Avaí se afasta de ex-atleta citado em caso de morte do cão Orelha
O Avaí divulga, em 26 de janeiro de 2026, nota oficial para se descolar de um ex-jogador da base citado no caso da morte do cão Orelha. O clube confirma o encerramento do vínculo e manifesta repúdio à agressão contra o animal, que provoca forte reação pública.
Clube reage à repercussão e tenta conter danos
A direção do Avaí se movimenta após o nome de um adolescente que passou pela base do clube surgir ligado, de forma extraoficial, às investigações sobre a morte do cão Orelha. A citação circula em grupos de torcedores, nas redes sociais e em veículos regionais, e rapidamente associa a imagem do clube ao episódio de violência contra o animal.
Na nota divulgada nas redes, o Avaí informa que o vínculo com o jovem está encerrado antes da repercussão do caso. O texto reforça que o atleta não integra mais nenhuma categoria do clube e que suas condutas atuais não representam a instituição. A publicação procura responder à pressão de torcedores, que cobram posicionamento desde que o caso vem à tona, ainda em janeiro.
Orelha se torna símbolo local de maus-tratos após relatos de agressão em área ligada à rotina de frequentadores do entorno do clube. O episódio coincide com um período em que discussões sobre direitos dos animais ganham força em Florianópolis, com projetos de lei municipais que tratam de punições mais severas para abusos. Nesse ambiente, qualquer suspeita de omissão ou conivência pesa sobre entidades com grande visibilidade, como clubes de futebol.
O Avaí adota um tom de distanciamento e reprovação. Na nota, a direção afirma repudiar “qualquer ato de violência contra animais” e diz colaborar com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, ainda que o clube não detalhe formalmente que tipo de cooperação oferece. A comunicação se concentra em reforçar que o adolescente não atua mais com a camisa do Avaí.
Pressão de torcida, responsabilidade institucional e imagem em jogo
O caso mobiliza torcedores organizados, protetores de animais e moradores da região do estádio. Em menos de 24 horas, publicações nas redes acumulam centenas de comentários pedindo punição exemplar aos envolvidos e questionando a responsabilidade de instituições formadoras de atletas. A morte do cão, apontado por vizinhos como animal conhecido há pelo menos 2 anos na área, se torna ponto de convergência para críticas à violência cotidiana contra animais.
Especialistas em direito esportivo ouvidos pela reportagem destacam que clubes formadores têm dever de zelar pela imagem que projetam, sobretudo em relação a menores em formação. A legislação brasileira prevê, desde o Estatuto da Criança e do Adolescente, parâmetros para acompanhamento educacional e social de jovens atletas. Quando um nome relacionado a um clube aparece envolvido em episódio de crueldade, a cobrança por uma reação rápida se intensifica.
A reação do Avaí vem com ênfase na separação entre a instituição e atos individuais. Ao reiterar que o contrato com o adolescente está encerrado, o clube tenta conter interpretações de que o caso teria ocorrido sob sua responsabilidade direta. Nos bastidores, dirigentes admitem preocupação com a repercussão negativa sobre patrocinadores e projetos sociais. Marcas associadas a causas de responsabilidade social tendem a se afastar de entidades ligadas, ainda que indiretamente, a práticas de maus-tratos.
O episódio reabre o debate sobre o papel de clubes de futebol na formação cidadã de seus atletas. Programas de base frequentemente destacam metas de educação e disciplina, mas raramente expõem indicadores concretos ou rotinas de acompanhamento psicológico e social. A morte do cão Orelha insere essa discussão no cotidiano de um clube de Série A, em um momento em que a pressão por transparência e responsabilidade só aumenta.
Investigações, próximos passos e o que pode mudar
Autoridades locais seguem apurando as circunstâncias da morte do cão e o eventual envolvimento do adolescente citado. A investigação busca identificar com precisão quem participa da agressão, em que horário ocorre o crime e se há registros de câmeras de segurança em áreas próximas. A partir dessa reconstrução, o Ministério Público pode avaliar a adoção de medidas socioeducativas, previstas em lei para menores de 18 anos.
Entidades de proteção animal pressionam por respostas rápidas e por medidas concretas. Organizações cobram, por exemplo, campanhas permanentes de conscientização em estádios, parcerias com abrigos e protocolos claros para denúncias de maus-tratos. Para o Avaí, o caminho passa por demonstrar que o repúdio expresso em nota se traduz em ações verificáveis, com prazos e metas.
O caso Orelha também pode acelerar discussões legislativas municipais e estaduais sobre punições administrativas mais duras para responsáveis por crueldade contra animais. Multas, interdições de acesso a equipamentos públicos e restrições a cadastros esportivos surgem como propostas em debate. A forma como o Avaí lida, a partir de agora, com o episódio tende a servir de referência para outros clubes diante de situações semelhantes.
A morte do cão expõe uma fratura entre o discurso de responsabilidade social no esporte e a prática cotidiana de quem circula em seu entorno. As próximas semanas indicarão se a nota oficial será lembrada apenas como um gesto de proteção da imagem do clube ou como o ponto de partida para uma mudança real na relação entre futebol, formação de jovens e respeito aos animais.
