México volta a emitir visto eletrônico para brasileiros em 2026
O México retoma, em fevereiro de 2026, a emissão de visto eletrônico para brasileiros que chegam ao país de avião, após mais de três anos de suspensão. O documento digital permite uma única entrada e permanência de até 180 dias para turistas e viajantes a negócios. A medida mira a retomada do fluxo de visitantes e o reforço da relação bilateral.
Retomada após mais de três anos e foco no turismo
A decisão marca uma inflexão na política migratória mexicana em relação ao Brasil. Desde o início da exigência de visto físico, em meados de 2022, o fluxo de turistas brasileiros ao México perde fôlego, pressionado pela burocracia extra, pelos custos e pela espera em consulados. A volta do visto eletrônico tenta reverter esse movimento e recolocar destinos como Cancún, Cidade do México e Tulum no radar imediato dos viajantes brasileiros.
O novo modelo funciona por meio de um documento digital emitido antes do embarque, exclusivo para quem entra no país por via aérea. O viajante obtém autorização para uma única estadia de até 180 dias, voltada a turismo ou negócios de curta duração. A lógica é parecida com sistemas já usados por outros destinos populares entre brasileiros, que permitem o preenchimento de dados online, o envio de documentos digitalizados e a aprovação remota, em poucos dias.
O que muda na prática para o passageiro brasileiro
Na prática, o retorno do visto eletrônico reduz filas em consulados e encurta o planejamento da viagem. Em vez de agendar atendimento presencial, entregar passaporte e aguardar a devolução por semanas, o brasileiro passa a resolver o processo em uma única aplicação digital. A autorização vale para uma entrada, com permanência máxima de 180 dias, o que cobre desde férias em família até viagens corporativas mais longas.
Autoridades mexicanas apresentam a medida como parte de uma estratégia de modernização dos trâmites consulares e de estímulo ao turismo. “O visto eletrônico agiliza o procedimento migratório e facilita o intercâmbio entre México e Brasil”, afirma, em nota, um porta-voz da chancelaria mexicana. O discurso ecoa interesses econômicos concretos: o Brasil figura entre os principais emissores de turistas para a região, e o gasto médio de viajantes brasileiros em viagens internacionais costuma superar a marca de US$ 1.000 por pessoa.
Impacto econômico e diplomático da decisão
Operadores de turismo veem espaço para uma recuperação rápida do fluxo de passageiros. Com a possibilidade de permanência de até seis meses, o visto eletrônico também interessa a segmentos específicos, como estudantes em cursos de idiomas de curta duração, profissionais em treinamentos corporativos e participantes de feiras e eventos internacionais. A expectativa do setor é de que o México volte a disputar espaço com destinos do Caribe e da América do Norte na escolha do brasileiro que planeja férias ou viagens combinando lazer e trabalho.
A medida tem efeito simbólico nas relações bilaterais. A reativação do sistema eletrônico sinaliza disposição de desmontar barreiras que travam o contato entre os dois países, em um momento de esforço por maior integração econômica regional. Especialistas em relações internacionais avaliam que a mudança abre espaço para novas negociações na área migratória, com possíveis ajustes futuros em vistos para estudantes, pesquisadores e profissionais altamente qualificados. “Facilitar a entrada de turistas é apenas o primeiro passo; a tendência é avançar em instrumentos que ampliem intercâmbios acadêmicos e comerciais”, observa um pesquisador ouvido pela reportagem.
Próximos passos e dúvidas em aberto
O governo mexicano trabalha com a perspectiva de aumento gradual do número de solicitações a partir do primeiro trimestre de 2026. Companhias aéreas e agências de viagem correm para adaptar materiais informativos, treinar equipes e ajustar roteiros, na tentativa de capturar a demanda reprimida dos últimos anos. A forma exata de implementação, com prazos médios de análise, exigências de documentação e eventuais taxas, tende a definir o grau de adesão do público brasileiro.
A retomada do visto eletrônico não encerra o debate sobre políticas migratórias na região. Persistem dúvidas sobre a coordenação de informações entre companhias aéreas, autoridades de fronteira e plataformas digitais, além de questionamentos sobre segurança de dados e eventuais falhas de sistema em períodos de alta temporada. Enquanto governos prometem processos mais ágeis e transparentes, o teste real virá com o aumento do fluxo nos aeroportos. O movimento de 2026, porém, aponta para uma direção clara: a relação entre Brasil e México se reaproxima pelo caminho mais direto, o do embarque facilitado.
