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Abel admite incerteza sobre futuro de Raphael Veiga no Palmeiras

Abel Ferreira admite, na noite deste sábado (24), que não sabe se Raphael Veiga seguirá no Palmeiras. O técnico reforça que conta com o meia, mas reconhece que a decisão está nas mãos da diretoria e do jogador.

Coletiva após vitória expõe ponto sensível no elenco

O clima é de euforia na Arena Barueri após a vitória por 3 a 1 sobre o São Paulo, pela quinta rodada do Campeonato Paulista, mas o futuro de Raphael Veiga invade a sala de imprensa. Minutos depois dos gols de Maurício, Flaco López e Khellven garantirem o resultado, Abel é questionado sobre a permanência do meia de 29 anos, um dos símbolos da era vitoriosa recente do clube.

O treinador respira fundo antes de responder e deixa claro que a situação foge ao seu controle. “Como é que eu te vou dizer? É difícil falar dele agora, porque ele é nosso jogador”, inicia, lembrando que Veiga figura entre os principais artilheiros do time nas últimas três ou quatro temporadas e chegou à seleção brasileira nesse período. O discurso mistura elogios, cautela e um recado direto à cúpula alviverde.

Abel ressalta o vínculo afetivo do meia com o Palmeiras, onde está há quase uma década. “Todos nós sabemos o amor e o carinho que ele tem por este clube, mas não te posso adiantar muito mais nada em relação a isso”, afirma. A resposta não dissipa as dúvidas e reforça a percepção de que o assunto se torna um dos temas centrais do início de temporada, em pleno janeiro de 2026.

Entre ídolo em campo e decisão de bastidor

A entrevista também resgata, inevitavelmente, o caso recente de Weverton. O goleiro, referência em títulos nacionais e continentais, decide deixar o clube neste início de ano, abrindo um precedente que pesa sobre qualquer negociação envolvendo nomes de peso. Abel faz questão de citar o episódio para contextualizar o cenário atual.

“Nós também contávamos com o Weverton, e o Weverton tomou outra decisão”, lembra o português. A comparação acende o alerta na torcida, que enxerga na saída de um segundo líder técnico e emocional um golpe duro no projeto esportivo. O treinador repete que não domina as tratativas. “Isso é um assunto sobre o qual eu, particularmente, não tenho muita informação. É algo que está mais sob a alçada da presidente, do Barros e do Veiga.”

Mesmo assim, Abel não abre mão de afirmar o papel de Veiga no elenco atual. “Claro, eu conto com o Veiga. Não há como dizer que não conto com um jogador desta dimensão. É um ídolo do clube.” A fala funciona como um endosso público ao camisa 23 e, ao mesmo tempo, como um lembrete de que uma eventual saída exigiria uma reposição de alto impacto, algo raro no mercado brasileiro e caro em qualquer negociação internacional.

O treinador volta a tratar da relação pessoal construída ao longo dos últimos anos. “Tenho uma admiração, um respeito, um carinho e uma gratidão também muito grandes por ele, porque a verdade é que juntos já passamos momentos difíceis aqui dentro.” Veiga, que chega ao Palmeiras ainda em meados da década passada e soma títulos nacionais, estaduais, continentais e prêmios individuais, é descrito pelo técnico como um jogador que atravessa tanto crises quanto conquistas ao lado da comissão técnica.

“Ele se calhar mais do que eu, porque está aqui há oito ou nove anos, mas também grandes glórias, grandes jornadas, grandes conquistas, grandes momentos, títulos, melhor jogador do campeonato”, recorda Abel, ao citar premiações recentes do meia em edições do Brasileirão e do Paulista. Em tom resignado, completa: “Agora, isso são questões muito pessoais e de gestão do clube. Não sei o que é que vai acontecer, mas fizeste uma pergunta, sim, eu conto com o Veiga.”

Impacto esportivo e pressão sobre a diretoria

A indefinição em torno de Veiga extrapola o noticiário de bastidor e afeta o planejamento esportivo imediato. O meia é peça central no modelo de jogo de Abel desde 2020, participa diretamente de gols em todas as temporadas recentes e se consolida como um dos principais responsáveis pela transição entre meio-campo e ataque. Uma eventual transferência obrigaria o clube a reconfigurar a estrutura ofensiva às vésperas das competições mais relevantes do calendário.

Palmeiras estreia no Campeonato Brasileiro já na próxima quarta-feira (28), às 19h, contra o Atlético-MG, na Arena MRV, em Belo Horizonte. Em paralelo, mantém a rotina de mata-matas de Copa do Brasil e a preparação para a sequência da temporada continental. Em um cenário em que a janela de transferências permanece aberta por semanas, a diretoria precisa conciliar eventuais propostas por Veiga com a necessidade de preservar o equilíbrio técnico do elenco.

O caso também reacende o debate sobre a permanência de protagonistas no futebol brasileiro em meio ao assédio de clubes estrangeiros e aos salários em moeda forte. A diretoria, liderada pela presidente Leila Pereira e pelo diretor de futebol Anderson Barros, lida com a expectativa de uma parte da torcida que não aceita perder novamente um jogador de referência em tão pouco tempo. Cada declaração pública de Abel adiciona pressão, por mais que ele insista em tratar o tema como assunto de gestão.

Dentro do vestiário, o desenrolar da situação pode influenciar a confiança do grupo. A eventual saída de um ídolo costuma mexer com hierarquias internas, distribuição de liderança e percepção de ambição do clube. Ao reforçar em alto e bom som que “conta com Veiga”, Abel também envia um recado para o elenco sobre o padrão de competitividade que pretende manter em 2026.

Próximos passos e um futuro em aberto

O Palmeiras volta a treinar já neste domingo, com foco declarado na estreia do Brasileirão, enquanto a diretoria trabalha nos bastidores. Não há prazo oficial para uma definição sobre Raphael Veiga, mas a tendência é que os próximos dias sejam decisivos, tanto pela proximidade dos principais torneios quanto pelo impacto financeiro e esportivo de qualquer acordo.

A permanência do meia consolidaria a tentativa de manter a espinha dorsal que rende títulos nos últimos anos e daria a Abel a segurança de seguir com seu projeto sem uma nova ruptura. Uma negociação, por outro lado, abriria espaço para reforços, mas colocaria à prova a capacidade do clube de se reinventar em alto nível em curto prazo. Enquanto a bola segue rolando e a agenda aponta para Belo Horizonte na quarta-feira, a pergunta que ecoa entre arquibancadas e corredores da Academia de Futebol é simples e ainda sem resposta: Raphael Veiga fica ou sai do Palmeiras?

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