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Atlético acelera reformulação e libera trio de atacantes em 2026

O Atlético intensifica a reformulação do elenco em janeiro de 2026 e já contabiliza dez saídas. Biel, Rony e Júnior Santos são liberados para deixar o clube.

Reviravolta no ataque e janela em movimento

A terça-feira começa diferente na Cidade do Galo. Enquanto o elenco treina sob sol forte, Biel se despede em silêncio antes de embarcar para o Oriente Médio. O atacante de 23 anos é liberado pela diretoria para realizar exames médicos e assinar com um clube da Arábia Saudita, numa negociação que simboliza a guinada planejada para 2026.

Rony e Júnior Santos, que também chegaram ao clube no ano passado, seguem o mesmo roteiro. As conversas para saída avançam e a tendência é que os dois deixem Belo Horizonte ainda nesta janela de janeiro. O trio resume uma aposta que não se confirma em campo e que agora abre espaço para uma mudança mais profunda no ataque alvinegro.

Os números dos três ajudam a explicar a decisão. Entre 2025 e o início de 2026, nenhum deles assume protagonismo ou se firma como titular em sequência relevante. As atuações irregulares, somadas ao alto custo de manutenção e à necessidade de folha mais equilibrada, pesam na avaliação interna.

O movimento não é isolado. Com as saídas de Biel, Rony, Júnior Santos e outros sete atletas, o Atlético chega a dez despedidas nesta janela. A lista inclui jogadores que perderam espaço ao longo da última temporada e que, em muitos casos, já não faziam parte dos planos para a sequência do projeto esportivo.

Chegadas, reposições e nova espinha dorsal

O vestiário não encolhe. Sete reforços já têm acerto encaminhado com o clube para compor o grupo de 2026, em um processo que a direção define como “reorganização estrutural” do elenco. A prioridade recai sobre setores considerados vulneráveis em 2025, especialmente meio-campo e ataque, depois de uma temporada marcada por oscilações e incapacidade de manter rendimento alto por longos períodos.

No sistema defensivo, a aposta é em continuidade. O zagueiro Vitor Hugo, emprestado pelo Bahia até o fim de 2025, tem os direitos econômicos adquiridos em definitivo. A decisão evita nova reformulação na zaga e garante ao técnico a manutenção de um defensor que se adapta bem ao modelo de jogo. A contratação definitiva é tratada internamente como um passo importante para dar estabilidade ao setor.

O desenho da janela deixa clara a estratégia: enxugar o elenco, reduzir sobreposições de função e abrir espaço para atletas com perfil físico mais intenso e maior versatilidade tática. A diretoria trabalha com o entendimento de que, em campeonatos longos, como Brasileiro e Copa do Brasil, um grupo mais equilibrado vale mais do que apenas nomes de impacto.

As contratações anunciadas até aqui respondem a essa lógica. A ideia não é apenas repor saídas, mas ajustar a hierarquia interna, definir uma espinha dorsal mais clara e permitir que jogadores de maior peso técnico, como Hulk, atuem em ambiente menos congestionado e com funções melhor delimitadas. O discurso público é de “oxigenar o vestiário”, mas a mensagem é também financeira.

Com dez saídas, o clube libera margem considerável na folha salarial para investir em um ou dois reforços considerados estratégicos. A diretoria calcula que o alívio mensal com desligamentos e empréstimos permite redirecionar recursos para posições carentes, sem repetir erros recentes de apostas de curto prazo.

Impacto técnico, torcida em alerta e o que ainda pode mudar

A reformulação mexe com o humor da arquibancada. Parte da torcida vê com alívio a saída de jogadores que não correspondem à expectativa. Outra parte cobra reposições à altura e teme que o elenco fique curto demais em ano de calendário pesado, com Estadual, Brasileiro, Copa do Brasil e competições continentais no horizonte.

No futebol profissional, a leitura é pragmática. A saída de dez jogadores significa também a necessidade de adaptação rápida dos sete reforços já acertados, que entram em ambiente de cobrança imediata. O clube trabalha com 2026 como temporada de consolidação de projeto, mas sabe que resultados precisam aparecer em poucos meses para sustentar o discurso de planejamento de médio e longo prazo.

O próximo passo é encontrar um primeiro volante para fechar a espinha dorsal. A diretoria admite, nos bastidores, que trata a posição como prioridade absoluta nesta janela. A avaliação é que o time sente falta de um jogador com boa proteção de zaga, capacidade de saída de bola e resistência física para suportar sequência de 60 a 70 jogos por ano.

Um zagueiro também está no radar, embora a contratação não seja tratada como urgente. A compra definitiva de Vitor Hugo reduz a pressão por novas peças para o setor, mas o clube mantém monitoramento constante de oportunidades de mercado até o fechamento da janela, em 31 de janeiro de 2026. A ideia é reagir rápido se surgir nome considerado acima da média.

Na Cidade do Galo, a sensação é de transição. A imagem de Biel treinando no começo da semana, já com a negociação encaminhada, simboliza um elenco em transformação. Jogadores chegam, outros saem, enquanto a comissão técnica tenta costurar um time competitivo em tempo curto.

A janela ainda aberta mantém o torcedor em estado de atenção. A reformulação em curso pode reposicionar o Atlético na disputa pelos principais títulos de 2026 ou expor fragilidades caso as apostas não funcionem. A resposta virá em campo, nas próximas semanas, quando o novo time enfim mostrar se a ruptura planejada consegue, de fato, recolocar o clube em rota de protagonismo.

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