Resident Evil Requiem traz Leon mais violento e focado em combate
A Capcom detalha em janeiro de 2026 o retorno jogável de Leon S. Kennedy em Resident Evil Requiem, com seções de ação intensa no hospital Rhodes Hill. O jogo chega em 27 de fevereiro de 2026 e aposta em um protagonista mais agressivo, armado e experiente para equilibrar terror e combate direto.
Leon volta ao centro do palco em Requiem
A nova demonstração de Resident Evil Requiem recoloca Leon S. Kennedy na linha de frente da franquia quase três décadas após o incidente em Raccoon City. O agente retorna como personagem jogável em trechos ambientados no hospital Rhodes Hill, cenário que mistura corredores fechados, salas de tratamento abandonadas e alas infestadas por médicos infectados armados com motosserras.
A Capcom apresenta essas seções como um contraponto direto à campanha de Grace Ashcroft, a outra protagonista do jogo. Enquanto Grace sobrevive na base da evasão, de puzzles e de um controle rígido de recursos, Leon entra em cena como a face mais brutal da série. O estúdio descreve um personagem moldado por quase 30 anos encarando armas biológicas e tragédias sucessivas, algo que se traduz tanto na jogabilidade quanto na construção de personalidade.
O diretor Kōshi Nakanishi afirma que a equipe procura refletir o peso desse histórico. Leon surge mais cansado, mais sério e levemente pessimista, um veterano que entende que “nem todos podem ser salvos”. A maturidade não apaga o humor ácido do personagem, que continua disparando comentários irônicos mesmo diante de ameaças grotescas, como ao enfrentar um médico infectado empunhando uma motosserra em um dos corredores do hospital.
Esses contrastes reforçam a tentativa da Capcom de unir dois momentos marcantes da série em um único personagem. Leon carrega o terror claustrofóbico de Resident Evil 2, mas se movimenta e reage com a confiança e a agressividade que o consagraram em Resident Evil 4, lançado em 2005 e reimaginado em 2023. O resultado, ao menos na demonstração, é um ritmo que alterna tensão constante com explosões rápidas de violência controlada.
Arsenal pesado, machado de combate e inventário à moda RE4
O retorno de Leon vem acompanhado de um arsenal que deixa clara a diferença de abordagem entre os protagonistas. O agente conta com sua pistola tradicional, uma espingarda de ação por bombeamento, granadas de mão e armas especiais que não aparecem nas seções de Grace. A Capcom mantém o sistema de atributos clássico, com estatísticas de poder, estabilidade, precisão e velocidade de recarga, e indica um processo de evolução próximo ao de Resident Evil 4 Remake, embora ainda esconda detalhes mais finos.
Entre as novidades, o destaque fica para o revólver Requiem, uma arma de impacto com alto poder de perfuração, feita para derrubar inimigos mais resistentes com poucos disparos. Nakanishi explica que o nome funciona como homenagem direta às vítimas de Raccoon City, um “descanso final” simbólico para as criaturas que Leon enfrenta desde o final dos anos 1990. A leitura é clara: o personagem acumula fantasmas e tenta encerrá-los à força.
A mudança mais visível, porém, aparece no combate corpo a corpo. Leon abandona a clássica faca e passa a usar um machado de combate, que provoca mais dano e derruba inimigos com facilidade maior. A nova arma permite aparos contra ataques, golpes carregados e finalizações furtivas, e pode ser afiada durante a exploração, em um sistema que lembra o cuidado com lâminas em jogos de sobrevivência mais recentes.
Fora das lutas, o machado funciona como ferramenta de progressão. Portas trancadas, barricadas de madeira e obstáculos estruturais podem ser destruídos, abrindo rotas alternativas e áreas secretas. Esse desenho de fases reforça a separação entre campanhas: o que Grace contorna com cautela e backtracking, Leon resolve com força bruta e tiros bem colocados, o que muda a percepção de risco em cada esquina do hospital Rhodes Hill.
O inventário acompanha essa filosofia. Leon administra uma maleta em grade ampla, quase um tributo direto ao sistema consagrado em Resident Evil 4, com espaço generoso para armas, munição e itens de cura. Grace, em contraste, inicia Requiem com um inventário bem mais limitado, o que a obriga a planejar cada passo e a usar com frequência os baús espalhados pelo mapa. Nas seções de Leon, a criação de itens segue o modelo clássico da série, com pólvora e sucata dando origem a diferentes tipos de munição e equipamentos. A demonstração apresenta até uma granada dupla, duas cargas unidas para uma explosão mais ampla, pensada para controle de multidões em arenas fechadas.
A tradição dos inimigos de motosserra também segue viva. Em Rhodes Hill, médicos infectados surgem com a ferramenta em mãos, forçando o jogador a administrar distância, munição e tempo de reação. Leon consegue aparar investidas com o machado e, depois de derrubar esses inimigos, pode usar a própria motosserra contra as criaturas restantes, em uma sequência que mira diretamente o público que associa a franquia a confrontos exagerados e catárticos.
Equilíbrio entre terror e ação mira futuro da franquia
Requiem chega em 27 de fevereiro de 2026 para PC, PS5, Xbox Series S|X e Switch 2 com a missão de dialogar tanto com veteranos quanto com novos jogadores. A aposta em campanhas complementares, com Grace representando vulnerabilidade e Leon encarnando o poder de fogo, parece construída para manter a tensão sem abrir mão da fantasia de poder que impulsiona a popularidade da série desde o começo dos anos 2000.
Na prática, quem prefere o terror psicológico tende a gravitar em torno dos trechos de Grace, com inventário apertado, recursos escassos e inimigos quase letais. Jogadores que se sentem mais à vontade em confrontos diretos encontram em Leon um personagem capaz de encarar de frente criaturas que antes eram praticamente uma sentença de morte. Espingarda, revólver Requiem e machado formam um tripé que muda a relação de força em cena, sem abandonar a sensação de perigo constante.
O movimento tem impacto direto na posição de Resident Evil no mercado de jogos de ação e terror, cada vez mais disputado por franquias como The Last of Us, Dead Space e remakes de clássicos de survival horror. Ao reforçar o protagonismo de Leon e investir em mecânicas de combate mais amplas, a Capcom abre espaço para expansões, conteúdos adicionais focados no personagem e possíveis caminhos para futuros episódios numerados.
A recepção dessas escolhas pela comunidade, ao longo de 2026, deve orientar decisões internas sobre o quanto a franquia se permite avançar em direção à ação sem perder a identidade de horror. Eventos especiais, parcerias multiplataforma e novas aparições de Leon em conteúdos derivados, como animações e modos extras, entram no radar conforme o lançamento se aproxima e a campanha de marketing ganha corpo.
Expectativa até o lançamento e o papel de Leon adiante
Com pouco mais de um mês entre a divulgação detalhada da demonstração e a estreia marcada para 27 de fevereiro, Requiem entra na reta final cercado de expectativa. A forma como o jogo equilibra as campanhas de Grace e Leon, e como o hospital Rhodes Hill se transforma diante de cada perspectiva, tende a definir discussões entre fãs em fóruns, redes sociais e eventos presenciais ao longo do primeiro semestre de 2026.
A Capcom aposta que um Leon mais violento, experiente e, ao mesmo tempo, ironicamente humano pode sustentar não apenas esta campanha, mas um novo ciclo dentro da marca Resident Evil. A questão que fica, às vésperas do lançamento, é se esse veterano cansado, armado com machado e revólver Requiem, inaugura uma nova fase definitiva para a série ou apenas um experimento pontual em meio a quase três décadas de horror.
