Filipe Luís expõe déficit físico e liga alerta no Flamengo
Filipe Luís admite, na noite desta quarta-feira (5), que o Flamengo está “muito atrás de todo mundo, fisicamente”, após o empate por 1 a 1 com o Internacional, no Maracanã. O técnico vê o início do Campeonato Brasileiro como um choque de realidade e alerta que o tempo de reação pode definir se o clube vai disputar ou não os principais títulos de 2026.
Choque de realidade em pleno Maracanã
O 1 a 1 com o Internacional expõe mais do que dois pontos perdidos em casa. Expõe um Flamengo que corre menos, chega atrasado nas divididas e se desorganiza quando o ritmo do jogo aumenta. Em uma temporada que já vale pontos e troféus, Filipe Luís assume o diagnóstico em voz alta.
“A realidade bate na porta. Não importa se você está pronto ou não, começou o campeonato, os jogos estão valendo ponto”, afirma o treinador, ainda na sala de entrevistas do Maracanã. Ao avaliar o cenário, ele vai além de uma explicação pontual e aponta risco direto à campanha no Brasileiro. “Hoje o Flamengo está muito atrás de todo mundo, fisicamente. É bizarro.”
O alerta surge no início de fevereiro, quando os rivais diretos já pontuam. Em casa, o Flamengo sai na frente, cede o empate e volta a sofrer com a queda de intensidade no segundo tempo. O jogo contra o Internacional repete um roteiro recente: pressão alta mal executada, passes curtos errados e dificuldade para controlar o adversário nos minutos finais.
O técnico reforça que o problema não se limita ao fôlego. Para ele, o desgaste físico afeta diretamente a parte técnica e a tomada de decisão. “Hoje ficou muito evidente que falta um pouco da parte física dos jogadores. Como eles ainda não estão bem fisicamente, da forma que eu espero que estejam e que eles estão acostumados a jogar, estão chegando na pressão de forma atrasada, a bola está escapando um pouco do pé”, descreve. Na sequência, emenda a ligação entre corpo e cabeça: “Isso também está ligado com o mental, com decisões erradas. Você cansa mais, pensa pior, toma decisões erradas.”
Título em risco e corrida contra o relógio
O discurso de Filipe Luís mira o curto prazo. O Flamengo soma apenas um ponto em casa, enquanto vê concorrentes abrirem vantagem. Sem citar nomes, o treinador usa o Palmeiras como referência direta de risco. “Quantos pontos o Palmeiras vai botar na frente? Já botou três”, provoca, ao lembrar que cada rodada perdida agora pesa em dezembro.
O próprio treinador reconhece a contradição do momento. De um lado, enxerga elenco forte e trabalho promissor. De outro, percebe que o relógio do calendário corre mais rápido do que o da preparação física. “Isso significa que o Flamengo vai ter um ano terrível? Não. A lógica diz que o Flamengo vai encaixar, tem técnico e elenco para isso. Mas o tempo que isso vai levar pode decidir se o Fla vai realmente disputar todos os títulos”, projeta.
O calendário reforça a urgência. Em 12 dias, o Flamengo tem três competições em jogo. No sábado, 7 de fevereiro, encara o Sampaio Corrêa pelo Campeonato Carioca, torneio em que tenta ganhar corpo e dar minutos ao elenco. No dia 10, viaja para enfrentar o Vitória pelo Brasileiro, em duelo direto por pontos que podem fazer diferença na parte de cima da tabela. Nove dias depois, em 19 de fevereiro, estreia na Recopa Sul-Americana contra o Lanús, na Argentina, em confronto que já vale taça internacional.
A sequência impede uma preparação longa. Restam ajustes entre viagens, jogos e recuperação. Filipe Luís admite que a resposta não será imediata. “Pelo que eu conheço deles, ainda vai demorar um pouquinho, mas não tenho dúvidas de que estamos no caminho, os jogadores já estão melhorando e vamos voltar”, afirma. A convicção técnica convive com o risco esportivo: cada partida jogada abaixo do ideal físico aumenta a chance de tropeços, desgasta o elenco e pressiona ainda mais o ambiente.
Pressão crescente e próximos capítulos da temporada
O diagnóstico público do treinador muda a temperatura interna no clube. Quando o próprio técnico admite que o time “está muito atrás de todo mundo”, o recado atinge diretamente o departamento físico, a diretoria e o elenco. O empate com o Internacional, em pleno Maracanã, funciona como aviso prévio: se o ritmo não sobe rápido, o Brasileiro pode escapar já no primeiro turno.
Os próximos jogos passam a servir de termômetro. Diante do Sampaio Corrêa, a expectativa é de rotação maior, controle do jogo e menos espaços ao adversário. Contra o Vitória, o teste é mais duro: o Flamengo precisa mostrar evolução fora de casa, em ritmo de Série A, quatro dias depois de ter atuado no Rio. Na Recopa, o Lanús oferece medição internacional do nível físico e competitivo dos rubro-negros, justamente em um confronto que pode marcar o primeiro título do ano.
O cenário coloca a comissão técnica diante de um equilíbrio delicado: acelerar a preparação sem estourar jogadores, rodar o elenco sem perder competitividade, ganhar tempo em um calendário que não para. A cada rodada, a conta aparece no placar. Filipe Luís sustenta que o encaixe virá, mas admite que o prazo pode custar caro. A resposta do Flamengo, nas próximas semanas, dirá se o alerta de fevereiro foi apenas um susto ou o prenúncio de uma temporada em que o time corre atrás, literalmente, dos adversários.
