Motorista de app é presa com arsenal de guerra em BH
Uma motorista de aplicativo de 27 anos é presa na noite de 26 de janeiro de 2026 ao transportar um arsenal de guerra em Belo Horizonte. A abordagem ocorre no Bairro São Paulo, na Região Nordeste da capital, e expõe o uso de serviços comuns para escoar armamento pesado em área urbana.
Perseguição em via movimentada e descoberta no porta-malas
A viatura da Rotam patrulha a região próxima ao Anel Rodoviário quando o Fiat Mobi branco chama a atenção dos policiais. A motorista acelera de forma brusca ao notar a aproximação das equipes e tenta fugir. A perseguição dura poucos minutos pelas ruas do Bairro São Paulo, até que o carro é cercado e os militares ordenam a parada.
O que parecia mais uma fuga ligada a documentação irregular ou drogas revela algo muito mais grave. No porta-malas, duas malas pesadas chamam a atenção. Ao abrir o compartimento, os policiais encontram três fuzis calibre 5.56, dois deles com coronha retrátil, além de duas pistolas calibre 9 mm e um revólver Taurus com a identificação raspada. Ao lado das armas longas, seis carregadores de fuzil e dois de pistola, todos abastecidos.
Granadas, munição e um elo com o crime organizado
Entre as roupas usadas para tentar disfarçar o conteúdo das malas surgem ainda cinco granadas explosivas. A contagem do material apreendido revela 74 munições de fuzil 5.56, 138 munições de pistola 9 mm, 84 cartuchos de calibre 38 e 19 munições calibre 357. No interior do veículo também são recolhidos dois celulares que agora interessam diretamente à investigação.
Diante dos policiais, a motorista afirma que trabalha por aplicativo e diz enfrentar dificuldades financeiras. Alega que, por isso, aceita transportar malas sem perguntar o que há dentro. O discurso entra em choque com a gravidade do que é encontrado. Durante o registro da ocorrência, ela liga para um homem apontado como possível dono das armas. Do outro lado da linha, segundo a Polícia Militar, ele tenta subornar a equipe em troca da liberação da motorista e do armamento.
Arsenal pronto para ataque e risco à população
O conjunto de fuzis, pistolas, revólver, granadas e centenas de munições não é compatível com uso amador. Trata-se de equipamento típico de grupos fortemente armados, capazes de enfrentar forças policiais, realizar roubos a caixas eletrônicos, agências bancárias ou ataques a rivais em disputas por território. Em área densamente habitada como a Zona Nordeste de Belo Horizonte, um único confronto com armas desse porte colocaria em risco moradores, comerciantes e motoristas que apenas cruzam a região.
Especialistas em segurança pública afirmam que o transporte discreto desse tipo de armamento em carros comuns dificulta o trabalho de inteligência e amplia a sensação de vulnerabilidade. Quando um arsenal dessa dimensão circula entre bairros residenciais, a fronteira entre rotina urbana e cenário de guerra se torna mais tênue. A ação rápida da Rotam impede que as armas sigam adiante, mas também revela que a logística do crime está mais sofisticada e menos visível.
Investigação busca rota das armas e possíveis mandantes
Depois da prisão em flagrante, a motorista é levada para a Delegacia de Polícia Civil, junto com o material apreendido e o veículo recolhido. Os investigadores agora tentam reconstruir a trajetória das armas, da origem até o destino final. A análise dos dois celulares apreendidos, do histórico de chamadas e das mensagens deve ajudar a identificar quem paga pelo transporte e quais grupos disputam esse arsenal.
O homem que, segundo a PM, tenta subornar os militares se torna peça-chave na apuração. Ele deve ser alvo de inquérito por corrupção ativa e possível ligação com o tráfico de armas. A partir desse caso, a expectativa entre autoridades de segurança é de que novas operações sejam deflagradas em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, com foco em depósitos clandestinos e na rota de armamento pesado que abastece facções locais. A resposta da investigação indicará se a prisão da jovem motorista é um ponto isolado ou a porta de entrada para desmontar um esquema maior de armas de guerra em circulação nas ruas da capital mineira.
