Com um a menos, Coritiba perde no fim para o Bragantino no Couto
O Coritiba volta à Série A com derrota dolorosa. Mesmo com um jogador a menos desde o primeiro tempo, o time perde por 1 a 0 para o Red Bull Bragantino, nesta quarta-feira (28), no Couto Pereira, em gol sofrido aos 45 minutos do segundo tempo.
Expulsão muda o jogo na volta à elite
A noite em que o Coritiba reencontra a Série A depois de duas temporadas na Segundona rapidamente se transforma em teste de resistência. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Josué é expulso após revisão do VAR, e a estratégia desenhada para a estreia desaba ainda na metade inicial. O Bragantino aproveita a vantagem numérica, empurra o Coxa para o próprio campo e só encontra o gol no fim, com Juninho Capixaba, diante de 19.637 torcedores.
O início sugere outro roteiro. Empurrado pela arquibancada, o time de Fernando Seabra pressiona alto, recupera bolas no campo ofensivo e finaliza primeiro com Pedro Rocha. Na sequência, Josué recebe boa chance e chuta para fora. O Couto vibra com cada dividida, e a volta à elite parece, por alguns minutos, uma festa controlada. A virada de clima começa em um erro simples. Pedro Morisco se complica na saída de bola, entrega o contra-ataque e obriga Josué a fazer a falta em lance frontal. O árbitro Paulo Cesar Zanovelli da Silva inicialmente mostra o amarelo, mas, chamado ao monitor, muda a cor do cartão. O vermelho a um dos principais homens do meio desorganiza o Coritiba e acende o protesto nas arquibancadas.
Mesmo com dez em campo, o time não se encolhe por completo. Na melhor chance da primeira etapa, Lucas Ronier cobra falta da esquerda, Pedro Rocha desvia de cabeça e a bola passa rente à trave de Cleiton. A jogada arranca aplausos e mantém o torcedor ligado ao time, ainda que a tensão com a arbitragem cresça a cada dividida. O intervalo chega com o placar zerado e a sensação de que, com organização, o empate é possível.
Morisco segura o time até o limite
Fernando Seabra volta para o segundo tempo com desenho mais cauteloso. Bruno Melo recua e forma linha de três zagueiros com Maicon e Tiago Cóser, enquanto os pontas descem alguns metros para proteger a área. A prioridade passa a ser sobreviver com um ponto em casa na estreia, ainda que o contexto cobre iniciativa. O Bragantino, treinado por Vagner Mancini, aumenta a circulação de bola, gira o jogo de um lado ao outro e tenta explorar o cansaço natural do time paranaense.
Aos 10 minutos, o Couto explode outra vez, desta vez pela sensação de justiça. Em lance duro, o zagueiro Pedro Henrique recebe cartão vermelho direto. A expulsão dura pouco: Zanovelli consulta o VAR e volta atrás, mantendo o Bragantino com onze. A reversão acende a revolta nas arquibancadas e reforça a impressão de desequilíbrio nas decisões de campo. O clima pesa, mas quem se mantém frio é o goleiro de 22 anos que estreia na elite como protagonista inesperado.
Pedro Morisco acumula defesas importantes ao longo do segundo tempo. Em finalizações de Mosquera, Lucas Barbosa e Eduardo Sasha, o goleiro se estica, fecha ângulo e mantém o Coritiba vivo no jogo. São ao menos dez intervenções registradas, algumas em sequência, que seguram o 0 a 0 enquanto a equipe tenta respirar em raros contra-ataques de Lavega e Pedro Rocha, depois de Breno Lopes. A cada defesa, o estádio reage com alívio e reconhecimento. No campo, o Coxa já não consegue manter a posse e se encolhe perto da área, com Wallisson, Sebastían Gómez e os zagueiros em linha compacta para bloquear cruzamentos.
O desgaste cobra preço no fim. Aos 45 do segundo tempo, quando o empate parece garantido, o Bragantino encontra espaço pelo lado esquerdo. Depois de troca de passes, Juninho Capixaba aparece na área e finaliza para enfim superar Morisco. O gol silencía parte da torcida, enquanto o pequeno grupo de visitantes comemora a vitória por 1 a 0 que abre a campanha paulista no Brasileirão. O apito final vem poucos minutos depois, sob uma mistura de aplausos ao esforço e vaias ao resultado.
Pressão em casa e alerta para a temporada
A derrota na estreia pesa pelo contexto acumulado. O Coritiba já não vence no Couto Pereira desde outubro de 2025, e o novo tropeço amplia um jejum que ultrapassa três meses de calendário. O clube volta à Série A carregando a obrigação de transformar o estádio em aliado, e começar 2026 com revés diante de 19.637 pagantes, que geram renda de R$ 420 mil, reforça a pressão sobre elenco e comissão técnica. A torcida reage mais ao esforço com um a menos do que ao placar, mas a matemática da tabela não oferece desconto.
O resultado também mantém a escrita recente no confronto. O Red Bull Bragantino sustenta invencibilidade contra o Coritiba na era em que aparece entre os clubes mais organizados do país, com estrutura empresarial e investimento constante em elenco jovem. O time paulista volta para Bragança Paulista com três pontos e a sensação de ter confirmado o favoritismo diante de um rival em reconstrução. Juninho Capixaba, autor do gol aos 45, lidera a comemoração em campo e simboliza a paciência de uma equipe que não abandona o plano de jogo mesmo diante de um goleiro em noite inspirada.
Dentro do vestiário alviverde, o protagonismo de Pedro Morisco muda de tom. O jovem goleiro, responsável por dez defesas, sai valorizado apesar do gol sofrido. A atuação fortalece sua posição na disputa interna e pode influenciar futuras conversas de mercado, em um cenário em que clubes da Série A observam com atenção jogadores sub-23. O episódio da expulsão de Josué, por outro lado, acende alerta sobre controle emocional e tomada de decisão em partidas de alto peso, especialmente em um campeonato longo, com 38 rodadas, em que detalhes definem permanência ou rebaixamento.
Agenda cheia e necessidade de resposta rápida
O calendário não oferece muito espaço para luto esportivo. No próximo sábado, dia 31, às 16h, o Coritiba volta a campo pelo Campeonato Paranaense contra o Cianorte, no estádio Olímpico Albino Turbay. A partida vira oportunidade imediata para quebrar a sequência negativa e recuperar confiança antes da segunda rodada do Brasileirão. A comissão técnica deve administrar desgaste físico após 60 minutos em inferioridade numérica, mas não tem margem para poupar demais em um momento de cobrança crescente.
Pelo Brasileiro, o próximo compromisso alviverde é contra o Cruzeiro, na quinta-feira, 5 de fevereiro, às 21h30, em Minas Gerais. Um novo resultado ruim pode acentuar o peso da largada e transformar a volta à elite em um início de caminhada turbulento. Do outro lado, o Bragantino enfrenta o São Bernardo pelo Campeonato Paulista e recebe o Atlético-MG em 4 de fevereiro, às 19h, em Bragança Paulista, já mirando a parte de cima da tabela desde o primeiro mês. A pergunta que fica para o torcedor coxa-branca é se a atuação combativa com um a menos será ponto de partida para reação ou prenúncio de uma temporada em que o time jogará sempre no limite.
