Fluminense vence Grêmio, mantém série em casa e estreia em 2º
O Fluminense vence o Grêmio por 2 a 1 nesta quarta-feira (28), no Maracanã, e estreia no Brasileirão de 2026 em alta. Com gols de Nonato e Lucho Acosta, o time chega a 13 vitórias seguidas como mandante e assume a vice-liderança do campeonato. Carlos Vinícius desconta para os gaúchos no segundo tempo.
Maracanã vira trunfo e sequência ganha peso histórico
O resultado desta noite não vale só três pontos na abertura do campeonato. A vitória consolida o Maracanã como um ativo competitivo central na temporada tricolor. Desde 28 de setembro do ano passado, quando bate o Botafogo por 2 a 0 pela 25ª rodada do Brasileirão de 2025, o Fluminense não sabe o que é tropeçar em casa. São 13 vitórias seguidas como mandante, uma sequência que começa a flertar com a história do clube.
A marca atual ainda não alcança o recorde tricolor, de 16 triunfos consecutivos como mandante entre 1941 e 1942, mas recoloca o time em uma faixa raríssima de desempenho. Em um campeonato de pontos corridos, a consistência em casa costuma separar quem disputa o título de quem apenas compõe a parte de cima da tabela. O início de 2026 reforça essa tendência e oferece uma sinalização clara aos rivais diretos.
Primeiro tempo morno abre caminho para segunda etapa elétrica
O jogo começa travado, longe da expectativa criada pela estreia entre dois campeões nacionais recentes. O Fluminense controla a bola, tenta acelerar pelos lados e soma cinco finalizações na primeira etapa, mas só acerta o alvo uma vez. O Grêmio, recuado, responde em contra-ataques tímidos e arrisca quatro chutes, todos para fora. O 0 a 0 ao intervalo sintetiza um duelo mais brigado do que bem jogado.
Na saída para o vestiário, Nonato resume o sentimento tricolor diante da pouca efetividade ofensiva. “Jogo desse nível é sempre um detalhe que decide o jogo. A gente está pecando no último passe, na própria finalização mesmo. Vamos ouvir o que o Zubeldía tem para falar para tentar consolidar esse bom primeiro tempo”, diz o meia à Cazé TV. As palavras antecipam a virada de chave que vem logo na volta para o campo.
O relógio mal completa um minuto da segunda etapa quando o Maracanã explode. John Kennedy briga pela sobra na área, faz o pivô e rola para Renê chegar batendo. Weverton defende, mas a bola sobra limpa para Nonato empurrar para o gol e abrir o placar. O lance destrava a partida e impõe ao Grêmio a necessidade de se expor. Poucos minutos depois, o estádio prende a respiração ao ver John Kennedy mancando, em um sinal de desgaste precoce que preocupa Zubeldía para a sequência de jogos.
A vantagem no placar não afrouxa o ritmo tricolor. O Fluminense mantém a pressão, empurra o adversário para o próprio campo e só não amplia de imediato porque Weverton começa a se destacar. O goleiro gremista faz pelo menos duas grandes defesas, em chutes de média distância, e segura o time no jogo. A resistência, porém, dura pouco.
Aos 13 minutos, uma jogada ensaiada em escanteio amplia o placar e expõe a atenção do time carioca às bolas paradas. Renê cobra o corner rasteiro para a entrada da área, e Lucho Acosta chega batendo de primeira, de chapa, na bochecha da rede. O 2 a 0 parece encaminhar a vitória e transforma o clima nas arquibancadas em celebração. O gol reforça o protagonismo do argentino na criação de jogadas e alimenta a discussão sobre sua presença em qualquer lista de destaques da rodada.
O Grêmio só entra de vez no jogo depois da metade da segunda etapa. Aos 29 minutos, Pavón cruza na área, Gustavo Martins desvia de cabeça e a bola sobra para Carlos Vinícius finalizar com força, no alto, sem chances para Fábio. O 2 a 1 devolve alguma tensão ao Maracanã e abre espaço para uma reta final mais dramática do que o Fluminense gostaria.
Nos minutos finais, o time gaúcho se lança ao ataque e quase estraga a festa carioca. Em um bate-rebate na pequena área tricolor, a bola sobra limpa para Gustavo Martins, que chuta muito por cima e manda a melhor chance do empate “para a lua”. O lance resume a noite gremista: esforço e volume tardios, mas pouca precisão nos momentos decisivos.
Ancelotti observa, Flu ganha vitrine e Grêmio liga alerta
O jogo ganha um componente extra nas tribunas. Técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti acompanha a partida no estádio e observa de perto vários nomes que podem entrar no radar para a Copa do Mundo de junho. O italiano chega ao Brasil com dois amistosos marcados para março, contra França e Croácia, e ainda sem data definida para anunciar os convocados. A atuação intensa do Fluminense em casa, com pressão organizada e bom aproveitamento das jogadas ensaiadas, ajuda a alimentar conversas sobre possíveis chamados.
Para o time carioca, a vitória na estreia e a vice-liderança provisória do Brasileirão oferecem algo mais do que moral. O desempenho reforça o discurso de que a equipe está pronta para competir em várias frentes em 2026, usando o Maracanã como pilar. A sequência de 13 vitórias como mandante atrai torcida, valoriza atletas e fortalece a posição do clube em negociações com patrocinadores e parceiros comerciais. Em um mercado cada vez mais atento a desempenho consistente, números sólidos em casa pesam tanto quanto títulos recentes.
O Grêmio volta para Porto Alegre com um roteiro diferente. A derrota por 2 a 1 deixa o time na 16ª colocação após a primeira rodada e escancara a urgência de ajustes. A equipe de Luís Castro mostra algum repertório ofensivo, mas sofre para reagir rápido aos gols sofridos e falha na execução nos metros finais. Os próximos dias serão dedicados a equilibrar a disputa simultânea do Gauchão e do Brasileirão, sem perder confiança logo no início da campanha nacional.
Calendário aperta e sequência testa fôlego dos dois tricolores
O Fluminense mal tem tempo para celebrar. No domingo, volta a campo pelo Campeonato Carioca, quando enfrenta o Botafogo fora de casa pela quinta rodada, em um clássico que também serve de termômetro emocional para a torcida. Pelo Brasileirão, o próximo compromisso é no dia 5 de fevereiro, em Salvador, contra o Bahia, na segunda rodada. A combinação de viagens, gramados diferentes e mudanças de competição coloca à prova a capacidade de Zubeldía de gerir elenco e manter a intensidade exibida no segundo tempo desta noite.
O Grêmio encara agenda igualmente apertada. No sábado, recebe o Juventude pela sexta rodada do Gauchão, em jogo que pode ajudar a reorganizar a confiança antes do retorno ao Brasileirão. Em 4 de fevereiro, o time volta a campo pelo nacional, novamente em casa, diante do Botafogo. A resposta que o torcedor espera passa por aproveitar melhor as chances criadas e transformar o volume ofensivo em pontos. A noite no Maracanã oferece um roteiro claro para os dois lados: quem transformar boas atuações em rotina, dentro e fora de casa, assume vantagem real na longa maratona até dezembro.
