Ciencia e Tecnologia

Lua Cheia em fase de queda marca calendário lunar de fevereiro

A Lua aparece Cheia nesta sexta-feira (6), já em processo de queda luminosa e com 81% de sua face visível. O satélite entra em contagem regressiva para a fase Minguante, prevista para o dia 9, e abre o caminho para o restante do calendário lunar de fevereiro, seguido de perto por astrônomos, agricultores e curiosos do céu noturno.

Lua Cheia em declínio no céu de fevereiro

O brilho que domina o céu desde o início do mês começa a se despedir. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Lua Cheia de fevereiro de 2026 se instala no dia 1º, às 19h10, e agora entra em fase de declínio, embora ainda seja tecnicamente classificada como Cheia. Nesta sexta, o disco lunar não surge mais totalmente iluminado: 81% de sua face visível recebe luz do Sol, indicador claro de que o ciclo avança em direção à Minguante.

O movimento é previsível, mas não perde o encanto. Em três dias, na segunda-feira (9), às 9h44, o satélite atinge o Quarto Minguante, quando apenas metade da face iluminada aparece no céu. A lua então segue perdendo luminosidade até desaparecer na Lua Nova, marcada para as 9h03 do dia 17. O mês se completa com a Lua Crescente em 24 de fevereiro, às 9h28, quando o disco volta a ganhar luz rumo à próxima Cheia.

Um relógio natural de 29,5 dias

O calendário observado neste mês acompanha um mecanismo celeste que se repete há bilhões de anos. O intervalo entre duas Luas Novas, chamado lunação ou ciclo lunar, dura em média 29,5 dias. Nesse período, o satélite cruza quatro fases principais — Nova, Crescente, Cheia e Minguante —, cada uma com cerca de uma semana de duração. Entre elas, surgem as chamadas interfases, como o Quarto Crescente, a Lua gibosa crescente, a Lua gibosa minguante e o Quarto Minguante, que refinam a leitura do céu para quem acompanha o movimento noite após noite.

O que o público vê no horizonte é o efeito direto da posição relativa entre Sol, Terra e Lua. Na Lua Nova, o satélite se coloca entre o planeta e a estrela, com o lado iluminado voltado para o Sol e a face escura voltada para nós, o que torna sua presença praticamente invisível no céu noturno. A fase marca o início do ciclo e, em muitas culturas, simboliza recomeço e novas tentativas. Dias depois, uma lâmina de luz surge discreta no começo da noite: é a Lua Crescente, que se alonga a cada dia até atingir o Quarto Crescente, quando metade do disco parece recortada no céu.

Na Lua Cheia, posição inversa. A Terra se alinha entre o Sol e a Lua, e a face voltada para nós recebe luz quase por inteiro. É a fase que costuma lotar mirantes urbanos, praias e trilhas, favorecidas por mais luz natural durante a noite. O auge luminoso, no entanto, dura pouco. Logo após a Cheia, o contorno perfeito começa a se desfazer. O que se vê nesta sexta-feira, com 81% de iluminação, é a transição para a Lua gibosa minguante, que abre caminho para o Quarto Minguante e, mais adiante, para a próxima Lua Nova.

Impacto no cotidiano, da roça ao litoral

O caminho da Lua no céu interessa muito além dos astrônomos profissionais. Agricultores tradicionais ainda ajustam plantio, poda e colheita de acordo com as fases lunares, em especial as transições entre Crescente, Cheia e Minguante. Pescadores costumar observar a claridade noturna e a variação das marés — fenômeno diretamente ligado à gravidade combinada da Lua e do Sol sobre os oceanos — para planejar saídas ao mar. Em noites de Lua Cheia e próximas a ela, como agora, o brilho extra favorece a navegação a olho nu, mas também altera o comportamento de espécies que evitam águas muito iluminadas.

O calendário lunar também abastece a agenda cultural. Retiros espirituais, caminhadas noturnas, festivais de observação do céu e eventos de astroturismo costumam mirar datas de Lua Cheia, quando o satélite se transforma em atração principal. A fase atual, com disco ainda amplo, mas em declínio, oferece uma janela interessante para quem gosta de observar detalhes da superfície lunar a olho nu ou com binóculos simples. As bordas entre luz e sombra, chamadas de terminador, ganham relevo e evidenciam crateras e cadeias de montanhas.

Em centros urbanos brasileiros, a visibilidade depende da combinação entre céu limpo e baixa poluição luminosa. Cidades de médio porte e áreas de periferia afastadas do miolo comercial tendem a oferecer melhores condições. Ainda assim, a Lua Cheia em declínio desta sexta-feira segue visível a olho nu em grande parte do país, desde que as nuvens não encubram o horizonte leste no começo da noite.

O que observar nos próximos dias

Quem acompanha o céu hoje percebe um disco ainda robusto, mas ligeiramente “mordido” em uma das bordas. Nos próximos três dias, até a chegada da Lua Minguante em 9 de fevereiro, essa área escura cresce a cada noite. O fenômeno é melhor percebido se o observador comparar mentalmente a forma do disco em dias seguidos, sempre em horários semelhantes. A sequência funciona como uma espécie de aula prática de astronomia a olho nu, gratuita e acessível a qualquer pessoa que se disponha a olhar para cima por alguns minutos.

O restante do mês mantém o ritmo. A Lua Nova de 17 de fevereiro zera a iluminação visível e devolve o céu a um breu propício para observar estrelas e a faixa da Via Láctea em locais escuros. A partir de 24 de fevereiro, a fase Crescente volta a desenhar a conhecida “unha” de luz sobre o horizonte, prenúncio de uma nova Cheia no ciclo seguinte. O calendário do Inmet, atualizado mês a mês, serve como guia para quem pretende planejar observações, viagens ou atividades ligadas à natureza. Em um cotidiano dominado por relógios digitais, o vai e vem de luz do satélite natural continua a marcar o tempo com a precisão silenciosa de um relógio cósmico.

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