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Lula acerta visita a Trump em Washington para discutir Conselho da Paz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acerta uma visita oficial a Washington para se reunir com Donald Trump ainda em 2026. Os dois líderes se encontram para discutir a criação e o fortalecimento de um Conselho da Paz, fórum multilateral voltado à cooperação internacional.

Ligação direta reabre canal político entre Brasília e Washington

A confirmação da viagem nasce de uma conversa telefônica entre Lula e Trump, realizada nos últimos dias, segundo auxiliares envolvidos nas tratativas. Nesse telefonema, os dois concordam em marcar o encontro para o segundo semestre de 2026, embora a data exata ainda dependa de ajustes entre as chancelarias. A agenda gira em torno do Conselho da Paz, iniciativa que busca reunir diferentes países em torno de segurança global, cooperação econômica e respostas coordenadas a crises internacionais.

A movimentação recoloca Brasil e Estados Unidos no centro de uma tentativa de reorganizar espaços de diálogo em um cenário de conflitos regionais, disputas comerciais e pressões sobre organismos multilaterais tradicionais, como a ONU e a OMC. O desenho do Conselho da Paz ainda está em fase de rascunho, mas a ideia é criar um fórum mais ágil, com reuniões regulares e metas claras de curto e médio prazo. Interlocutores de Lula dizem que o presidente vê a iniciativa como chance de projetar o Brasil como mediador e articulador de consensos, papel que ele reivindica desde seus mandatos anteriores.

Conselho da Paz mira segurança e desenvolvimento em eixo bilateral mais forte

Assessores dos dois governos afirmam que o Conselho da Paz deve funcionar como uma mesa permanente para tratar de crises, prevenção de conflitos e cooperação econômica. Na prática, o fórum pode abrigar discussões que hoje se espalham por dezenas de instâncias técnicas, muitas vezes sem coordenação. A expectativa é envolver, já na fase inicial, ao menos uma dezena de países de diferentes continentes, com reuniões anuais de chefes de Estado e encontros semestrais de chanceleres e ministros da área econômica.

No plano bilateral, a visita abre espaço para negociações em comércio, investimentos e segurança. Dados do governo brasileiro indicam que os Estados Unidos seguem entre os três principais parceiros comerciais do país, com fluxo anual que supera US$ 100 bilhões em bens e serviços. Uma ala do Itamaraty vê a viagem como oportunidade para destravar acordos pontuais de facilitação de comércio e cooperação tecnológica, inclusive em áreas sensíveis, como transição energética e segurança digital. Auxiliares de Trump, por sua vez, sinalizam interesse em ampliar investimentos privados em infraestrutura e energia no Brasil, com foco em projetos de longo prazo.

Bastidores, disputas e aposta na imagem internacional do Brasil

Interlocutores dos dois governos relatam que a ideia do Conselho da Paz circula há pelo menos seis meses entre diplomatas em Brasília e Washington. O telefonema que acerta a visita funciona como gesto político para tirar o projeto do papel. Segundo uma fonte com acesso às tratativas, o objetivo é lançar uma versão inicial do fórum ainda em 2026, com declaração conjunta e um plano de trabalho de pelo menos cinco anos. “A meta é criar um espaço em que decisões não fiquem engavetadas por vetos ou paralisia institucional”, diz um negociador brasileiro, sob condição de anonimato.

A aposta dialoga com a estratégia histórica de Lula de usar a política externa como vitrine de protagonismo. Nos anos 2000, o petista costura articulações que ajudam a criar o G20 financeiro como principal mesa global de coordenação econômica. Agora, auxiliares veem o Conselho da Paz como uma espécie de G20 da segurança e do desenvolvimento, ainda que em escala menor. A presença de Trump no outro lado da mesa adiciona uma camada de cálculo político, já que o republicano costuma adotar discurso duro em temas como imigração, comércio e alianças militares. Em privado, assessores dos dois líderes admitem divergências, mas ressaltam o interesse comum em exibir capacidade de diálogo em um ano de recomposição de forças no xadrez internacional.

Quem ganha, quem perde e o que pode sair do encontro

A criação ou o fortalecimento do Conselho da Paz tende a beneficiar países que buscam mais canais de interlocução direta com Washington e Brasília, especialmente em regiões instáveis. Governos de América Latina, África e Ásia podem encontrar no fórum um espaço para negociar apoio financeiro, cooperação em segurança de fronteiras e projetos de reconstrução pós-conflito. Organismos multilaterais tradicionais assistem à movimentação com atenção: na prática, um novo conselho forte pode disputar influência com conselhos e agências já existentes, ou se tornar complemento para ações travadas em instâncias maiores.

Setores empresariais enxergam na agenda de 2026 uma chance de ampliar exportações e investimentos cruzados. A área de defesa acompanha as discussões sobre segurança com interesse direto, já que qualquer avanço em cooperação militar pode abrir contratos de bilhões de dólares em equipamentos, tecnologia e treinamento. ONGs e entidades de direitos humanos, por outro lado, cobram garantias de transparência e participação social, para evitar que o Conselho da Paz se transforme apenas em palco de discursos ou ferramenta de pressão seletiva sobre países mais frágeis.

Próximos passos e incertezas até 2026

Até a viagem, diplomatas dos dois países trabalham em um cronograma detalhado de reuniões preparatórias, com metas intermediárias e rascunho de declarações conjuntas. A previsão é que, nos próximos meses, equipes técnicas definam a estrutura do Conselho da Paz, o número inicial de membros, as fontes de financiamento e o modelo de governança. Em paralelo, assessores econômicos mapeiam possíveis acordos bilaterais para anunciar durante a visita, de preferência com números concretos em comércio e investimento.

A data exata do encontro em Washington ainda depende de ajustes na agenda internacional dos dois presidentes e da evolução de crises regionais que podem pressionar o calendário. A visita, porém, já funciona como marco simbólico de reaproximação entre Brasília e Washington e como teste para a capacidade de Lula e Trump de entregar resultados em um ambiente global fragmentado. A resposta central permanece em aberto: o Conselho da Paz vai nascer como foro relevante de decisões ou ficará restrito a uma vitrine diplomática em meio a tantas promessas multilaterais?

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