Post enigmático do West Ham aquece volta de Paquetá ao Flamengo
O West Ham publica, na noite desta terça-feira (27), um vídeo em tom de despedida de Lucas Paquetá e acende o imaginário rubro-negro. O clube inglês usa uma trilha de saudade e reforça a sensação de que a negociação com o Flamengo entra na reta final.
Um vídeo, uma música e um recado implícito
O vídeo aparece em um dos perfis oficiais do West Ham, já com clima de adeus. A edição reúne lances de Paquetá com a camisa grená, dribles, passes e comemorações recentes na Premier League. A trilha sonora foge do repertório britânico e mergulha no brega romântico brasileiro: “Meu Ex-Amor”, de Amado Batista.
O clube não escreve a palavra despedida, mas sugere tudo ao encaixar um dos trechos mais conhecidos da canção, que fala de saudade e de um amor que fica no passado. “Com sabor de saudade”, diz o verso destacado. Na legenda, o West Ham ainda crava: “Amado Batista não errou quando disse”, num flerte direto com o emocional do público brasileiro.
O timing da publicação não parece casual. A postagem surge justamente quando as conversas entre West Ham e Flamengo avançam para um desfecho. Dentro do clube inglês, a diretoria já aceita receber 41,25 milhões de euros, cerca de R$ 258,2 milhões na cotação atual, em pagamentos distribuídos ao longo de 24 meses. O Flamengo, por sua vez, discute apenas como dividir esse valor em parcelas que não desorganizem o fluxo de caixa em 2026 e 2027.
Negociação em ritmo de novela e pressão da torcida
O negócio se desenha há semanas e transforma Paquetá em protagonista de uma espécie de novela esportiva. O meio-campista, revelado no Ninho do Urubu, mantém desde dezembro um acordo verbal para voltar ao clube que o projetou. O compromisso prevê um contrato de quatro temporadas, suficiente para colocá-lo no centro do projeto esportivo rubro-negro até o fim da década.
Dirigentes do Flamengo tratam a operação como estratégica. A volta de um jogador em idade de auge, com status de seleção brasileira, reforça a ideia de que o clube consegue competir financeiramente com o mercado europeu em casos específicos. A mensagem é dirigida à própria torcida, mas também a outros atletas formados no país e espalhados pelo continente.
O West Ham, pressionado por um mercado intenso e por limites orçamentários da Premier League, calcula o impacto da venda. A aceitação do pagamento em 24 meses indica disposição em chegar a um meio-termo para liberar o jogador. Ao abrir mão de metas variáveis e bônus por desempenho, o clube inglês opta por um valor fixo e previsível, ainda que espaçado.
A torcida do Flamengo reage em tempo real. Assim que o vídeo com “Meu Ex-Amor” começa a circular, redes sociais se enchem de montagens de Paquetá com a camisa rubro-negra, lembranças de gols no Maracanã e contagem regressiva informal para o anúncio. A publicação do West Ham vira combustível para a expectativa e amplia a sensação de irreversibilidade do negócio.
Impacto esportivo e simbólico de um retorno ao Maracanã
Paquetá representa mais do que um reforço de peso para o meio-campo. O Flamengo imagina o camisa 10 como peça central na criação, capaz de fazer a ponte entre volantes e ataque, hoje povoado por nomes de alto investimento. A chegada de um jogador desse perfil tende a alterar o desenho tático da equipe e a hierarquia do elenco.
O valor de 41,25 milhões de euros também reposiciona o Brasil no mapa das negociações de retorno. Montantes dessa ordem ainda são raros no mercado interno, mesmo para clubes com receitas acima de R$ 1 bilhão por ano. Ao assumir esse compromisso financeiro, o Flamengo reforça a aposta em bilheteria forte, direitos de transmissão robustos e exploração comercial intensa da marca Paquetá.
Para o West Ham, a saída de um titular em plena temporada da Premier League abre um buraco técnico e simbólico. O clube perde um meio-campista versátil, capaz de flutuar entre setores e conectar o jogo com qualidade. Em contrapartida, ganha fôlego para reinvestir no elenco em uma janela que exige respostas rápidas para manter competitividade.
O caso também ecoa em outros vestiários. Jogadores brasileiros que vivem momentos instáveis na Europa observam a operação com atenção. A possibilidade de voltar ao país em acordos de longo prazo, com salários competitivos e protagonismo esportivo, ganha corpo. Dirigentes de clubes locais, por outro lado, avaliam se esse modelo é sustentável ou se depende de uma combinação rara de torcida massiva, estádio cheio e vitrine internacional.
Reta final da negociação e o que ainda está em jogo
As próximas horas são dedicadas a números. Flamengo e West Ham ajustam a engenharia financeira para encaixar o pagamento de 41,25 milhões de euros em 24 meses sem romper limites internos. A discussão passa por prazos exatos, garantias bancárias e cronograma de desembolso. A ideia é fechar o acordo ainda nesta janela de transferências, para que Paquetá esteja apto a estrear no primeiro semestre.
O jogador acompanha à distância, mas deixa claro o desejo de voltar. Pessoas próximas relatam ansiedade e contagem regressiva particular. O acordo verbal com o Flamengo prevê vínculo longo, plano esportivo definido e papel de liderança em um elenco acostumado a brigar por títulos nacionais e continentais.
O vídeo com “Meu Ex-Amor” funciona como um capítulo simbólico dessa travessia. A música fala de despedida, mas também de memória afetiva. A pergunta que fica, enquanto os departamentos jurídicos trocam minutas e planilhas, é quando o adeus inglês se transforma, enfim, em reencontro oficial no Maracanã lotado.
