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Trump posta e apaga vídeo racista com Obamas e nega erro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publica em 7 de fevereiro de 2026 um vídeo que retrata Barack e Michelle Obama como macacos. Após enxurrada de críticas, o conteúdo é apagado das suas redes sociais, mas o republicano se recusa a admitir erro e amplia a crise política e racial no país.

Postagem acende novo foco de tensão política e racial

O vídeo surge nos perfis oficiais de Trump na manhã de sábado e circula por cerca de algumas horas até ser removido. As imagens, em montagem grosseira, mostram o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama com traços de macacos, recurso historicamente usado para desumanizar pessoas negras nos Estados Unidos e em outros países.

A repercussão é imediata. Parlamentares democratas classificam o episódio como “abertamente racista” e “indigno da Presidência”. Lideranças republicanas evitam confronto direto, mas aliados em busca de reeleição demonstram incômodo em conversas reservadas, relatam assessores. Nas redes sociais, o termo “Obama” entra entre os assuntos mais comentados em poucos minutos, com milhões de visualizações somadas em diferentes plataformas.

Vídeo apagado, crise mantida

Horas depois da postagem, o vídeo desaparece dos perfis de Trump, mas o recuo não acalma o ambiente político. Em declarações a jornalistas na Casa Branca, o presidente afirma que não vê problema na publicação. “Não há nada de errado naquele vídeo”, diz. “As pessoas estão exagerando. É só humor.” A negativa de qualquer tipo de erro funciona como combustível para a indignação de organizações de direitos civis e de lideranças negras.

Entidades como a NAACP, principal associação de defesa de direitos da população negra no país, divulgam notas duras. “Comparar um ex-presidente e uma ex-primeira-dama negros a macacos é um ato de racismo explícito, não uma piada”, afirma um comunicado. Ativistas lembram que caricaturas semelhantes circulam desde o século 19 e sustentam estereótipos que alimentam violência e exclusão econômica. O episódio se soma a outros gestos e declarações de Trump que já haviam sido apontados como racistas desde a campanha de 2016, reforçando a percepção de um padrão.

Pressão sobre redes sociais e impacto eleitoral

A polêmica reacende o debate sobre o papel das grandes plataformas na moderação de conteúdos ofensivos, especialmente quando partem de líderes com dezenas de milhões de seguidores. Especialistas em regulação digital afirmam que a remoção, horas após a postagem, não impede o estrago simbólico. “Em questões de discurso de ódio, minutos bastam para que o conteúdo se espalhe, seja replicado e alimentado por novos comentários”, diz um pesquisador ouvido pela reportagem.

Executivos do setor admitem, sob reserva, que figuras como Trump colocam as empresas em um impasse. Uma sanção mais dura, como suspensão de conta ou bloqueio de novos posts, poderia ser interpretada como interferência política em ano eleitoral, ainda que as plataformas não divulguem números detalhados. Por outro lado, a tolerância a conteúdos abertamente racistas aumenta a pressão de anunciantes e da opinião pública por regras mais claras. O caso entra no radar de parlamentares que defendem uma legislação federal para responsabilizar plataformas em situações de discurso de ódio reiterado.

Racismo, desinformação e a próxima campanha

Organizações antirracistas enxergam no episódio um ponto de inflexão. Grupos de monitoramento já contabilizam aumento de publicações com teor racista e referências diretas ao vídeo em fóruns e redes menores, onde a moderação é mais frágil. Líderes comunitários relatam crescimento de incidentes verbais em ambientes escolares e de trabalho desde o início do ano, cenário que tende a se agravar em períodos de campanha dura.

O vídeo ofensivo com os Obamas entra para o repertório de peças de ataque e defesa que devem marcar os próximos meses da política norte-americana. Democratas usam o caso para reforçar o contraste de imagem entre Trump e a família Obama, símbolo de ascensão política negra no país. Republicanos críticos ao presidente avaliam, em privado, que episódios como este podem afastar eleitores moderados em estados decisivos. A forma como Trump insiste em não reconhecer qualquer erro indica que novos choques entre discurso presidencial, ativismo digital e regulação de plataformas ainda estão por vir, num país em que cada postagem pode redesenhar alianças e aprofundar fraturas já abertas.

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