penalidade se apoia no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que pune quem atua de forma contrária à ética desportiva. O caso mais grave ocorre no clássico contra o São Paulo, quando Abel chama o árbitro Anderson Daronco de “cagão” após a expulsão. O episódio se soma à expulsão diante do Fluminense, que rende mais dois jogos de suspensão.

A comissão entende que não se trata de um deslize isolado, mas de um padrão de comportamento. A expressão usada contra Daronco pesa no relatório e reforça a ideia de desrespeito público à autoridade de campo. O conjunto da obra, como definem integrantes dos tribunais, empurra a pena para o patamar máximo considerado para este tipo de infração.

Pressão sobre arbitragem e impacto no vestiário

A ausência de Abel na área técnica muda o desenho prático do Palmeiras em dias de jogo. O treinador não pode se comunicar diretamente com o banco, nem comandar a equipe à beira do gramado. A tarefa recai sobre os auxiliares, que já sentem o peso da responsabilidade em partidas recentes.

Na derrota para o Cruzeiro, os adjuntos reclamam do que chamam de “jeitinho brasileiro” na condução da arbitragem. O próprio Abel, ainda antes da decisão final do tribunal, dispara que vê “hipócritas” no debate sobre erros de juízes. As falas expõem um ambiente de tensão constante entre o clube e o apito.

O incômodo não é exclusivo do Palmeiras. No Rio, o diretor de futebol do Flamengo acusa a arbitragem de favorecer Palmeiras e Cruzeiro em decisões recentes. A declaração adiciona combustível ao debate sobre imparcialidade, em um momento em que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva endurece a mão contra técnicos e jogadores.

Na semana anterior, a mesma comissão aplica quatro jogos de suspensão ao meia Carrascal, do Flamengo, também por conduta antidesportiva. O clube carioca consegue efeito suspensivo e mantém o jogador em campo enquanto o caso aguarda julgamento definitivo. O contraste com a situação de Abel, que já cumpre a pena, alimenta a discussão sobre os critérios dos auditores.

O que muda para o Palmeiras e para o debate disciplinar

O Palmeiras se vê obrigado a reorganizar a rotina de trabalho. Nos dias de jogo, Abel participa do planejamento, define escalação e estratégias, mas se afasta do gramado quando o time entra em campo. A leitura minuto a minuto, uma das marcas do português desde que chega ao clube em 2020, passa a ser filtrada pelos auxiliares.

Os seis jogos restantes incluem compromissos diretos na parte de cima da tabela e podem influenciar a disputa por título e vagas em competições continentais. Em um campeonato de pontos corridos, cada rodada pesa. Uma sequência ruim neste período tende a ser creditada, por torcedores, à ausência do treinador na beira do campo.

O julgamento também redefine a fronteira do aceitável na comunicação pública com a arbitragem. O artigo 258 sempre existe, mas a atual composição da comissão deixa claro que a tolerância com insultos e insinuações diminui. O gancho de oito partidas, somado ao caso de Carrascal, funciona como recado aos demais técnicos e jogadores.

O Palmeiras prepara recurso para tentar reduzir a pena ou transformá-la parcialmente em advertência e multa. O clube argumenta que a pressão de um clássico e a relevância dos jogos explicam, ainda que não justifiquem, os excessos do treinador. Advogados do clube estudam citar decisões anteriores em que penas mais brandas são aplicadas em situações semelhantes.

Próximos capítulos e debate sobre limites

O processo segue agora para análise em instância superior da Justiça Desportiva, caso o Palmeiras formalize o recurso nos próximos dias. O clube tem prazo curto para apresentar argumentos e tentar um efeito suspensivo, que permitiria a volta de Abel ao banco enquanto o caso é reavaliado. A estratégia jurídica passa por demonstrar arrependimento e reforçar o papel do treinador na campanha do time.

O desfecho vai além de um nome ou de um clube. A forma como os tribunais lidam com o caso Abel Ferreira tende a balizar futuras punições a técnicos e atletas em todo o país. A pergunta que se impõe, nas arquibancadas e nas salas de reunião da CBF, é até onde vai a crítica legítima à arbitragem e em que ponto começa a agressão que tira um técnico de oito jogos do campeonato.

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