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Atlético-MG e Palmeiras empatam em jogo elétrico na estreia do Brasileirão

Atlético-MG e Palmeiras empatam por 2 a 2 na Arena MRV, em Belo Horizonte, na noite desta quarta-feira (28), pela estreia do Campeonato Brasileiro de 2026. A abertura de temporada para dois candidatos ao título reúne quatro gols, virada, falha decisiva e a expulsão de Jorge Sampaoli, que deixa o Galo sem técnico à beira do campo já na próxima rodada.

Estreia com cara de jogo grande

A primeira partida das equipes no Brasileirão confirma o roteiro de confronto direto na parte de cima da tabela. O empate por quatro gols resume uma noite de alternâncias, em que o Palmeiras começa mais organizado, o Atlético reage na base da insistência e os erros individuais acabam tão determinantes quanto as virtudes coletivas.

Os primeiros minutos mostram um meio-campo travado, com passes errados de lado a lado e pouca criação. O Palmeiras tem leve controle da bola, tenta acelerar com Andreas Pereira e Allan, mas esbarra em imprecisões. O Atlético, pressionado em casa, recorre a lançamentos longos em direção a Hulk e Bernard, sem encaixar as transições.

A primeira chance clara surge justamente em uma jogada individual. Hulk recebe pelo meio, dribla dois marcadores e arrisca de longe. A finalização sai forte, mas passa por cima do gol de Carlos Miguel. A resposta alviverde vem também de fora da área, em chute de Andreas, que obriga Éverson a se esticar.

O Palmeiras transforma o domínio em vantagem na bola parada. Aos poucos, Andreas assume as cobranças, e um escanteio na primeira trave muda o placar. O meia cruza com precisão, Flaco López se antecipa à marcação e testa firme para o fundo da rede. O 1 a 0 dá ao time de Abel Ferreira a tranquilidade para ditar o ritmo, enquanto o Galo insiste em ligações diretas que não encontram Hulk nem Dudu em boas condições.

O cenário muda perto do intervalo. Em uma rara jogada construída pelo chão, o Atlético pressiona a saída adversária, rouba a bola e ocupa a área palmeirense. Murilo não consegue afastar o perigo, erra o corte e deixa a bola viva. Victor Hugo aproveita a sobra, chuta forte e conta com desvio no pé de Carlos Miguel antes de ver a bola entrar. O gol de empate pouco antes do apito devolve o time mineiro ao jogo e acende a Arena MRV.

Virada com gol contra e resposta imediata

O segundo tempo começa com o Palmeiras novamente mais agudo. Em quatro minutos, Ramón Sosa aparece livre na área e perde chance clara, finalizando mal. Flaco López experimenta de fora, Éverson espalma. Piquerez surge como elemento surpresa pela esquerda e quase recoloca o time paulista na frente, em uma sequência que se transforma em blitz alviverde.

O Atlético recua, tenta se proteger e passa a explorar contra-ataques esporádicos. A partida ganha contornos de tensão quando as trocas de Abel e Sampaoli mudam o desenho em campo. Reinier e Cuello entram para dar fôlego ao Galo, enquanto Vitor Roque é acionado para turbinar o ataque palmeirense.

O gol da virada mineira, porém, nasce de um erro grosseiro. Em cruzamento da esquerda, Khellven tenta afastar de primeira dentro da área e pega mal na bola. O chute sai na direção contrária e morre no próprio gol, sem chance para Carlos Miguel. A falha transforma a noite do lateral em pesadelo e coloca o Atlético em vantagem em um momento em que o time pouco produzia no ataque.

O Palmeiras não se entrega. Abel adianta as linhas, empurra o time para o campo ofensivo e encontra em Vitor Roque a resposta rápida. O camisa 9 aproveita desvio de cabeça na intermediária, arranca em direção à área e finaliza em cima de Éverson. A bola volta para ele, que, ligado no rebote, empurra para a rede e faz 2 a 2. O gol mantém o equilíbrio no placar e reforça a disputa simbólica entre elencos badalados que miram o topo ao fim das 38 rodadas.

O ambiente esquenta na reta final. Sampaoli, que já recebe um cartão amarelo por reclamação, volta a contestar a arbitragem de Bruno Arleu de Araújo nos acréscimos da segunda etapa. O segundo amarelo se transforma em vermelho, e o técnico deixa o gramado ainda esbravejando. A expulsão vira ponto de atenção imediato para o Atlético, que perde seu comandante para o próximo compromisso no Brasileirão.

Impacto na tabela e pressão precoce

O empate deixa Atlético-MG e Palmeiras com 1 ponto após a primeira rodada, em um início de campeonato que não oferece margem para acomodação. Em um torneio decidido muitas vezes em detalhes, um resultado equilibrado entre concorrentes diretos pesa na conta final, ainda que em janeiro pareça apenas mais um jogo.

A atuação do Palmeiras, com bom volume ofensivo e duas participações decisivas de Flaco López e Vitor Roque, reforça a profundidade do elenco de Abel Ferreira. A equipe mostra capacidade de criar, mas também expõe fragilidades defensivas e falhas técnicas como a de Murilo no primeiro gol atleticano e a de Khellven no gol contra. Esses lances recolocam a defesa sob análise, justamente em um clube que constrói parte de seu sucesso recente na solidez do sistema defensivo.

O Atlético, por sua vez, alterna momentos de desorganização com lampejos de intensidade. A equipe sofre no meio-campo, erra passes em excesso e só encontra o empate no primeiro tempo porque Victor Hugo aproveita uma rara desatenção rival. A virada nasce de um lance fortuito, mas o time mostra força mental ao sustentar o resultado parcial mesmo acuado, até a reação final do Palmeiras.

A expulsão de Sampaoli adiciona um problema imediato. O argentino, reincidente em discussões com arbitragem ao longo da carreira, agora cumpre suspensão automática na próxima rodada do Brasileiro. A ausência à beira do campo pode alterar a dinâmica de um elenco acostumado a ouvir instruções constantes e a lidar com mudanças táticas durante os jogos. A comissão técnica precisa definir quem assume a liderança momentânea enquanto o treinador fica fora.

Próximos compromissos e cenário para a temporada

Os dois clubes voltam as atenções, neste primeiro momento, aos campeonatos estaduais. O Atlético-MG entra em campo novamente no sábado, dia 31, contra o Pouso Alegre, às 16h30 (de Brasília), fora de casa, pelo Mineiro. A partida serve como laboratório para ajustes no meio-campo e para testar alternativas à ausência de Sampaoli na sequência da temporada nacional.

O Palmeiras viaja a Ribeirão Preto para enfrentar o Botafogo-SP no domingo, às 20h30, pelo Paulistão. Abel Ferreira deve observar o desgaste físico da estreia e a resposta de peças como Vitor Roque, decisivo saindo do banco. A disputa interna por espaço no ataque tende a se acirrar, com reflexos diretos na formação titular para o Brasileiro.

A estreia movimentada na Arena MRV funciona como um recorte do que o campeonato promete oferecer até dezembro: jogos intensos, elencos caros sob pressão constante e pouco espaço para erro. Atlético-MG e Palmeiras saem de campo com um ponto cada, mas carregam lições distintas para a longa maratona que se desenha. A resposta a esse primeiro teste começa a ser construída já no próximo fim de semana.

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