Pressionado, Flamengo testa nova zaga com Vitão contra o Sampaio
O Flamengo entra em campo neste sábado (7), às 21h, no Maracanã, contra o Sampaio Corrêa, sob risco real de disputar o quadrangular do rebaixamento da Taça Guanabara. Com campanha ruim e vaias recentes da torcida, o técnico Filipe Luís prepara mudanças na escalação, com a provável entrada do zagueiro Vitão entre os titulares.
Flamengo joga pressionado por classificação e por resposta em campo
O cenário do Flamengo na competição é delicado. O time soma apenas quatro pontos em cinco jogos e ocupa o quinto lugar do Grupo B, posição que hoje o deixaria fora das quartas de final. A partida contra o Sampaio Corrêa, pela sexta rodada, transforma o Maracanã em palco de uma decisão precoce em fevereiro.
A combinação é simples no papel e complexa na prática. O Flamengo precisa vencer e ainda depende de outros resultados nas partidas entre Portuguesa e Nova Iguaçu, Volta Redonda e Madureira, e Bangu e Boavista, marcadas para o mesmo horário. A classificação não está nas mãos do clube, mas um tropeço próprio praticamente sela a presença no quadrangular do rebaixamento.
O alerta interno cresce após o desempenho recente. Em 2025, com o time principal, o Flamengo disputou cinco partidas oficiais e venceu apenas uma, o clássico contra o Vasco pelo Carioca. No restante, acumulou derrotas para Fluminense, São Paulo e Corinthians, além de empate com o Internacional, resultado que terminou em vaias no Maracanã.
A irritação da arquibancada se mistura ao diagnóstico do próprio treinador. Filipe Luís admite que o elenco ainda não atinge o nível físico ideal para encarar a maratona de jogos. Essa combinação de desgaste, instabilidade e pressão externa acelera a decisão por mudanças na escalação justamente na partida que pode definir o rumo da temporada estadual.
Mudanças de Filipe Luís miram defesa mais sólida e time mais competitivo
Vitão surge como símbolo da tentativa de ajuste. O zagueiro, que vinha sendo opção no elenco, deve ganhar a primeira oportunidade real de sequência entre os titulares. A tendência é que ele atue ao lado de Léo Pereira, em uma linha defensiva que também deve ter Varela ou Royal pela direita e Ayrton Lucas pela esquerda.
No gol, Rossi aparece como favorito, com Andrew como alternativa. No meio-campo, Filipe Luís trabalha com Erick Pulgar como peça de equilíbrio à frente da zaga e estuda entre manter o jovem Everton Araújo ou acionar Jorginho para dar mais experiência ao setor. Carrascal deve ser o responsável pela ligação com o trio de ataque.
Na frente, a formação projeta Gonzalo Plata aberto por um dos lados, Lino pelo outro e Pedro centralizado, referência ofensiva em um jogo em que apenas a vitória interessa. A ideia é recuperar profundidade, aumentar a chegada à área e reduzir a distância entre meio e ataque, um dos problemas mais visíveis nos últimos compromissos.
O desenho tático acompanha a urgência do momento. O Flamengo não pode se dar ao luxo de administrar o resultado, já que o empate deixa a situação dramática. Nesse cenário, o clube ainda teria uma chance remota de classificação, mas precisaria tirar uma diferença de quatro gols de saldo e quatro gols pró em relação aos rivais diretos, algo pouco provável em uma única rodada.
A derrota em casa, por outro lado, empurraria o Rubro-Negro diretamente para o quadrangular do rebaixamento. A perspectiva de ver um dos elencos mais caros do país lutando para não cair na Série A2 do Estadual adiciona peso emocional à noite de sábado. A torcida, que já dá sinais de impaciência, espera ao menos uma resposta em intensidade e competitividade.
Taça Guanabara se torna teste de pressão para elenco e comissão técnica
O formato do Campeonato Carioca em 2026 aumenta a carga sobre o jogo. Doze clubes se dividem em dois grupos com seis times cada, mas todos enfrentam apenas os rivais da outra chave em turno único na Taça Guanabara. Os quatro melhores de cada grupo avançam às quartas de final, enquanto os dois últimos de cada lado vão para o quadrangular do rebaixamento.
Nessa etapa decisiva, os quatro piores da fase inicial se enfrentam em turno e returno, e o último colocado cai para a Série A2. Para o Flamengo, acostumado a disputar decisões e títulos, a simples presença nesse grupo já seria um abalo simbólico e esportivo. O risco de rebaixamento, ainda que matematicamente distante em um primeiro momento, entra na pauta se a equipe não reagir imediatamente.
O contexto geral do Estadual também pressiona. Fluminense e Botafogo já chegam ao fim da primeira fase classificados para as quartas. O Tricolor enfrenta o Maricá, que brigará no quadrangular do rebaixamento, enquanto o Botafogo encara o Vasco, que ainda tem sua situação indefinida. O contraste entre a estabilidade dos rivais e a turbulência rubro-negra alimenta o debate público sobre planejamento e desempenho.
A atuação deste sábado tende a orientar os próximos passos da diretoria e da comissão técnica. Uma classificação dramática, obtida com vitória e combinação de resultados, pode dar sobrevida ao novo desenho do time, consolidar Vitão na zaga e reduzir, ainda que momentaneamente, o ruído vindo das arquibancadas. A partir daí, as quartas de final em jogo único abrem uma nova etapa de avaliação.
Um tropeço, com empate ou derrota, coloca o Flamengo diante de um cenário inédito recente: disputar um mini-torneio de oito jogos, em turno e returno, para evitar o rebaixamento. A leitura externa será direta sobre Filipe Luís e sobre o elenco, mas também sobre a capacidade do clube de responder a crises dentro de campo. A pergunta que paira sobre o Maracanã nesta noite é simples e pesada: o primeiro grande teste de 2026 marca o início da reação ou aprofunda uma crise que parecia improvável no início da temporada?
