CBF divulga tabela da Série B de 2026 e cria playoffs de acesso
A CBF divulga, na noite desta sexta-feira, a tabela-base da Série B do Campeonato Brasileiro de 2026 e oficializa mudanças no acesso à elite. A competição começa em 20 de março, não para durante a Copa do Mundo e passa a definir metade das vagas na Série A em playoffs.
Calendário cheio em ano de Copa e clássico logo na largada
O documento publicado no site da entidade organiza 38 rodadas entre 20 de março e 14 de novembro, com jogos espalhados por praticamente oito meses. A Série B atravessa todo o calendário nacional e, ao contrário da Série A, segue em andamento durante a Copa do Mundo, o que transforma o planejamento de clubes, atletas e torcedores em 2026.
As datas da primeira rodada ficam entre 20 e 22 de março. Botafogo-SP, Fortaleza, Novorizontino, Londrina, Athletic, Ponte Preta, Operário-PR, Atlético-GO, Ceará, São Bernardo, Goiás, América-MG, Avaí, Juventude, Náutico, Criciúma, Cuiabá, Sport, Vila Nova e CRB inauguram a maratona que fecha em 14 de novembro, em rodada unificada. O primeiro clássico regional da competição aparece cedo: Vila Nova e Atlético-GO se enfrentam em Goiânia pela terceira rodada, marcada para o intervalo de 3 a 5 de abril.
O recorte inicial da tabela evidencia uma Série B com viagens longas e concentração de jogos em fins de semana, com algumas datas intermediárias. Entre a estreia e o fim de julho, os clubes atravessam 19 rodadas, praticamente uma partida por semana. A reta final, de agosto a novembro, repete o ritmo, sob risco de desgaste físico elevado, especialmente para elencos mais curtos.
A decisão de manter a bola rolando durante a Copa contrasta com a Série A, que será paralisada no período do Mundial. Na prática, a segunda divisão ocupa um espaço de mercado sem concorrência direta dos grandes clubes da elite, mas obriga times e técnicos a lidar com ausências de jogadores convocados e impactos logísticos em meio a um calendário tradicionalmente apertado.
Novo formato de acesso aquece disputa e muda estratégia
O anúncio confirma também uma mudança estrutural na porta de entrada para a Série A. A partir de 2026, os dois primeiros colocados da tabela garantem vaga direta na elite, enquanto os times do 3º ao 6º lugar disputam playoffs pelas outras duas vagas. O modelo aproxima a Série B de formatos usados em ligas estrangeiras e prolonga a competição esportiva até as últimas rodadas.
Na prática, mais clubes entram na reta final com chance real de acesso. Uma equipe que oscila no primeiro turno, mas reage e termina em sexto lugar, segue viva na briga pela elite. Por outro lado, o terceiro colocado deixa de ter a segurança garantida historicamente e passa a correr o risco de ficar pelo caminho em dois confrontos eliminatórios. A matemática do campeonato muda: não basta mais apenas terminar no G4, é preciso se posicionar bem para evitar cruzamentos desfavoráveis.
Dirigentes ouvidos ao longo da temporada de 2025 já demonstravam preocupação com um calendário mais longo e com a possibilidade de jogos decisivos em datas próximas ao fim do ano. Com a tabela 2026 em mãos, o cenário ganha contornos concretos. Preparação física, rotação de elenco e reforços pontuais ganham peso, assim como a gestão de pressão nas últimas rodadas, quando uma derrota pode significar perder vaga direta e encarar um playoff de alto risco.
O novo desenho tende a valorizar a audiência televisiva da Série B e o interesse das torcidas. Jogos do meio da tabela, que em anos anteriores se tornavam protocolares a partir da 25ª rodada, passam a carregar peso de classificação. Um clube que chega em décimo na virada para setembro ainda pode mirar o sexto lugar, o que sustenta média de público, engajamento nas redes sociais e receita de matchday até mais tarde na temporada.
Analistas de mercado do futebol brasileiro apontam outro efeito possível: a mudança na composição da Série A nos anos seguintes. Clubes de massa que hoje alternam entre as divisões ganham mais uma porta de entrada, mas também encaram um funil mais incerto. Uma campanha sólida de 38 rodadas pode ruir em três jogos ruins no playoff, o que fortalece o discurso de planejamento de longo prazo, mas também aumenta a margem para surpresas.
Pressão sobre elencos e debate sobre desgaste em 2026
A decisão de não interromper a Série B durante a Copa do Mundo abre um debate imediato sobre desgaste físico e qualidade técnica das partidas. Em um calendário de 38 rodadas em 239 dias, a média fica próxima de um jogo a cada seis dias, sem contar viagens longas entre Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul. Qualquer avanço em Copas estaduais ou na Copa do Brasil empurra os elencos para uma rotina de dois jogos por semana em vários períodos.
Preparadores físicos projetam maior risco de lesões musculares e necessidade de rodízio constante. Times com orçamento maior podem montar elencos mais longos e absorver melhor a maratona. Clubes com folha salarial enxuta tendem a apostar em juventude e em estrutura de recuperação, sob pena de perder peças-chave em momentos decisivos. Em um campeonato em que a diferença de orçamento entre o mais rico e o mais modesto pode passar de 300%, cada lesão pesa na tabela.
Para o torcedor, a experiência também muda. Em vez de um hiato durante a Copa, a Série B oferece jogos enquanto a seleção brasileira entra em campo no Mundial. A coincidência de datas divide a audiência, mas pode beneficiar praças em que o vínculo com o clube local é forte o bastante para levar gente ao estádio mesmo com a Copa na TV. Estádios médios, com capacidade entre 10 mil e 25 mil pessoas, tornam-se laboratórios para medir até onde vai esse apelo.
O calendário confirmado ainda movimenta bastidores de transmissão e patrocínio. Plataformas de streaming e emissoras abertas e fechadas negociam pacotes de jogos com potencial de audiência em meses historicamente dominados por torneios internacionais. Marcas que buscam visibilidade durante a Copa encontram na Série B uma vitrine nacional, com 20 clubes espalhados por diferentes mercados regionais.
Os próximos passos cabem agora aos clubes, que ajustam pré-temporada, agenda de contratações e logística de viagens à nova realidade. O clássico goiano na terceira rodada, a maratona que atravessa a Copa do Mundo e o formato de playoffs formam um cenário de risco e oportunidade. A Série B de 2026 testa o limite do calendário brasileiro e deixa uma pergunta que só será respondida em novembro: quem chega inteiro e pronto para subir?
