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Caiado negocia saída do União Brasil para disputar Planalto em 2026

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, intensifica neste 27 de janeiro de 2026 as articulações para deixar o União Brasil e viabilizar uma candidatura à Presidência. Ele abre conversas com Solidariedade, Podemos e Republicanos para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.

Caiado testa limites do União Brasil e da direita

O movimento de Caiado rompe a zona de conforto do União Brasil e expõe, com dois anos de antecedência, a disputa por espaço na direita. Em entrevista à rádio Novabrasil, o governador afirma já ter avisado à cúpula do partido que não pretende esperar indefinidamente por uma definição sobre 2026.

“Já disse para o ACM Neto que estou procurando outro partido para me candidatar. Isso é uma realidade que não posso esperar mais. Eu vou até o fim, minha história de vida credencia isso”, declara, referindo-se ao vice-presidente nacional do União Brasil. A declaração escancara o impasse interno e transforma uma negociação de bastidor em fato político nacional.

As conversas com Solidariedade, Podemos e Republicanos correm em paralelo às tratativas com a própria legenda. O cálculo é direto: sem garantia de ser o nome do União Brasil, Caiado busca uma sigla que lhe ofereça legenda, tempo de TV e palanque robusto em ao menos dez grandes colégios eleitorais. O Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surge como uma das alternativas mais sensíveis, por reorganizar o eixo de poder entre governadores aliados de Jair Bolsonaro.

Tarcísio foi tratado, até o fim de 2024, como possível presidenciável da direita antes de o ex-presidente Jair Bolsonaro apontar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu preferido. A entrada de Caiado nesse tabuleiro pressiona esse arranjo preliminar e reabre a disputa por quem fala em nome do eleitorado conservador em 2026.

Disputa na direita e risco de fragmentação

Caiado insiste em um diagnóstico que repete em entrevistas e conversas reservadas: na avaliação dele, Lula se prepara para enfrentar um único nome competitivo da direita no primeiro turno. O governador indica que não pretende ser coadjuvante nesse desenho. Ao se colocar desde já, força partidos médios a escolherem entre apoiar candidaturas ligadas ao bolsonarismo ou apostar em um perfil que tenta se vender como gestor moderado, com quatro anos de mandato em Goiás e passagem pelo Senado.

A movimentação, porém, traz risco imediato de fragmentação. A eventual filiação de Caiado ao Solidariedade ou ao Podemos poderia criar um terceiro ou quarto polo à direita, somado a nomes do PL e do próprio Republicanos. Em 2022, Lula vence Bolsonaro por uma diferença de 2,1 milhões de votos, ou cerca de 1,8 ponto percentual. Dirigentes que acompanham o tabuleiro de 2026 avaliam que a repetição de uma disputa tão apertada torna cada décimo de ponto relevante no cálculo das alianças.

No União Brasil, a saída de um governador em pleno segundo mandato enfraquece o projeto de se firmar como legenda de centro-direita com presença nacional. O partido nasce em 2021 da fusão do DEM com o PSL, que chegou a eleger a maior bancada da Câmara em 2018 sob o impulso de Bolsonaro. Desde então, enfrenta dificuldades para unificar correntes internas e definir um rumo claro na oposição a Lula.

Em Goiás, a postura nacional do governador passa a influenciar diretamente prefeitos e lideranças locais às vésperas das eleições municipais de 2026. O Palácio das Esmeraldas se torna vitrine e laboratório para a narrativa que Caiado pretende levar ao país: gestão fiscal austera, investimentos em infraestrutura e segurança pública como cartão de visita. A estratégia inclui ampliar a presença em rádios, TVs e plataformas digitais de alcance nacional ao longo de 2025.

Próximos passos e pressão sobre alianças

A definição partidária de Caiado tende a ocorrer nos próximos meses, antes das janelas de filiação que antecedem o calendário eleitoral. Interlocutores envolvidos nas conversas apontam o primeiro semestre de 2025 como prazo prático para uma decisão, caso o União Brasil não garanta legenda e protagonismo ao governador. Uma filiação antecipada permitiria montar palanques estaduais, negociar alianças proporcionais e testar sua competitividade em pesquisas de intenção de voto ainda em 2025.

Solidariedade, Podemos e Republicanos observam não apenas o potencial eleitoral do governador, mas o efeito dominó sobre suas bancadas na Câmara e no Senado. A migração de um nome com mandato de governador costuma atrair deputados em busca de espaços em diretórios e tempo de TV, o que pode redefinir o peso dessas siglas nas negociações com PL, PP e o próprio União Brasil. No Planalto, auxiliares de Lula acompanham o movimento como parte de um quadro mais amplo de pulverização da direita, que pode facilitar a vida do presidente em um eventual segundo turno, mas tornar mais imprevisível o primeiro.

Caiado aposta que sua biografia, que inclui carreira como médico, liderança ruralista e trajetória parlamentar iniciada nos anos 1990, o diferencia em um campo hoje marcado por figuras diretamente associadas ao bolsonarismo. A dúvida que se impõe, porém, é se há espaço para mais um nome competitivo à direita sem diluir o voto antipetista. As próximas semanas, com reuniões reservadas em Brasília e em Goiânia, indicarão se ele encontra o partido disposto a bancá-lo até o fim ou se a direita caminha para mais um ciclo de divisão interna às vésperas de 2026.

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