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Santos inicia negociação para comprar Moisés e aliviar caixa do Fortaleza

O Santos abre negociação em fevereiro de 2026 para contratar em definitivo o atacante Moisés, do Fortaleza, e reforçar o elenco para a temporada. A possível venda ajuda o clube cearense a cumprir a meta de arrecadar R$ 65 milhões após o rebaixamento e alivia a pressão financeira no Pici.

Santos mira reforço conhecido de Vojvoda

A investida santista mira um jogador que o técnico Juan Pablo Vojvoda conhece bem. Moisés vive seu segundo ciclo no Fortaleza e se destaca pela velocidade na ponta esquerda, função em que o Peixe já tem nomes como Neymar e Barreal. A diretoria paulista, porém, avalia que o calendário de 2026 e a exigência física da Série B justificam a busca por mais profundidade no ataque.

O movimento ocorre ainda no início de fevereiro, fase em que os clubes ajustam elencos e folhas salariais para a temporada. O Santos tenta se posicionar cedo no mercado da Série B, em meio à disputa por jogadores de lado de campo. A preferência é por uma transferência em definitivo, o que atende ao interesse do Fortaleza em fazer caixa, mas esbarra na multa rescisória considerada alta para os padrões atuais da divisão.

Pressão financeira no Fortaleza acelera decisão

O Fortaleza entra em 2026 sob forte obrigação de venda. Mesmo após várias saídas desde o rebaixamento, o clube ainda precisa atingir R$ 65 milhões em negociações para fechar a conta do ano. A diretoria sabe que atletas com mercado, como Moisés, são peças-chave para alcançar esse número sem desmontar completamente o elenco que disputa a Série B.

O cenário é sensível no Pici. A queda mudou a realidade financeira, reduziu receitas de TV e patrocínios e obrigou cortes. O próprio Moisés descreve o impacto em tom pessoal. Em dezembro, quando já era alvo de sondagens, o atacante falou sobre a nova fase. “Essa queda é frustrante para algumas famílias. A folha muda muito, cai pela metade. Vários jogadores acho que vão sair”, afirmou, em entrevista reproduzida pelo Diário do Nordeste.

A declaração expõe a tensão nos bastidores. Moisés não esconde que sua multa contratual é um obstáculo para qualquer negociação. “Como todos sabem, tenho a multa. As equipes que procuram sabem que vão ter dificuldade, por essa multa ser um pouco alta”, disse na mesma ocasião. Esse é o ponto central da conversa com o Santos: transformar o interesse esportivo em um acordo que encaixe no orçamento dos dois lados.

Dentro de campo, o Fortaleza ainda depende do atacante. Moisés e Vitinho são hoje os únicos jogadores de lado de campo no elenco principal. O clube procura reforços, mas encontra um mercado inflacionado, em que pontas decisivos custam caro mesmo em cenário de rebaixamento. A diretoria equilibra a necessidade de venda com o risco esportivo de perder um dos poucos homens de velocidade disponíveis para a Série B.

O que muda para Santos, Fortaleza e Série B

A chegada de Moisés ao Santos, se confirmada, reorganiza o ataque alvinegro. Vojvoda ganharia uma peça que já conhece seu método de trabalho desde os tempos de Tricolor do Pici, o que reduz tempo de adaptação. O treinador poderia alternar o jogador com Neymar e Barreal na ponta esquerda, além de utilizá-lo por dentro em jogos que exigem mais transição e pressão alta.

Os números recentes mostram um atleta ainda em reconstrução física, mas com margem de crescimento. Em 2025, Moisés disputa 28 partidas, marca quatro gols e oferece duas assistências. Em abril, sofre uma lesão grave e volta aos gramados apenas em outubro, o que explica a queda de ritmo. Em 2026, soma seis jogos sem participação direta em gols, mas recupera minutagem e confiança durante o início da temporada.

Para o Fortaleza, uma venda significativa de Moisés representaria um avanço importante na meta de arrecadação. Uma negociação de médio porte já reduziria a pressão por outras saídas, preservando pilares de setores carentes. Ao mesmo tempo, o clube teria de agir rápido no mercado para repor a perda, evitando entrar na Série B com apenas um ponta de origem no elenco.

O possível acerto movimenta também o tabuleiro da própria divisão. A Série B de 2026 caminha para ser uma das mais disputadas dos últimos anos, com clubes de grande torcida e orçamentos distintos. Reforços de impacto em posições-chave podem pesar em uma campanha de acesso ou em um ano de sobrevivência. Um jogador como Moisés, com experiência recente em Série A e em competições continentais, tende a elevar o nível técnico da competição.

Bastidores, entraves e próximos passos da negociação

As conversas avançam em um ambiente em que nenhum dos lados admite publicamente detalhes de valores ou prazos. A multa de Moisés serve como ponto de partida, mas não deve ser totalmente cumprida. O caminho provável passa por um acordo intermediário, com pagamento em parcelas e eventuais gatilhos por metas esportivas, prática comum em negociações entre clubes nacionais.

O jogador observa o movimento com cautela. Em dezembro, ao falar sobre o futuro, fez questão de ressaltar o peso do Fortaleza em sua carreira. “É um clube gigante, que me acolheu muito bem. Presidente, staff, diretoria, todos que fazem parte do grupo”, disse. A fala indica gratidão, mas não fecha a porta para uma saída em cenário de reestruturação financeira e esportiva.

O Santos trabalha com a pressão do tempo. Fevereiro marca o período de ajustes finais, amistosos e início de competições estaduais, que servem como laboratório para o elenco principal. A diretoria quer oferecer a Vojvoda um grupo mais próximo do ideal antes do início da Série B, evitando correções de rota no meio do torneio.

Fortaleza observa o mesmo relógio. A necessidade de bater a meta de R$ 65 milhões não some com o passar das rodadas. Cada semana de incerteza afeta planejamento, contratações e até o ambiente do vestiário. A definição sobre Moisés tende a ser um dos movimentos que indicam qual será o peso esportivo e financeiro do clube em 2026. A negociação com o Santos responde, em última instância, a uma pergunta que ainda ecoa no Pici: quanto vale segurar um titular em meio à reconstrução?

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