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Trump ameaça Irã com ataque “muito pior” e envia armada ao Golfo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça nesta quarta-feira (28) lançar um ataque “muito pior” contra o Irã se Teerã não aceitar um novo acordo nuclear. Em mensagem na rede Truth Social, ele anuncia o envio de uma armada naval ao Oriente Médio e diz que o tempo para negociar está “se esgotando”.

Mensagem pela rede social acende alerta diplomático

Trump volta a usar as redes sociais como canal de recado militar e diplomático. No comunicado publicado em 28 de janeiro de 2026, ele afirma esperar que o Irã “sente-se à mesa rapidamente e negocie um acordo justo e equitativo — SEM ARMAS NUCLEARES — que seja bom para todas as partes”. O presidente insiste que o prazo é curto: “O tempo está se esgotando, é realmente essencial!”.

O tom mistura pressão e ameaça aberta. Trump recorda que, da última vez em que fez um aviso direto a Teerã, o gesto foi seguido por um ataque militar dos Estados Unidos. “O próximo ataque será muito pior! Não deixem isso acontecer novamente”, escreve. Ao mesmo tempo, tenta enquadrar a escalada como um passo para forçar negociações, não como um fim em si mesmo.

Envio de navios amplia risco de confronto direto

O presidente diz ter ordenado o envio de navios de guerra ao entorno do Irã e afirma que uma segunda “armada” também está a caminho. Fontes militares americanas ouvidas por veículos internacionais descrevem a presença de pelo menos um grupo de porta-aviões na região do Oriente Médio, repetindo o padrão de 2019, quando os EUA deslocaram uma força semelhante após incidentes com petroleiros no Golfo Pérsico. A movimentação atual reforça a percepção de que Washington está disposto a sustentar a pressão com meios concretos, não apenas com declarações.

A região reage com cautela. Países do Golfo, que dependem da navegação no estreito de Ormuz para escoar milhões de barris de petróleo por dia, monitoram o avanço dos navios americanos e eventuais respostas iranianas. Qualquer erro de cálculo pode fechar temporariamente uma rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado por mar no mundo, com impacto direto nos preços internacionais de energia.

Irã nega pedido de negociação e expõe impasse

Teerã reage esfriando o convite. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, afirma, segundo a mídia estatal, que não mantém contato recente com o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e nega ter solicitado negociações. A declaração mostra que, apesar da pressão americana, não há canal político visível em funcionamento neste momento.

O impasse se aprofunda porque as duas capitais partem de pontos opostos. Trump, que retirou os Estados Unidos, em 2018, do acordo nuclear multilateral firmado em 2015 com o Irã e potências europeias, cobra um novo entendimento mais abrangente. O texto original limitava o enriquecimento de urânio iraniano e previa inspeções internacionais em troca do alívio de sanções econômicas. A Casa Branca atual considera o pacto insuficiente e exige garantias explícitas de que o país não desenvolverá armas nucleares sob nenhuma circunstância.

Mercados e vizinhos avaliam custo da escalada

A ameaça de um “ataque muito pior” entra no cálculo de investidores e governos. Qualquer sinal de confronto direto entre Estados Unidos e Irã costuma atingir em cheio o mercado global de petróleo e gás, com reflexos sobre inflação e crescimento em países dependentes de energia importada. Um bloqueio parcial no fluxo pelo estreito de Ormuz, ainda que por poucos dias, pode empurrar o barril para patamares bem acima de US$ 100, como ocorreu em choques anteriores na região.

A tensão também mexe com o tabuleiro político regional. Aliados dos Estados Unidos, como Israel e monarquias do Golfo, veem com bons olhos o endurecimento em relação ao programa nuclear iraniano, mas temem virar alvo de retaliações caso o confronto saia do plano retórico. Grupos alinhados a Teerã, presentes no Líbano, no Iraque, na Síria e no Iêmen, dispõem de mísseis e drones capazes de atingir bases americanas e infraestrutura de energia sensível, o que aumenta a margem de incerteza.

Memória do acordo de 2015 pesa sobre negociações

O histórico recente condiciona cada passo. O acordo assinado em julho de 2015, conhecido pela sigla em inglês JCPOA, levou, por alguns anos, a uma redução verificada do programa nuclear iraniano. Com a saída unilateral dos EUA, em 2018, seguida pela volta de sanções econômicas pesadas, Teerã respondeu retomando gradualmente atividades sensíveis, como o enriquecimento de urânio em níveis mais altos.

A experiência reforça a desconfiança mútua. Autoridades iranianas cobram garantias de que qualquer novo entendimento não será abandonado por uma próxima administração em Washington. Trump, por sua vez, explora politicamente o desgaste do pacto anterior e apresenta sua estratégia como a única capaz de impedir o país persa de alcançar capacidade nuclear militar.

Próximos passos: janela estreita e risco calculado

A combinação de recados públicos, deslocamento de forças e negação iraniana de diálogo imediato cria um cenário de alta tensão e pouca margem de manobra. Sem um canal discreto de negociação, qualquer novo incidente militar ou ataque de milícias aliadas a Teerã pode funcionar como gatilho para a escalada que Trump promete tornar “muito pior”.

Diplomatas europeus e da ONU pressionam nos bastidores por uma retomada gradual de conversas, com algum gesto recíproco que alivie sanções em troca de limites verificáveis ao programa nuclear. Não há até agora, porém, prazo formal para uma rodada de negociações, tampouco sinal público de recuo americano. A próxima movimentação, seja um teste de míssil, seja uma nova mensagem presidencial na Truth Social, tende a indicar se a crise caminha para a mesa de negociação ou para o convés dos navios que já cruzam o Golfo.

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