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Trump diz que viu só início de vídeo racista com Obamas e recusa pedido de desculpas

Donald Trump afirma ter visto apenas o começo de um vídeo de teor racista envolvendo Barack e Michelle Obama, publicado na noite de quinta-feira em suas redes sociais e depois apagado. O ex-presidente dos Estados Unidos se recusa a pedir desculpas pelo conteúdo, apesar da pressão pública e política.

Polêmica reacende debate sobre racismo e poder nas redes

O episódio ocorre às vésperas de 7 de fevereiro de 2026 e rapidamente domina o debate político americano. Em poucos minutos, o vídeo, considerado ofensivo por líderes negros e grupos de direitos civis, circula por milhões de perfis, antes de ser removido das plataformas oficiais de Trump. A remoção não encerra a crise. Em entrevista posterior, o republicano confirma que o material partiu de sua equipe, mas sustenta que só assiste ao início e não vê motivos para retratação pública.

A recusa em pedir desculpas expõe mais uma frente de tensão em um país ainda marcado pelos protestos de 2020 contra a violência policial e pelo aumento de crimes de ódio. Organizações como a NAACP e a ACLU classificam o vídeo como “explicitamente racista” e cobram responsabilização. Aliados democratas de Barack Obama, que governou entre 2009 e 2017, dizem que o caso ultrapassa o terreno da disputa partidária e toca em feridas centrais da história americana, da escravidão às leis de segregação do século 20.

Trump dobra a aposta e transforma crise em palanque

Em sua declaração oficial, Trump tenta se distanciar do conteúdo sem admitir erro. Ele diz que “viu apenas o início” do vídeo, minimiza o impacto das imagens e responsabiliza críticos e imprensa por, nas palavras dele, “histeria fabricada”. Em seguida, afirma que não fará qualquer pedido de desculpas, nem aos Obama nem ao público, sustentando que “não há do que se desculpar”. O argumento ecoa estratégias usadas por ele desde 2015, quando entra na política nacional com ataques a imigrantes mexicanos e questionamentos à certidão de nascimento de Barack Obama.

Líderes republicanos adotam posição dividida. Parte da cúpula do partido evita condenar abertamente o ex-presidente, com receio de desagradar uma base que ainda responde por mais de 30% do eleitorado, segundo levantamentos recentes. Outra ala, preocupada com o impacto em estados decisivos, vê o episódio como mais um obstáculo para a tentativa de ampliar o apoio além do núcleo fiel. Entre democratas, a avaliação é que o caso reforça a imagem de um líder disposto a instrumentalizar o ressentimento racial para manter relevância política.

Impacto político, jurídico e social do novo embate

O vídeo reacende discussões sobre responsabilidade de figuras públicas no ambiente digital. Juristas e especialistas em regulação de tecnologia lembram que plataformas como X, Facebook e Instagram enfrentam, há pelo menos cinco anos, pressão crescente do Congresso americano para moderar discursos de ódio. Episódios anteriores, como a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, já haviam levado à suspensão de Trump das principais redes. A volta gradual de seus perfis, em 2023 e 2024, veio acompanhada da promessa de regras mais rígidas para conteúdos que incitem violência ou discriminem grupos minoritários.

O caso atual coloca essas promessas à prova. Organizações de monitoramento digital cobram transparência sobre quem autoriza, edita e publica materiais ligados a políticos de alta projeção. Também questionam se o simples ato de apagar o vídeo, horas depois, é suficiente para reparar o dano simbólico em um país com mais de 40 milhões de cidadãos negros. Estudiosos da polarização alertam que o episódio pode aprofundar a sensação de impunidade entre extremistas e, ao mesmo tempo, alimentar frustração em comunidades que já percebem avanço lento em justiça racial, mesmo após decisões como a eleição de Obama em 2008.

Redes sociais sob pressão e incertezas no horizonte

A reação internacional amplia o alcance da crise. Governos europeus e organismos multilaterais apontam o caso como exemplo da dificuldade global em conter discursos de ódio em ambientes online. Nos bastidores, executivos de tecnologia observam o desfecho com atenção, temendo novas propostas de lei que imponham multas bilionárias a empresas que tolerem conteúdo discriminatório. Parlamentares democratas já falam em audiências públicas e em revisar, em até 12 meses, dispositivos legais que hoje blindam plataformas de parte da responsabilidade sobre o que seus usuários publicam.

No campo político, assessores de Trump calculam os riscos. A leitura imediata é que a controvérsia pode fortalecer a conexão com apoiadores mais leais, que veem no ex-presidente alguém perseguido pela mídia e pelo establishment. Ao mesmo tempo, estrategistas admitem reservadamente que episódios assim afastam eleitores indecisos e jovens, cada vez mais sensíveis a sinais de racismo e intolerância. A dúvida que permanece é se a aposta na confrontação permanente continuará rendendo dividendos eleitorais em um país cansado de crises sucessivas ou se, desta vez, a fronteira do aceitável foi ultrapassada também para parte do centro político.

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