Keno se despede do Fluminense e acerta com Coritiba até 2026
Keno encerra, em janeiro de 2026, um ciclo de três temporadas no Fluminense e acerta contrato com o Coritiba até o fim de 2026. O atacante de 36 anos anuncia a despedida nas redes sociais e já se apresenta na capital paranaense para iniciar a nova etapa da carreira.
Despedida emocionada e fim de um ciclo vencedor
O adeus de Keno ao Fluminense ganha forma em um longo texto publicado em seu perfil no Instagram. O jogador fala em missão cumprida e agradece a estrutura, os funcionários e a torcida tricolor, em tom de fim de capítulo, não de ruptura. A mensagem, publicada nesta terça-feira, transforma uma saída anunciada em rito de passagem.
“Com o coração em paz e o sentimento de dever cumprido, me despeço do Fluminense, clube maravilhoso e que abriu as portas para mim e para a minha família”, escreve o atacante. A escolha das palavras reforça o peso afetivo dos três anos nas Laranjeiras e ajuda a explicar a rápida reação da torcida, que lota os comentários com agradecimentos, vídeos de lances decisivos e lembranças do título mais importante da história do clube.
O ponto alto da relação entre Keno e Fluminense acontece em 2023, na conquista inédita da Copa Libertadores. Na final, no Maracanã, o atacante distribui duas assistências, para Germán Cano e John Kennedy, e se consolida como protagonista técnico e emocional daquele time. Na despedida, ele volta a essa imagem como se revisse um filme em câmera lenta. “Jamais me esquecerei daquela tarde de 2023 no Maracanã, quando vencemos a Libertadores. Foi lindo demais”, recorda.
Os números ajudam a dimensionar o impacto. Entre 2023 e 2025, Keno disputa 133 partidas com a camisa tricolor, marca 15 gols e entrega 20 assistências. Participa diretamente de 35 gols, média que o coloca entre os atacantes mais influentes do elenco no período. O currículo inclui ainda o Campeonato Carioca de 2023 e a Recopa Sul-Americana de 2024, conquistas que consolidam a fase mais vitoriosa recente do clube.
O que muda para Fluminense e Coritiba
A saída de um jogador de referência aos 36 anos não é apenas um movimento de mercado. Representa uma mudança de eixo no projeto esportivo do Fluminense para 2026. Sem Keno, o clube perde um atacante capaz de decidir jogos grandes, acostumado a atuar em mata-matas continentais e com leitura madura de momentos de pressão. A lacuna não se mede apenas em gols e assistências, mas em hierarquia no vestiário.
Internamente, a diretoria ganha espaço na folha salarial e abre uma vaga estratégica no setor ofensivo. O movimento tende a acelerar a busca por reforços mais jovens ou por jogadores em ascensão, capazes de manter o time competitivo na Libertadores de 2025 e nas principais competições nacionais. A reconstrução do ataque passa a ser ponto sensível do planejamento tricolor para a temporada.
Para o Coritiba, a contratação de Keno até dezembro de 2026 representa aposta clara em experiência para qualificar o elenco. O clube paranaense leva para o Couto Pereira um jogador com currículo de Libertadores, Recopa e campeonatos estaduais em centro de pressão máxima como o Rio de Janeiro. Em um elenco em formação, esse tipo de referência costuma encurtar o tempo de resposta em campo.
A presença de um atacante campeão continental tende a influenciar também o ambiente fora das quatro linhas. Keno chega com visibilidade, histórico de decisões e relação consolidada com torcidas exigentes. O pacote interessa a um clube que busca retomar protagonismo nas competições nacionais e se afastar de brigas recorrentes contra o rebaixamento. Um jogador com esse perfil pode ser âncora técnica em jogos chave do Brasileirão e da Copa do Brasil.
O impacto ainda se estende ao mercado de mídia e patrocínios. A narrativa de um campeão da Libertadores vestindo a camisa do Coritiba oferece material para campanhas, ações de marketing e ativações com casas de apostas e plataformas esportivas, em um cenário em que a disputa pela atenção do torcedor é diária. Quanto mais reconhecível o rosto no elenco, maior o potencial de engajamento em redes sociais e transmissões.
Nova etapa da carreira e próximos capítulos
Keno desembarca em Curitiba com a missão de provar que a idade não encerra sua relevância em campo. O contrato até o fim de 2026 indica confiança mútua e tempo para construir uma nova história em outro grande centro do futebol brasileiro. A adaptação ao novo clube, à cidade e a um sistema de jogo diferente será observada de perto por torcedores e analistas.
O Fluminense, por sua vez, entra em 2026 com o desafio de renovar a espinha dorsal sem romper com a identidade que o levou ao topo da América em 2023. A saída de um dos símbolos daquela conquista pressiona a diretoria a acertar nas próximas janelas, seja com apostas de menor custo, seja com um novo nome de impacto para as pontas.
A relação entre Keno e a torcida tricolor, no entanto, não se encerra com a assinatura no novo contrato. A maneira como o atacante se despede, com agradecimentos a funcionários e menção direta aos torcedores, preserva pontes e alimenta a memória afetiva de uma geração que associa seu nome ao maior título do clube. Em clubes de massa, esse capital simbólico costuma durar mais do que qualquer vínculo formal.
Os próximos meses dirão se o Coritiba consegue transformar currículo em desempenho e se o Fluminense encontra uma nova referência ofensiva à altura do vácuo deixado. A tarde de 2023 citada por Keno segue como norte para as duas torcidas: para uma, como lembrança de um auge difícil de repetir; para outra, como promessa de que ainda há capítulos importantes a serem escritos.
