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Corinthians trava por Alisson e esbarra em negócio de até R$ 19,5 mi

O Corinthians recua, neste fim de janeiro de 2026, na negociação por Alisson e expõe o peso da própria crise. A diretoria considera alto demais o pacote de até R$ 19,5 milhões pedido pelo São Paulo pelo meia de 32 anos e só aceita seguir a conversa se houver forte redução dos valores.

Negócio emperra no preço em ano de caixa estrangulado

A notícia que circula entre dirigentes é que o clube do Parque São Jorge desiste de Alisson após se recusar a pagar os R$ 1 milhão iniciais exigidos pelo São Paulo para o empréstimo. O valor em si não derruba a operação, mas funciona como alerta em um orçamento pressionado por uma dívida que passa de R$ 2,9 bilhões, de acordo com o balanço divulgado no início de 2026.

O presidente Osmar Stabile ouve, nas últimas horas, um recado claro do departamento de futebol e da área financeira: o pacote completo é pesado demais para o tamanho da crise. O desenho da operação inclui R$ 1 milhão à vista agora, mais R$ 500 mil em outubro apenas pelo empréstimo do jogador. Há ainda R$ 1,5 milhão atrelado a metas de participação em campo e uma opção de compra fixada em 2 milhões de euros, algo em torno de R$ 12,5 milhões.

O custo esportivo também entra na conta. Se quisesse escalar Alisson contra o São Paulo, o Corinthians teria de pagar uma espécie de pedágio de R$ 2 milhões por partida. A diretoria faz uma projeção com pelo menos dois clássicos pelo Campeonato Brasileiro e admite ainda o risco de cruzar o rival na Copa do Brasil, o que pode elevar essa fatura. Para completar, o jogador não poderia atuar no Campeonato Paulista, porque já foi inscrito pelo São Paulo na competição.

Stabile é informado de que o clube até reúne condições de bancar o pagamento inicial. O ponto de ruptura está no compromisso total, que se aproxima de R$ 20 milhões por um atleta em reta final de carreira, em um elenco que ainda precisa de reforços em outras posições. Internamente, conselheiros repetem que o negócio “é caríssimo para um atleta de 32 anos” e defendem prioridade para redução de dívidas e manutenção de salários em dia.

Dorival insiste em Alisson, mas perde terreno na diretoria

O técnico Dorival Júnior não desiste de Alisson. Desde o início da pré-temporada, ele argumenta com a direção que o meia é a peça ideal para um ano considerado “difícil” para o Corinthians, com necessidade de um time competitivo, mas financeiramente mais enxuto. Dorival enxerga no jogador a possibilidade de dar mais intensidade à marcação no meio-campo e equilíbrio entre defesa e ataque, algo que ele cobra desde a montagem do elenco.

O treinador conta com o apoio do executivo de futebol Marcelo Paz, que tenta construir uma engenharia financeira para manter a operação viva. A dupla procura alternativas de pagamento parcelado e discute cenários com premiações atreladas a desempenho. Até agora, porém, a resistência da cúpula corintiana prevalece. “Ou o preço de Alisson é muito reduzido, ou não há negociação”, é a síntese que circula nos bastidores do clube.

No São Paulo, o discurso é diferente. O novo coordenador de futebol, o ex-lateral Rafinha, já conversa com Alisson e sinaliza que, se o Corinthians não avançar, ele volta a ser peça do elenco de Hernán Crespo. A mensagem é direta: o meia não fica encostado no Morumbi à espera de uma solução de mercado. “Se não houver negociação com o Corinthians, ele será aproveitado”, diz Rafinha a pessoas próximas, em conversa relatada à reportagem.

A postura tricolor reforça a posição de força na mesa de negociação. Com o jogador sob contrato e inscrito no estadual, o São Paulo não se vê pressionado a reduzir de forma drástica a pedida. A diretoria admite conversar sobre prazos e forma de pagamento, mas não abre mão de um valor considerado compatível com o peso do atleta dentro do elenco.

Pressão das dívidas limita ambição e muda o tabuleiro

A novela por Alisson expõe um cenário conhecido, mas cada vez mais agudo no futebol brasileiro: clubes grandes com dívidas bilionárias e pouca margem para errar em contratações. No caso corintiano, os R$ 2,9 bilhões no vermelho comprimem o investimento no elenco e transformam qualquer aposta de médio porte em decisão estratégica. Cada milhão direcionado a um jogador reduz espaço para outras carências, de laterais a um centroavante de referência.

O recuo também atinge a relação entre comissão técnica e direção. Dorival chega para liderar um projeto de reconstrução, mas esbarra logo no primeiro pedido mais ousado. Se Alisson não vier, o treinador terá de redesenhar o meio-campo com opções mais baratas ou atletas da base, o que pode alongar o tempo de ajuste e gerar impaciência na arquibancada.

Para o São Paulo, o desfecho tem outro peso. A permanência de Alisson abre mais uma alternativa de meio-campo para Crespo e reforça a rotação em um calendário carregado por estaduais, Brasileiro, Copa do Brasil e competições continentais. Ao mesmo tempo, o clube deixa de fazer caixa com um ativo que poderia aliviar parte dos próprios compromissos financeiros, também elevados depois de anos de déficit.

O episódio ainda recoloca sob holofotes a cláusula de R$ 2 milhões por partida contra o São Paulo, que vira símbolo do quanto as negociações entre rivais se carregam de desconfiança e blindagens. A conta potencial dessa trava, somada à multa de compra em euros, ajuda a empurrar o Corinthians para fora da jogada.

Próximos capítulos e uma interrogação no meio-campo

As conversas não estão formalmente encerradas, mas o tom é de espera. No Parque São Jorge, a ordem é manter a postura de austeridade e testar se o São Paulo aceita reduzir de forma significativa a pedida. Qualquer mudança depende de um reposicionamento tricolor ou de uma nova engenharia financeira que não pressione ainda mais o fluxo de caixa corintiano em 2026.

Enquanto isso, Dorival observa o relógio andar. O time estreia em competições nacionais em poucas semanas e ainda não sabe se contará com o meia que o técnico apontou como peça-chave para atravessar o “ano difícil”. Do outro lado, Crespo aguarda a definição para entender se ganha um reforço interno ou se precisará buscar outra solução no mercado. A dúvida que fica, para torcedores e dirigentes, é se o Corinthians pode se dar ao luxo de abrir mão de um jogador que agrada tanto ao treinador ou se, desta vez, a conta finalmente fala mais alto do que o desejo esportivo.

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