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Corinthians abre negociações por Labyad e avalia peso da influência de Depay

O Corinthians negocia a contratação do meio-campista marroquino Zakaria Labyad, 32, e pretende bater o martelo até o início de março de 2026. Livre no mercado após deixar o Dalian Yingbo, da China, o jogador surge como oportunidade de baixo custo em meio à crise financeira do clube.

Reforço de baixo custo em meio à crise

As conversas são conduzidas em São Paulo, na sede do clube, e levam em conta um cenário delicado. A diretoria, hoje chefiada por Marcelo Paz, tenta reforçar o elenco sem estourar o orçamento, depois de anos de desequilíbrio nas contas e cobranças públicas por transparência. O fato de Labyad estar sem contrato desde o fim de 2025 reduz o investimento inicial e torna o negócio mais palatável num momento em que salários em dia viram quase um ativo competitivo.

Dirigentes enxergam no marroquino um meio-campista capaz de elevar o nível técnico do setor, sobretudo na criação de jogadas. O histórico no futebol europeu, com passagens por PSV e Ajax, pesa a favor. A informação de que o salário pedido se encaixa no teto estabelecido pela diretoria faz a negociação avançar, segundo o GE, que cita justamente a condição de agente livre como um dos trunfos nas tratativas.

Depay em cena e cautela nos bastidores

O nome de Labyad, porém, não entra na pauta do Corinthians em um vácuo. O meio-campista constrói relação próxima com Memphis Depay desde os tempos de PSV, na Holanda. Hoje camisa 10 do clube alvinegro e uma das principais referências técnicas do elenco, o atacante acumula peso político nos bastidores. A coincidência não passa despercebida pela diretoria, que teme ver qualquer acerto interpretado como indicação direta do jogador.

Reportagem do jornalista Samir Carvalho reforça esse clima de cautela. Segundo ele, não há acordo fechado e o Corinthians freia a pressa justamente para medir o impacto junto à torcida. Existe o receio de que a eventual chegada de Labyad seja lida como mais um aceno para Depay, cujo futuro ainda não está garantido em Parque São Jorge. O debate interno gira em torno de uma linha tênue: aproveitar a sintonia entre os dois atletas em campo sem alimentar a percepção de que o vestiário dita a política de contratações.

O ambiente externo contribui para a tensão. Em programas esportivos, o ex-jogador e apresentador Neto pressiona a diretoria e cobra a permanência de Depay. Em uma de suas intervenções, ele crava que, “sem ele, não dá”, escancarando como o atacante passa a ser tratado como peça central do projeto esportivo. Esse contexto faz qualquer movimentação próxima ao camisa 10 virar assunto imediato entre conselheiros e torcedores.

Impacto técnico, finanças e reação da torcida

A eventual chegada de Labyad mexe com três frentes ao mesmo tempo: desempenho em campo, saúde financeira e clima nas arquibancadas. Tecnicamente, o Corinthians avalia a capacidade do marroquino de entregar intensidade em uma temporada longa, com jogos encavalados entre Campeonato Paulista, Brasileirão, Copa do Brasil e possíveis compromissos internacionais. O histórico de lesões recentes e o período na China entram na planilha de riscos, junto com avaliações físicas detalhadas.

Do ponto de vista financeiro, o negócio é moldado para não repetir erros recentes. Sem pagamento de multa e com salário enquadrado na faixa que o clube considera sustentável, Labyad representaria mais um movimento por custo-benefício, em vez de uma contratação de impacto midiático. O recado interno é claro: não há espaço para aventuras que criem um novo passivo trabalhista ou obriguem renegociações de dívida em poucos meses.

A torcida surge como um termômetro permanente. A direção sabe que, em um Corinthians politicamente agitado, a percepção conta quase tanto quanto o desempenho. Uma parte dos torcedores tende a enxergar com bons olhos a chegada de um meia experiente, acostumado à pressão em grandes clubes europeus. Outra parcela pode ver na negociação um gesto de dependência em relação a Depay, em um momento em que o clube tenta se afirmar como protagonista de suas decisões.

Janela, prazo e dilemas até março

A data impõe ritmo ao processo. A janela de transferências no Brasil fica aberta até o começo de março, o que dá ao Corinthians pouco menos de um mês para decidir se transforma a conversa em contrato. Até lá, o departamento de futebol cruza dados físicos, relatórios de desempenho e projeções orçamentárias antes de levar um parecer definitivo à presidência.

Marcelo Paz e sua equipe usam o caso Labyad como teste de um novo modelo de gestão, que busca equilibrar curto prazo esportivo e responsabilidade fiscal. Se a negociação avançar, o clube adiciona uma peça com rodagem internacional e coloca à prova a convivência de duas lideranças ligadas por uma amizade antiga. Se recuar, sinaliza que, em 2026, está disposto a perder oportunidades técnicas para preservar narrativa, caixa e estabilidade política. A resposta, em qualquer dos cenários, ajuda a desenhar que tipo de Corinthians o torcedor verá nos próximos campeonatos.

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