Ciencia e Tecnologia

WhatsApp lança modo de alta segurança para contas em maior risco

O WhatsApp lança nesta terça-feira (27) um modo de alta segurança para contas mais vulneráveis a ataques hackers sofisticados. O recurso, anunciado pela Meta, promete reforçar a proteção de jornalistas, figuras públicas e usuários sob maior risco digital.

Camada extra de proteção para alvo preferencial de ataques

A nova configuração entra em cena em um momento em que golpes e invasões se tornam mais complexos e silenciosos. A empresa apresenta o modo de alta segurança como uma camada adicional, pensada para perfis que lidam com informações sensíveis ou expostos à perseguição online. A Meta afirma que o recurso é indicado para quem precisa de “proteções extremas contra ataques cibernéticos raros e altamente sofisticados”, como repórteres, defensores de direitos humanos e autoridades.

O recurso fica disponível dentro do próprio aplicativo. O caminho passa por Configurações, Privacidade e Configurações Avançadas, onde surge a opção Configurações rigorosas da conta. A partir da ativação, o aplicativo passa a restringir o acesso a mídias e anexos enviados por números que não constam na lista de contatos do usuário. A mudança ataca um ponto sensível da segurança digital: grande parte das tentativas de invasão ou instalação de programas espiões chega justamente por meio de fotos, vídeos, documentos ou links maliciosos.

Menos exposição a arquivos suspeitos, mais atrito na experiência

A aposta do WhatsApp é reduzir drasticamente a superfície de ataque, ainda que ao custo de algum desconforto no dia a dia. Com as configurações rigorosas ativas, o usuário passa a ter uma barreira automática contra anexos potencialmente perigosos enviados por desconhecidos. Ao limitar a visualização de mídias e arquivos, o aplicativo tenta impedir que um simples toque em uma imagem ou documento se transforme na porta de entrada para vírus, espionagem ou sequestro de dados.

A empresa admite, porém, que a medida não vem sem preço. Ao ativar o modo, o usuário é alertado de que “essa configuração reduzirá a qualidade da sua experiência com as mensagens e ligações”. Na prática, isso significa mais fricção na comunicação com novos contatos, grupos desconhecidos e números profissionais que ainda não foram adicionados à agenda. Chamadas podem enfrentar bloqueios adicionais, e o fluxo espontâneo de mensagens tende a ficar mais controlado, algo que pode incomodar quem usa o aplicativo como principal ferramenta de trabalho.

Pressão por segurança deve influenciar outras plataformas

O movimento da Meta reflete a pressão crescente por segurança em aplicativos de mensagens usados por mais de 2 bilhões de pessoas no mundo. Embora a empresa não divulgue números específicos sobre ataques desse tipo, o histórico recente de espionagem digital contra jornalistas e opositores políticos mostra que mesmo alvos considerados “raros” têm impacto alto. Ao oferecer um modo de alta segurança acionado em poucos toques, o WhatsApp tenta responder a críticas frequentes de especialistas, que cobram proteção reforçada justamente para perfis mais expostos.

A adoção em massa ainda é uma incógnita. O recurso tende a atrair primeiro grupos mais organizados, como redações, entidades de classe e equipes de comunicação de autoridades. Se ganhar tração, pode forçar concorrentes a seguir caminho semelhante, adotando controles mais rígidos para anexos e contatos desconhecidos. A novidade também reabre o debate sobre o equilíbrio entre conveniência e segurança: até que ponto usuários estão dispostos a aceitar uma experiência menos fluida em troca de menos risco? As próximas atualizações do aplicativo e a reação de quem vive sob constante ameaça digital vão indicar se o modo de alta segurança vira regra para vulneráveis ou permanece como ferramenta de nicho.

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