Ultimas

Homem-bomba mata 31 em mesquita perto de Islamabad; EI assume ataque

Um atentado suicida durante as orações desta sexta-feira (6) em uma mesquita xiita próxima a Islamabad, capital do Paquistão, deixa ao menos 31 mortos e cerca de 170 feridos. O ataque é reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico e acende um alerta sobre a escalada jihadista no país.

Explosão rompe rotina de cidade blindada

A explosão atinge a mesquita Khadija Tul Kubra Imambargah, em uma área semiurbana nos arredores de Islamabad, no momento em que fiéis se concentram para a oração de sexta-feira, a principal da semana para muçulmanos. Um homem-bomba entra no local e detona o artefato, transformando o salão de orações em um cenário de corpos, destroços e gritos por socorro.

Dezenas de feridos se espalham pelos jardins da mesquita, muitos deitados no chão à espera de atendimento. Policiais e equipes médicas improvisam postos de triagem a céu aberto, enquanto ambulâncias fazem viagens sucessivas até hospitais da capital. Autoridades confirmam que pelo menos 31 pessoas morrem no ataque e que quase 170 ficam feridas, algumas em estado crítico.

O alvo é uma mesquita xiita em uma capital considerada fortemente protegida, cercada por postos de controle e bases militares. Atentados a bomba são incomuns em Islamabad, mas o país enfrenta, nos últimos anos, uma retomada de ataques de grupos militantes, que exploram falhas de segurança em áreas urbanas e rurais. O ataque desta sexta-feira expõe essa vulnerabilidade em um ponto que deveria ser seguro: um local de oração.

Estado Islâmico reivindica ataque e amplia clima de medo

Poucas horas após a explosão, o Estado Islâmico reivindica a autoria do atentado. O grupo vem tentando manter presença na região por meio de ataques pontuais, direcionados especialmente contra a minoria xiita, historicamente alvo de campanhas sectárias de extremistas sunitas. A escolha de uma mesquita xiita nos arredores da capital reforça essa estratégia de terror e de provocação sectária.

Autoridades de segurança do Paquistão apontam que o país vive uma “onda crescente” de atividade de grupos jihadistas desde os últimos anos, com atentados em províncias de fronteira e cidades médias. A ofensiva desta sexta-feira, em uma cidade sob forte vigilância, amplia o temor de que células extremistas estejam conseguindo furar o bloqueio de inteligência e segurança montado em torno de Islamabad.

Do lado de fora dos hospitais, parentes procuram nomes em listas afixadas às pressas em paredes e portas. Médicos trabalham além da capacidade em emergências lotadas. A cena se repete em tragédias desse tipo no país, mas ganha peso adicional quando ocorre tão perto do centro político e militar do Paquistão, onde se concentram ministérios, quartéis e sedes de agências de segurança.

Condenação internacional e pressão por respostas

O ataque provoca reação imediata no exterior. O secretário-geral da ONU, António Guterres, condena o atentado “nos termos mais fortes” e fala em “violência covarde” contra fiéis em momento de oração. A declaração reforça a leitura de que o episódio não é apenas um ataque interno, mas parte de uma disputa mais ampla em torno da presença jihadista no sul da Ásia.

Diplomatas ressaltam que o atentado tende a aumentar a pressão sobre o governo paquistanês para reforçar o monitoramento de grupos extremistas, dentro e fora de seu território. Países que cooperam em inteligência e segurança com Islamabad cobram ações mais coordenadas, tanto no controle de fronteiras quanto no rastreamento de financiamento e recrutamento de militantes. O atentado desta sexta-feira vira exemplo concreto nas discussões internacionais sobre combate ao terrorismo.

Organizações humanitárias começam a mobilizar ajuda para hospitais locais e apoio psicológico para sobreviventes e famílias das vítimas. Cada número divulgado pelas autoridades esconde histórias de perda: chefes de família, comerciantes de bairro, jovens que se preparam para exames escolares, idosos que mantêm a rotina de oração. A dimensão humana da tragédia alimenta o debate sobre a proteção de civis em regiões sujeitas à ação recorrente de grupos armados.

Paquistão revisa segurança enquanto incertezas crescem

O governo paquistanês já discute o reforço de barreiras de controle em torno de mesquitas e centros religiosos, em especial em áreas urbanas. A tendência é de aumento imediato da presença policial e militar em Islamabad e nas cidades vizinhas, com revistas mais rígidas e monitoramento intensificado de suspeitos. Essas medidas, porém, esbarram em um dilema conhecido: como ampliar a segurança sem paralisar a vida cotidiana de milhões de pessoas.

Especialistas em segurança alertam que a resposta não pode ser apenas reativa. Em meio à comoção, cresce a cobrança por políticas consistentes de prevenção, que envolvam inteligência, cooperação regional e combate a redes de radicalização. O atentado na Khadija Tul Kubra Imambargah, com 31 mortos e quase 170 feridos, se torna símbolo dessa encruzilhada. A pergunta que permanece, enquanto famílias enterram seus mortos nos próximos dias, é se o país e seus aliados conseguirão transformar a indignação de hoje em ações capazes de evitar o próximo ataque.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *